Não é mais possível continuar adiando a universalização do saneamento

Foto: Cassilda Carvalho. Foto: Felipe Gaieski.

O Brasil não pode continuar adiando a universalização do saneamento ou vai comprometer a saúde e a qualidade de vida de sua população e até mesmo a de seus recursos naturais, principalmente a dos recursos hídricos. O alerta foi feito pela presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária de Ambiental (ABES, engenheira Cassilda Carvalho ao participar, em Porto Alegre (RS), no lançamento do 26º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental que ocorrerá na capital gaúcha de 25 a 29 de setembro próximo.

No almoço, realizado no Restaurante da Federasul, com a presença de cerca de 300 pessoas entre associados, sanitaristas e autoridades foi empossada a diretoria da seção gaúcha da ABES para o biênio 2011-2013 e que terá como presidente a engenheira Nanci Giugno.

Cassilda Carvalho destacou em seu pronunciamento que o Plano Nacional de Saneamento que será apresentado pelo governo federal precisa ter metas mais ambiciosas para atingir a universalização do abastecimento de água, coleta e tratamento dos esgotos, gestão das águas urbanas e drenagem pluvial e coleta a disposição final dos resíduos sólidos. “Não é mais possível continuar adiando o acesso da população a esses serviços básicos e colocar metas tímidas como o ano de 2030 ou mais tarde para que todos os brasileiros contem com estes serviços. O saneamento já foi relegado por muitos anos. Agora é hora de ganhar prioridade!” afirmou.

Na opinião da presidente da ABES é necessário alterar as formas de contratação dos produtos e serviços, com agilidade, transparência e utilizando a mesma excepcionalidade aberta para a Copa de 2014; realizar a modernização da gestão das companhias e dos serviços municipais de saneamento e institucionalizar os instrumentos de regulação do setor.

“Atualmente, 50% da população brasileira não tem rede de esgotos e, dos outros 50%, somente 1/3 é tratado. Das 162 mil toneladas de lixo geradas por dia no Brasil, 60% não tem disposição adequada e vai para lixões”, explica ela, que finaliza: “Mudar essa realidade é oferecer qualidade de vida para as pessoas, pois saneamento básico é igual à saúde pública” declarou.

Também o diretor geral do Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE) de Porto Alegre, ao falar em nome do prefeito de Porto Alegre, José Fortunatti, ressaltou a importância da valorização das ações de saneamento. Mas destacou que a população deve fazer a sua parte, especialmente no que diz respeito às conexões das casas às redes coletoras de esgoto. Nesse sentido mencionou ser muito oportuna a mobilização proposta pelo movimento ECOA-POA que busca a adesão da comunidade e dos meios de comunicação ao debate sobre saneamento que começa a se estabelecer na cidade e culminará com a presença de mais de 5.000 participantes durante o Congresso da ABES, no mês de setembro.

A importância de fazer a ligação

Para atingir a universalização do saneamento não basta implantar redes, estações de tratamento, capacitar os técnicos e adotar tecnologias modernas. Uma parte importante da busca da universalização corresponde às comunidades beneficiadas.

Isto foi o que ficou claro na entrevista coletiva que antecedeu ao lançamento do 26º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. Dela participaram a presidente do Congresso, engenheira Ellen Martha Pritsch, o presidente da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), Arnaldo Dutra, o diretor geral do DMAE de Porto Alegre, Flávio Presser e a engenheira Nanci Giugno, presidente da ABES-RS.

Todos destacaram que no que se refere à cobertura dos serviços de esgotamento sanitário é fundamental que cada morador providencie a ligação de sua residência às redes coletoras quando elas passarem na rua onde mora.

Presser lembrou que mais de 80% das ruas que fazem parte da bacia do Arroio Dilúvio, em Porto Alegre, já têm redes coletoras de esgoto sanitário. No entanto muitas casas ainda continuam lançando seus esgotos na rede pluvial e aumentando a contaminação do Arroio que deságua diretamente no Lago Guaíba, manancial de onde o DMAE capta água que vai ser tratada e distribuída através de suas estações de tratamento de água (ETA).

“Temos um programa denominado Esgoto Certo que busca corrigir essas distorções mas o fundamental é que a população faça a sua parte. Ele destaca que a Lei 11.445, do Saneamento, já permite a cobrança compulsória da tarifa de esgoto mas essa medida só resolve o problema do ponto de vista econômico. “A conscientização é importante para que este esgoto seja levado a uma estação de tratamento e com isto deixe de causar poluição e ampliar a contaminação de nossos mananciais”, destaca Presser.

Também o presidente da Corsan, Arnaldo Dutra, enfatizou a importância da participação da comunidade: “Nos investimentos feitos através do Pró-Guaíba a Corsan implantou redes e estações de tratamento e bombeamento de esgotos em Cachoeirinha e Gravataí mas grande parte dos moradores das duas cidades ainda continuam jogando os esgotos na rede pluvial e aumentando a poluição do Rio Gravataí”, disse.

Ele acrescentou que prefeitos e vereadores têm papel importante nesta conscientização. “Estamos trabalhando com o Ministério Público nestas duas cidades para que a população entenda que sua participação é significativa para que possa ser cumprida a meta da universalização”, disse Arnaldo Dutra.

ECOA-POA chama comunidade a participar do debate sobre a importância do saneamento

Foto: artista plástica Daniela Karg ajudou a divulgar o movimento ECOA-POA. Aguaonline.

Uma das formas de motivar a população sobre questão do saneamento é utilizar novas linguagens para tentar tornar o tema de mais fácil compreensão. Este é um dos objetivos do movimento chamado ECOA-POA que também foi lançado no evento da ABES.

Segundo destacou a engenheira Ellen Pritsch a proposta do ECOA-POA é usar a linguagem das artes, da literatura e da música para mobilizar a comunidade em torno do tema do saneamento. “Vamos promover exposições de artes plásticas, apresentações musicais e lançar publicações literárias para levar a população a perceber o quanto o saneamento está presente e é importante em nossas vidas”.

A programação do ECOA-POA pode ser conferida no site:

www.ecoapoa.com.br.

São parceiros do movimento:

AGEOS – Associação Gaúcha de Empresas de Obras de Saneamento; CORSAN – Companhia Riograndense de Saneamento;

DEP – Departamento de Esgotos Pluviais;

DMAE – Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegre;

Grupo Vertentes – Arte com Visão Ambiental;

Maquimotor;

Mexichem;

Prefeitura Municipal de Porto Alegre; Revista Aguaonline;

Saint Gobain;

Studio Clio;

Escola de Samba União da Vila do IAPI e Agência Novacentro.

Leave a Reply

Your email address will not be published.