
O UNICEF e a Organização Mundial da Saúde (OMS) acabam de divulgar relatório mostrando que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs) de proporcionar acesso à água segura estão bem distantes de serem atingidos até 2015 como foi estabelecido.
“A boa notícia é que cerca de 1,8 bilhão de pessoas foram beneficiado com o acesso desde 1990,” disse Sanjay Wijesekera, diretor associado do UNICEF e chefe do setor de saneamento. “A má notícia é que os mais pobres e marginalizados continuam sendo esquecidos”.
O relatório Drinking Water Equity, Safety and Sustainability, feito pelo Programa de Monitoramento do Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário do UNICEF e OMS, revela que entre 1990 e 2008, a proporção de pessoas com acesso à água segura cresceu de 77% para 87%. Isto significa que com este ritmo de atendimento ainda haverá em 2015 672 milhões de pessoas no mundo sem acesso à água tratada.
Conforme o relatório há muitos países na África Subsaariana, Sudeste, Sudoeste e Leste da Ásia que não conseguirão atingir as metas, apesar dos avanços registrados até aqui.
Na África Subsaariana, por exemplo, o acesso total pulou de 49% para 60% desde 1990, e acrescentou ao rol dos abastecidos 126 milhões de pessoas na área urbana e 111 milhões nas áreas rurais. Entretanto o crescimento da população minimizou o progresso fazendo com que em 2008 o número de desabastecidos seja maior do que o registrado em 1990. Além disso, os pobres das áreas rurais estão entre os mais prejudicados pela falta de acesso com o agravante de que a tarefa de buscar água recai sobre as mulheres e as crianças.
Globalmente mais de oito em cada dez pessoas sem acesso à água segura vivem em áreas rurais. Entretanto houve uma melhoria no percentual de população rural beneficiada de 21%, em 1990, para 31% em 2008. Nas áreas urbanas o percentual subiu apenas 2% – de 71% para 73% – neste período. Segundo o relatório isto prova que os investimentos nas áreas urbanas (2/3 do total disponível), não estão sendo otimizados.
Mas o estudo alerta que mesmo quando o acesso à água canalizada é obtido isto não garante que esta é segura. A pesquisa sobre qualidade da água mostra que muitos dos sistemas, sejam canalizações ou poços protegidos, não obedecem aos padrões de potabilidade de OMS. Em média, metade de todos os poços e 1/3 dos outros tipos de sistema fornecem água contaminada.
As mudanças climáticas também ameaçam a infraestrutura de saneamento. O aumento da frequência de secas e enchentes pode prejudicar o funcionamento dos sistemas e atrasar o progresso na busca de acesso e afetar o atendimento das metas do milênio.
Fonte: Unicef.
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