Os desafios da água na transição para uma Economia Verde

Escritório das Nações Unidas de Apoio 1a Década da Água: Água para a Vida 2005-2015.

20 anos depois da Cúpula da Terra, chefes de estado e suas delegações de todo o mundo voltarão a se encontrar em junho de 2012 para fazer um balanço dos avanços alcançados e dos desafios ainda pendentes no caminho para um desenvolvimento sustentável. Desta vez, o conceito aglutinador de todos os esforços é a chamada Economia Verde: uma forma de organizar os assuntos da sociedade que permita o crescimento econômico, melhore a justiça eliminando definitivamente a pobreza e consiga tudo isto sem deteriorar os recursos naturais e o meio ambiente.

Como resulta óbvio, o desafio é de proporções inusitadas e, conscientes disto, os governos, múltiplos agentes sociais, com a coordenação de organismos internacionais, se anteciparam na construção de uma agenda que permita identificar os desafios e a analisar e compartilhar as opções para assumi-los com maiores possibilidades de êxito.

Em preparação para a Cúpula da Terra a Conferência sobre Água na Economia Verde na Prática reuniu a mais de 80 especialistas mundiais para debater quais são os instrumentos mais úteis para avançar para a economia verde na água e abordar os obstáculo mais difíceis neste campo. A transição para a economia verde será o resultado de múltiplos esforços e iniciativas coordenadas para abordar os desafios em muitas áreas, como a agricultura, a indústria, as cidades e as bacias hidrográficas, que são fundamentais para a Economia Verde.

Em muitos países em vias de desenvolvimento, se considera que a chance de progresso para as zonas rurais se assenta sobre a possibilidade ou não de dispor de água e de sistemas de irrigação. Os pequenos agricultores, que ocupam geralmente as terras marginais, dependem principalmente das chuvas e constituem a maioria dos habitantes pobres das zonas rurais no mundo. Os agricultores destes países são especialmente vulneráveis diante de eventos extremos como as secas ou as inundações.

Se não for respondido adequadamente o desafio que pressupõe a gestão da água na agricultura enfrentaremos um futuro caracterizado por uma oferta insuficiente de alimentos e matérias-primas que estarão cada vez mais longe do alcance de um número crescente de pessoas e que se produzirão em quantidades cada vez mais voláteis e imprevisíveis.

Para cobrir as necessidades das gerações presentes e futuras, os sistemas de produção industrial deverão ajustar-se a pautas sustentáveis de uso de recursos e geração e gestão de resíduos. Isto exige uma estratégia coordenada de eficiência no uso de materiais e energia. Muitas empresas consomem mais matérias-primas e energia do que realmente requerem seus processos de produção devido ao uso de tecnologias defasadas e ineficazes e ao fracasso na hora de adotar sistemas de gestão adequados.

Entretanto, a experiência também demonstra que o desenvolvimento traz junto a degradação ambiental e o esgotamento dos recursos ameaçando as oportunidades de um crescimento econômico sustentável. Mas a humanidade dispõe das tecnologias e conhecimentos para que esta transição não seja necessariamente prejudicial para o meio ambiente e, portanto, para que os menos favorecidos não sofram as conseqüências da maior escassez e da contaminação industrial que até agora tem acompanhado as fases intermediárias do desenvolvimento econômico.

A gestão da água deve centrar-se então em superar as principais barreiras que impedem os países em desenvolvimento de adotar uma estratégia de economia verde incluindo:

# a falta de conhecimento sobre os desafios atuais e dos meios adequados para enfrentá-los;

# a ausência de um sistema adequado de apoios à indústria verde em relação à indústria tradicional;

#a ênfase excessiva em políticas de corte desenvolvimentistas que relegam as preocupações ambientais e

# dificuldades de acesso ao financiamento.

Os atuais padrões de desenvolvimento e produção são em muitos casos insustentáveis porque conduzem à super-exploração dos aquíferos e rios, à degradação ambiental e à perda de zonas úmidas costeiras e do interior. Proteger os ecossistemas de água doce exige reconhecer as características especiais inerentes à água, e que uma modificação em um ponto da bacia como por exemplo, qualquer alteração sobre o caudal de um rio, como a construção de grandes represas ou o desvio do curso para uso industrial ou agrícola, provoca necessariamente conseqüências em outro ponto.

Adaptar-se às mudanças climáticas representa outro grande desafio para a gestão de bacias e aquíferos. Como resultado destas mudanças se espera que o ciclo hidrológico se acelere à medida que as temperaturas aumentam elevando também a taxa de evaporação da água do mar ou do interior, o que intensifica as chuvas e as enxurradas. Entretanto se pode predizer que a intensificação das chuvas no mundo se distribuirá de forma irregular. As zonas áridas e semiáridas do mundo que sofrem de stress hídrico se tornarão inclusive mais secas e quentes. Prevê-se que tanto as chuvas como as temperaturas se tornem cada vez mais variáveis o que terá uma maior incidência sobre as secas e as inundações.

O papel da indústria

A indústria utiliza menos água do que a agricultura mas gera resíduos tóxicos com maior potencial para afetar a saúde humana e deteriorar os ecossistemas.

O crescimento industrial só é possível se forem reduzidos notavelmente os usos da água e os resíduos por unidade produzida. Os desafios da água são mais cruciais nos países em transição onde a indústria é o principal motor do crescimento.

Dispomos dos conhecimentos e da tecnologia para evitar que os países em desenvolvimento possam superar a transição e reduzir a pobreza sem deteriorar o meio ambiente, mas devem ser superadas importantes barreiras tecnológicas, educativas e institucionais.

O papel da água

A água é um recurso essencial para a vida das pessoas, é um impulso indispensável para a produção de alimentos, de energia e de muitos bens industriais e é também indispensável para o funcionamento de todos os ecossistemas dos quais depende a vida no planeta e a provisão sustentável de todos os recursos hídricos que necessitam as pessoas e a economia.

A manutenção da vida, do progresso econômico e dos ideais de justiça social requerem como condição indispensável a conservação dos recursos hídricos.

Capacidade de gestão

A transição para uma economia verde exige uma melhora substancial da capacidade para a gestão dos recursos hídricos que permita encontrar e recuperar o equilíbrio perdido entre o capital natural e o capital fabricado pelo homem.

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