A Educação Ambiental e as novas perspectivas para o ensino: análise de livros da 6ª série

Silvio Profirio da Silva (1), Wilka de Andrade Dias (2), André Almeida da Silva (³) e Jacineide Gabriel Arcanjo (4).

Durante décadas, o ensino de Ciências, em nossas escolas, ocorreu em função de conceitos e definições, que deveriam ser reproduzidos pelos alunos. Com isso, o ensino dessa disciplina teve como foco apenas a supervalorização de conceitos científicos [1].

Esse posicionamento refletiu-se nos livros didáticos, o que excluia a possibilidade de o aluno refletir acerca de questões atreladas à realidade. Consequentemente, “aprender Ciências consistia em repetir palavras difíceis” [2].

Tal postura persistiu em nossas escolas durantes anos. Contudo, nos últimos anos, a questão ambiental tornou-se objeto de inúmeras discussões, por conta da situação calamitosa na qual se encontra o planeta. Atualmente, o mundo convive com dramas originados pela falta de uma consciência ecológica, que coloque em níveis de equidade o desenvolvimento econômico e natural. Diante disso, surgiram diversos estudos sobre a Educação Ambiental. Tais estudos têm por objetivo levar o homem a refletir sobre o equilíbrio das relações econômicas e naturais. E, sobretudo, despertar nele uma consciência crítica e preventiva.

No Brasil, esses estudos refletiram-se nos Parâmetros Curriculares Nacionais -PCNs. Esses novos paradigmas estão sendo adotados por diversos livros didáticos, com a pretensão de levar os alunos a compreender sua relação com o meio ambiente e, sobretudo, levá – los a refletir acerca dos efeitos de suas ações. O que ocasiona o desenvolvimento de uma consciência crítica e preventiva.

Assim, o livro didático passa a abordar questões sociais, para levar o aluno a refletir e, consequentemente, atuar na sociedade. À luz das contribuições teóricas dos autores consultados, este artigo tem por objetivo verificar como a Educação Ambiental vem sendo abordada nos livros didáticos da 6ª serie [como se dá tal abordagem nos livros didáticos] e suas implicações para o ensino de ciências.Para tanto foi realizado um levantamento bibliográfico acerca da Educação Ambiental, no que tange à sua história. Após isso, tivemos interesse em verificar com essa temática vem sendo abordada nos livros didáticos. Foram analisados três livros didáticos de Ciências da 6ª serie, de duas décadas distintas. São eles: Os Seres Vivos (CRUZ, 1995), Os Seres Vivos (BARROS, 2000) e Projeto Araribá Ciências (CRUZ, 2006). Esses livros usados em Escolas da Rede Estadual de Ensino em Pernambuco – PE.

Os resultados apontam que: os dois primeiros livros retratam a questão ambiental de forma sintética, superficial e resumida. Tal abordagem consiste em pequenas notas e comentários no final de cada capítulo. Assim, percebe – se uma incipiente abordagem da Educação Ambiental. Ambos dão ênfase às definições, com base em textos teóricos e atividades que requerem respostas localizadoras. Essas respostas dão ênfase aos posicionamentos do autor, em detrimento da reflexão do aluno. Nessa perspectiva, percebe-se que as questões são acríticas, na medida em que restringem-se a conceitos apenas.

O terceiro livro tem uma abordagem mais ampla, que objetiva não só levar o aluno a compreender os conceitos abrangendo o processo de conscientização dos alunos, levando-os a refletir sobre problemáticas sociais e, por conseguinte, inserí-los no contexto de participação social.

Para isso, o autor utiliza atividades de compreensão textual, com base em textos, gráficos, imagens, tabelas, etc. Além disso, as atividades usadas estimulam a capacidade do aluno de opinar e argumentar. Nesse sentido, percebe – se que, apesar de os trabalhos sobre a problemática ambiental terem se iniciado há anos, sua inserção nos manuais didáticos ocorreu tardiamente.

Autores

(1) Silvio Profirio da Silva – aluno Curso de Licenciatura em Letras;

(2) Wilka de Andrade Dias – aluna do Curso de Licenciatura em Pedagogia;

(3) André Almeida da Silva – aluno Curso de Licenciatura em Ciências Agrícolas;

(4) Jacineide Gabriel Arcanjo – Mestra em Ensino das Ciências. Os dosi últimos da Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE.

Referências

[1] NETO, J. M.; F., H. O livro didático de Ciências: problemas e soluções. Ciência & Educação, v. 9, n. 2, p. 147-157, 2003. Homepage: www.scielo.br.

[2] BIZZO, N. Ciência: Fácil ou difícil? São Paulo: Ática, 2002.

[3] LAYRARGUES, P. P. Muito prazer, sou a educação ambiental, seu novo objeto de estudo sociológico. Indaiatuba, 2002.

[4] HISSA, C. E. V. (org.). Saberes Ambientais: desafios para o conhecimento disciplinar. Ed. UFMG. Belo Horizonte, 2008.

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