
A primeira casa do país feita com entulhos de obras está exposta no Rio Grande do Sul, às margens da BR-116, no parque industrial do Grupo Baram, situado no município de Sapucaia do Sul, região metropolitana de Porto Alegre. A tecnologia consiste em utilizar 28,15 toneladas de entulhos de demolição de obras para a construção de um imóvel com 52m², com dois dormitórios, cozinha, sala e banheiro. O imóvel tem área superior ao construído pelo projeto do governo federal, que varia entre 42m² e 45m², e representa uma economia de 40% no preço final, custando cerca de R$ 45 mil.
A iniciativa faz parte de um projeto do Grupo Baram, através da empresa Verbam Máquinas, que oferece kit composto por duas máquinas: uma para reciclagem de entulhos e sobras de concreto e outra para a fabricação de tijolos e blocos. Com essa nova tecnologia, o Grupo inova ao apontar uma solução ecologicamente correta para as milhares de toneladas de entulhos que são produzidas todos os dias no país.
Com 23,05 toneladas de entulhos de demolição de obras é possível fabricar 8.640 tijolos, necessários para a construção da casa. Este tijolo é duplamente ecológico porque não usa combustão em seu processo de fabricação e é feito exclusivamente de resíduos da construção e demolição (RCD). Se essa mesma casa fosse construída pelo método tradicional, hoje adotado pela indústria da construção civil, seriam produzidos, conforme dados do Ministério de Minas e Energia, 3.996 kg de CO² somente para a produção de tijolos vermelhos. Isso significa que seriam necessárias 21 árvores para consumir toda essa carga de CO².
O tijolo feito exclusivamente com agregados é três vezes mais resistente do que o tijolo tradicional, apresentando 7,5 MPA, unidade usada para medir o grau de resistência. Outra vantagem do projeto é o aproveitamento de entulhos de obras em todas as etapas da construção. Para fazer o radier, contrapiso, com 8m (largura) X 6,5m de comprimento, por exemplo, são necessárias 5,10 toneladas de agregados. Outro destaque dessa inovação construtiva é a massa para assentamento dos tijolos que está sendo usada, que é feita com resíduos minerais e dispensa a utilização de areia e cimento.
Atualmente, em capitais como São Paulo e Porto Alegre, são jogados no lixo diariamente 1,8 mil e 242 toneladas a cada hora de entulhos de obras respectivamente. Os dados foram apurados pelo Departamento de Saneamento e Meio Ambiente da Faculdade de Engenharia de São Paulo.Com esses volumes, seria possível construir 334 casas por dia em São Paulo e 85 residências por dia em Porto Alegre.
A ressurreição do paralelepípedo
O velho e bom paralelelepípedo, quem diria, está de volta. Começa a ser opção para os asfalto em algumas ruas de condomínios onde o verde predomina. “Se acrescentarmos o asfalto a esse contexto, com certeza, o quesito natureza, não terá o mesmo vigor”, afirma o engenheiro Cláudio Roberto de Castro, proprietário da Tecpar Pavimentação Ecológica de Piracicaba.
Foi assin no Condomínio Santa Inês, localizado na cidade de Itu (SP), onde todos os proprietários das casas que compõem o local reuniram-se em uma assembléia e optaram por pavimentar as ruas com paralelepípedo.
“Entre 450 condôminos, escolheu-se esta opção por se tratar justamente de algo ecológico e que não agride o meio, a preservação da área era a nossa maior preocupação, já que temos muito verde e muitos lagos por aqui”, comenta Isidoro Fabretti, presidente da comissão executiva do condomínio.
A preferência é sim pelo paralelepípedo e o engenheiro Cláudio, da Tecpar, explica porque a pedra é tão vantajosa em relação ao asfalto: “O paralelepípedo é mais duradouro, menos agressivo ao meio, bem mais permeável e tem uma percolação (infiltração) maior. Além disso, ao contrário do asfalto, ele não exala aquele cheiro de produto químico quando exposto ao calor do sol”. E completa, “hoje as pessoas preferem um ambiente mais leve, mais natural, sem aquela realidade obscura da cidade moderna. E o paralelepípedo resgata tudo isso, sem perder a beleza do local”.
Para o construtor aposentado Dorival Rolim, que mora há mais de 50 anos em uma rua de paralelepípedos, “tem-se a mania de achar que ruas pavimentadas assim são antigas e obsoletas. Em minha opinião, a pedra é extremamente funcional, pois nunca, em tanto tempo aqui, tivemos problemas com chuvas ou buracos. Já chegamos a fazer até um abaixo assinado para impedir que a prefeitura asfaltasse nossa rua. E conseguimos”, orgulha-se Dorival.

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