Irina Bokova, diretora geral da UNESCO.
A água é fundamental para a vida na Terra. Para que os grupos humanos e os ecossistemas possam prosperar, essa água deve ser limpa, permanecer limpa e, mais importante ainda, deve estar ao alcance de todos. O Dia Mundial da Água 2012 tem por lema “Água limpa para um mundo sadio”. Ao celebrar este Dia Mundial, examinemos os fatos.
Mais de 2,5 bilhões de seres humanos carecem hoje de sistemas sanitários adequados.
Calcula-se que 884 milhões de pessoas, a maioria delas africanas, não têm acesso à água potável.
Aproximadamente 1,5 milhão de crianças menores de cinco anos morrem anualmente por causa de enfermidades transmitidas pela água. A deterioração da qualidade das águas em rios, arroios, lagos e lençóis freáticos tem consequências diretas sobre os ecossistemas e a saúde humana. Esta situação constitui uma tragédia humana indescritível e um obstáculo importante para o desenvolvimento. As doenças vinculadas à água, e os transtornos financeiros que acarretam, reduzem as possibilidades de que as famílias pobres consigam educar seus filhos.
Ao mesmo tempo esta situação priva a nova geração da oportunidade de melhorar suas próprias condições de vida e de romper o círculo vicioso de pobreza e escassez em que vive. Água limpa e instalações sanitárias adequadas são o ponto de partida. Todo o método chave para tratar os problemas que exige a boa qualidade da água deve basear-se na prevenção da contaminação e nas estratégias de controle e restauração.
Numerosos rios, que foram antigamente fonte de prosperidade e abrigo de rica fauna, estão agora gravemente contaminados. A perda da qualidade da água superficial e nos sistemas freáticos está agravando a escassez de recursos hídricos, com repercussões negativas no entorno natural e nos bens e serviços vinculados ao ecossistema que este oferece, pondo em perigo a segurança alimentar e os meios de subsistência.
Nesta época de restrição de gastos, quando as dificuldades econômicas comprometem os investimentos destinados ao desenvolvimento, devemos dizer claramente que os avanços em matéria de desenvolvimento se autofinanciam com sobras.
Desde 2003, a UNESCO supervisiona a formação em matéria de recursos hídricos de dezenas de especialistas e engenheiros de países em desenvolvimento, no Instituto UNESCO-IHE para a Educação relativa à água, uma instituição de categoria mundial com sede na Holanda.
Além disso a UNESCO promove a criação de capacidades com vistas a uma melhor ordenação dos recursos hídricos por meio dos centros e cátedras sobre a água que auspicia em diversas partes do mundo. Ainda resta muito por fazer se queremos melhorar a vida de milhões de pessoas. Neste Dia Mundial da Água, exorto os governos, a sociedade civil, o setor privado e todas as partes interessadas a que ponham o objetivo de “Água limpa para um mundo sadio” entre suas principais prioridades.
Importância da prevenção
Calcula-se que o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio no relativo ao acesso à água limpa e serviços sanitários geraria uma economia superior aos US$ 84 bilhões.
Dispomos já dos conhecimentos científicos necessários para realizar grandes progressos no suprimento de água limpa e equipamentos sanitários, sempre e quando possa obter-se o financiamento necessário.
Os pesquisadores estão criando novos e engenhosos métodos para proteger da contaminação as águas de superfície e os lençóis freáticos e garantir assim uma melhor gestão dos recursos hídricos.
Na qualidade de organismo das Nações Unidas para a Ciência e a Educação relativas à água, a UNESCO impulsiona toda uma gama de programas com vistas a ampliar estas competências.
O Programa Hidrológico Internacional da UNESCO participa ativamente no fomento da ciência e conhecimento para proteger a qualidade das águas superficiais e dos sistemas freáticos.
A Organização também contribui para a vigilância do estado dos recursos de água doce do planeta por meio do Informe sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos no Mundo coordenado pelo Programa Mundial de Avaliação dos Recursos Hídricos, cuja secretaria a UNESCO acolhe e orienta.
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