
Katshushika Hokusai (1760-1849) – A Grande Onda.
Cecy Oliveira – direto de Medellín (Colômbia), a convite do D7.
Durante uma hora o trabalho intenso na busca de ordenar resultados de debates, buscar idéias comuns, pensar soluções, arquitetar ações e consensos em torno das questões relacionados aos recursos hídricos nas Américas – que se realiza no D7 – deram vez à arte e à música. E a emoção tomou conta do grande salão do Centro de Convenções Plaza Maior, na cidade de Medellín (Colômbia).
A palestra O Ciclo da Água e a Música, apresentada pelo professor português Luis Ribeiro, da Rede Cyted Aquiferural, iniciou com uma frase de Fernando Pessoa: “Cai chuva no céu cinzento que não tem razão de ser. Até meu pensamento tem chuva nele a correr”. Em seguida o conferencista lembra que a natureza está cheia de música: “o barulho das cascatas, das ondas do mar quebrando na areia, da chuva batendo no telhado”. Segundo ele o próprio ciclo da água é um verdadeiro balé.
E na tela surgem imagens de vídeos com fundo musical mostrando o ciclo da água – http://watercycle.gsfc.nasa.gov e watercycle.
Além de uma extraordinária lição sobre como a água se renova diariamente e as gotas seguem o ciclo eterno da evaporação, condensação e precipitação, os vídeos, acompanhados de fundo musical transportam a platéia para o teatro da natureza onde nuvens e ondas dançam balé.
E a viagem musical continua com a obra El Mar, de Debussy, ilustrada com imagens de Katshushika Hokusai (1760-1849) do famoso quadro A Grande Onda. Todos na platéia parecem ouvir o som do mar e o ritmo das ondas e sentem a força e ao mesmo tempo o encanto da água.
Sucedem-se imagens de Turner com música de Ralph William, Henry Wood e Vivaldi brindam os participantes com sons ora vibrantes, ora suaves. Então vêm trechos da ópera Otelo e o toque dramático da chegada do personagem a Veneza põe suspense e gera ansiedade sobre o fim da tempestade quando parece que se ouve um suspiro coletivo de alívio de todos os espectadores.
Outras obras apresentadas foram: Nubes, de Philip Glass, Sinfonia Pastoral, de Beethoven, Suite Mississipi, de Ferde Grofe, Música Aquática, de Handel, Panambi, de Ginastera, As Lenda das Águas Subterrâneas, de Denisov. E o gran finale: Danúbio Azul, de Strauss, com imagens de 2001, uma Odisséia no Espaço.
Sons e imagens que emocionam
LUIS RIBEIRO é professor associado do Instituto Superior Técnico (IST) da Universidad Técnica de Lisboa (Portugal). Diretor do Centro de Geo-Sistemas do IST e consultor do Plano Nacional de Água de Portugal. Também atua como consultor da Administração da cbacia do Rio Tejo. Suas áreas de especializacção são Hidrogeologia, Modelação de Águas Subterrâneas, Mudanças Climática e Recursos Hídricos, Geoestatística.

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