
Foto: Evandro Oliveira/PMPA .
A escola de samba União da Vila do IAPI, de Porto Alegre, (RS) fez um desfile memorável na sexta-feira de carnaval (17/02) apresentando como tema: “Água – berço da existência”.
Com quatro alegorias, 19 alas e 1.600 componentes mostrou as várias facetas da água, desde a presença antes do nascimento – tema da comissão de frente e do carro abre-alas, até o uso religioso, como presença marcante para as plantas, para a higiene pessoal e como componente lúdico.
O segundo carro, “A imensidão azul no reino de Iemanjá”, trouxe uma representação de Iemanjá e dos seres que habitam o mar, como golfinhos, estrelas do mar, conchas e sereias. O destaque da alegoria ficou por conta de um golfinho com movimentos. Os tons de azul predominaram no carro e foram compostos com dourado e prata. A impressão de que a ala “O mar”, à frente do carro, era a água derramada pela alegoria.
Na terceira alegoria foi mostrada na parte da frente a representação de uma floresta e na de trás, um rio que parecia se derramar pela passarela.
O quarto carro alegórico, “Inspiração para preservar e vencer”, apelou para a preservação das águas por todos. A alegoria mostrou a poluição da água através de um esgoto e algumas sujeiras espalhadas pelo carro.
Para o presidente da escola, Jorge Sodré, o grande enfoque dos desfiles da União da Vila do IAPI, em todos os anos, tem sido as temáticas ambientais. Este ano, o foco principal foi a importância da água como essência humana e patrimônio coletivo que clama por preservação. Segundo ele, a escola tem o diferencial de estar sempre inovando, reciclando materiais e confeccionando fantasias com materiais reaproveitáveis”, comenta Sodré.
Dentre os destaques do desfile, diferentes alas representaram a necessidade e referência aos cuidados com a natureza: uma ala com baianas destacou o trabalho das parteiras, que possibilitam à chegada de novas vidas; a ala da bateria, estilizada com a fantasia de bombeiros, destacou a coragem destes profissionais que resgatam e salvam vidas; e também as alas dos seres aquáticos, estrelas do mar, banhistas e pescadores que demonstraram a vitalidade da água para o desenvolvimento das futuras gerações.
No site da escola está descrita a fundamentação:
“Mesmo antes do nascimento dependemos da água (líquido amniótico), pois é ela que enquanto “fonte de vida” fundamental e não substituível, é um bem vital que pertence aos habitantes da Terra, como comunidade. Esta água que dá vida, que lava, que dança e que purifica.
Pode ser doce, salgada e bendita.
Santifica, transforma e salva vidas. Salva rotinas; rotinas banhadas por águas, regadas por fontes inesgotáveis de sonhos e esperanças. Esperanças de cura, abrigo e libertação… Libertação de sentimentos, conceitos e vidas…
Vidas que não vivem sem água, que não crescem e não se multiplicam sem este líquido.
Líquido que no dia a dia se encontra envolto em um véu, que desce das cascatas para um mar de água salgada.
Salgada como o suor dos pensamentos que preservam vidas e acalentam sonhos… Sonhos que matam a sede das plantas, das matas, dos homens. Água de tanta energia, devaneios fluídicos e luminosos. Luminosos como a chuva que cai e beija o solo, afagando a natureza e abençoando a criação divina.
Divina água, patrimônio coletivo que clama por preservação.
Ouvimos o som de seus ecos de socorro e proteção aos seus mananciais.
Água que resiste às explosões e brota de um único fio de esperança. Esperança de um futuro sem desperdício, sem poluição, sem agrotóxicos. Vamos transformar nossa água no ouro do futuro”.
O samba da Vila
Água, Berço da Existência
Victor Nascimento e Tubino.
No embalo desse mar as águas vão rolar
De azul, vermelho e branco em poesia,
no Porto Seco “eu faço um banho de alegria!”
Água presente divino
No ventre germina a vida
A brisa espalha o seu afã
Na herança de um novo dia
É fascinante a energia da mãe Iemanjá
O afago das ondas no azul do mar
Vejo florescer da terra riquezas
Brotando a natureza em comunhão
Gotas de orvalho no amanhecer
Num céu de cores em profusão
Nas verdes matas o índio a dançar,”
A lua cheia clareia as águas de Y-Îara!
Nos rios de Oxum, devoção singular
Banhada em fé a Vila vai passar
Senhor… Abençoe essa fonte!
Que deságua dos montes
em lagos, cachoeiras cristalinas.
Buscando vitórias com inspiração,
Lavando a alma! Salvando vidas!
O “Berço da Existência” clama por preservação
O rio-mar pede respeito,
Lutamos com braço forte em união
Nosso canto ecoa em forma de oração
Reluzindo as cores do meu pavilhão.

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