Em busca de uma cultura da água para as Américas

Embora compartilhem inúmeras bacias hidrográficas os países das Américas estão apenas dando os primeiros passos na tentativa de uma ação conjunta e ordenada para melhorar a gestão de suas águas. Mesmo que Brasil e Colômbia, para citar só dois exemplos, tenham sido brindados pela natureza com reservas hídricas abundantes há locais onde o acesso deficiente e a escassez de água para abastecimento humano, agricultura e outros usos são entraves ao desenvolvimento.

O tema de desenvolvimento de uma nova cultura da água foi um dos pilares dos debates que se realizaram durante o 7º Diálogo Interamericano de Gestão da Água que reune mais de 1.300 pessoas, de 13 a 19 de novembro na cidade de Medellín, na Colômbia. O evento, promovido pela Rede Interamericana de Recursos Hídricos (RIRH), tem o apoio do Governo e de empresa colombianas, OEA e outras entidades.

Na análise feita pelo grupo constituído pela arquiteta Maria do Carmo Zinato (Brasil), a antropóloga Fanel Guevara (Peru) e a jornalista Cecy Oliveira, editora da Aguaonline e integrante do Comitê Executivo da RIRH, o ponto de partida foi a constatação de que é necessário buscar uma visão hemisférica e que integre os pontos comuns de cada cosmovisão.

Segundo o consenso do grupo “o primeiro passo para construir uma nova cultura da água é conhecer a atual visão dos povos sobre as águas. Até aa Rio-92 a visão ambiental nas políticas públicas era muito incipiente e por consequência as pessoas não incoporavam em suas ações diárias o sentido de preservação, conservação e recuperação do meio ambiente e da água”.

Uma das perguntas propostas foi sobre o avanço obtido nesta visão por parte da cidadanía? Que registros há destes avanços? Há uma visão meso e norteamericana? Andina? Patagônica, Amazônica? Como usar essas cosmovisões para criar uma nova cultura da água?

Uma das lições aprendidas é que para desenvolver uma nova cultura da água que sirva de suporte para alcançar a gestão integrada dos recursos hídricos é preciso levar em conta a importância da educação ambiental, do diálogo intergeracional, dos marcos normativos e institucionais e dos meios de comunicação.

É preciso também identificar que compromissos é preciso assumir para gerar uma nova cultura da água que parta das necessidades atuais para buscar que se alcance o objetivo máximo da gestão integrada que é:

água em quantidade, qualidade e oportunidade para todos os usos para a presente e as futuras gerações.

Compromissos

Alguns dos compromissos que seria indispensável assumir é conhecer e respeitar as culturas locais incluindo questões de gênero e intergeraçõe, especialmente na elaboração e execução de projetos de infraestrutura.

Também, incorporar em todos os níveis práticas de prevenção de eventos extremos desde o uso do solo e áreas de proteção até medidas de emergência e contingência.

Além dos compromissos ou acordos devem gerar ações com metas definidas, prazos, responsabilidades e custos sob pena de todo o esforço se transformar em uma mera carta de intenções

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