Água e cidades em busca do equilíbrio

Cecy Oliveira – direto de Zaragoza (Espanha).

A convite da ONU-ÁGUA.

Atualmente mais da metade da população do mundo vive em cidades e essa tendência chegará a 60% em duas décadas. O grande desafio é tornar as cidades sustentáveis garantindo pelo menos o acesso à água segura e esgotamento sanitário adequado.

O crescimento estimula a migração para as zonas urbanas, aumenta a demanda de água para atividades econômicas e faz crescer a busca por saneamento. No entanto este ramo da infraestrutura não consegue acompanhar o ritmo de expansão das cidades.

Basta exemplificar que apesar dos investimentos em saneamento terem crescido na última década, paradoxalmente em 2008 havia mais pessoas que vivem em cidades sem acesso aos serviços de água e esgoto do que em 2000. Os últimos levantamentos informam que neste período aumentou em 114 milhões o número dos habitantes que não contam com água tratada e em 134 milhões os que não dispõem de esgotamento sanitário.

E as perspectivas são de que até 2030 em países da África e da Ásia o número de pessoas vivendo em cidades duplique. Hoje UM em cada QUATRO moradores de zonas urbanas não contam com instalações adequadas de serviços de saneamento.

Embora o tema do saneamento pareça afetar principalmente os mais pobres há países desenvolvidos, como o Japão, onde iniciativas verdes ajudam a garantir o suprimento adequado de água para a população. Na cidade de Fukuoka, por exemplo, o rio Chikogugawa fornece apenas 1/3 da água que a cidade necessita. O restante tem que vir da cooperação das cidades vizinhas.

Um dos principais problemas detectados e que dificulta a recarga do manancial foi a devastação dos bosques que margeiam o rio. Um projeto de recuperação destes bosques nas zonas de nascentes pode melhorar a vazão e diminuir a dependência da transposição.

O projeto prevê o financiamento da gestão dos bosques nas zonas com fontes de água, programas de intercâmbio locais e criação de um fundo da associação de bacia formado pelos municípios banhados pelo rio. As administrações municipais incentivam e financiam atividades como o plantio de árvores ou limpeza dos bosques.

Desenvolvimento sustentável

Os especialistas recomendam:

# Padrões de uso do solo que assegurem grandes áreas verdes;

# Incentivo ao surgimento de cidades compactas e expansão controlada das zonas urbanas:

# Equilíbrio entre as instalações estratégicas e a diversificação de oportunidades para a economia local;

# Expansão e melhoria constante da rede de infraestruturas e combate às perdas;

# Desenvolvimento de construções e bairros verdes que diminuam o consumo de água e energia. Exemplos são incentivos e taxações.

# Criação de núcleos de indústrias e empregos verdes;

# Incentivos a ações verdes (zonas livres de carros, premios e impostos mais baixos para projetos que contribuam para uma expansão urbana sustentável).

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