Fenômenos climáticos: continuamos enxugando gelo

Cecy Oliveira

Sucedem-se as estações e as manchetes não mudam: “a chuva destruiu casas”, “o rio invadiu a cidade”, “tragédia por causa da chuva”.

Como tantas outras mortes em inundações, enxurradas, alagamentos, chuvas intensas ou secas – que só acontecem pela absoluta irracionalidade humana em lidar com fenômenos naturais – é mais fácil responsabilizar as forças da natureza.

Lá, como aqui, como em Londres, a imprensa e os especialistas atribuem à chuva a causa das inundações, da queda de aviões, da insensatez de vidas perdidas. Ao não poder dominar a natureza o homem em lugar de analisar seus erros prefere culpá-la por suas mazelas.

Há pelo mundo a fora exemplos de sobra de como não lidar com os fenômenos naturais. Mas essa lição é difícil de aprender. Assim como as cidades se tornaram um amontoado semelhante a uma bomba-relógio prestes a explodir, um urbanismo caótico e predatório fez dos principais rios brasileiros verdadeiras cloacas a céu aberto.

E incessantemente continua-se a dizer que a chuva provocou mortes, o rio destruiu casas. Em lugar de reconhecer que as cidades é que invadiram a área de inundação dos rios, destruíram as matas ciliares, encheram seu leito de lixo e esgotos – ingredientes perfeitos para o transbordamento.

Autora

Cecy Oliveira é jornalista e editora da Aguaonline.

Lições mal aprendidas

Em vez de se render à perfeição do ciclo hidrológico e com ele conviver prefere-se o confronto, a incúria, a ganância e a absoluta incompetência de entender que o ser humano é também parte (e talvez não a mais inteligente) da natureza.

Não é mais simples, econômico e racional entender e usufruir dos benefícios dos ciclos da natureza do que lutar contra eles?

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