Haiti e República Dominicana necessitam de doação de cloro

Cecy Oliveira – diretamente de Punta Kana (República Dominicana).

Foto: Tomas na passagem pelo Caribe. Rosane Lopes (PAHO/WHO)

Um alerta para que não se expanda o surto de cólera, que em menos de dez dias já registra cerca de 3.000 casos no Haiti, está sendo feito também na República Dominicana. O apelo é por doação de cloro granulado para fortalecer os sistemas de tratamento de água, especialmente nas províncias dominicanas de Podernales, Dajabon, Elias Pina, Montecristi e Independencia que estão próximo da fronteira com Haiti.

Segundo a assessora em Saúde Ambiental da Organização Pan-americana da Saúde na República Dominicana, engenheira Ana Quan, a região da fronteira é composta em grande parte de população rural, de pequenas comunidades e com muitos migrantes haitianos. Ela explica que a entidade está apoiando o Ministério da Saúde em várias medidas já em andamento desde a notificação dos primeiros casos no Haiti. “Todos os hospitais da região fronteiriça já tem cloradores e estão sendo intensificadas as campanhas para a desinfecção domiciliar”.

Como grande parte dos estoques de cloro disponibilizados por OPS foram trasladados para Haiti agora o apelo é para que se possa reforçar os sistemas de tratamento de água, especialmente na região de fronteira, e prevenir a entrada da doença no país vizinho. Até agora não foram notificados casos na República Dominicana. Mas os especialistas temem que com a intensificação das chuvas provocadas pela passagem do furacão Tomas seja mais fácil a expansão uma vez que a cólera é uma enfermidade transmitida por via hídrica.

Especialista diz que sistemas de tratamento de água precisam de modernização

Os sistemas de tratamento de água do Brasil e dos países da América Latina já não conseguem atender aos parâmetros de potabilidade tendo em conta as condições dos mananciais.

A constatação foi feita pelo professor Evanildo Hespanhol, da Escola Politécnica da USP, Centro Internacional de Referência em Reúso da Água, durante o Simpósio sobre Água, Cidade e Saúde: por uma Nova Cultura da Água, realizado em Punta Kana (República Dominicana).

Especialista diz que sistemas de tratamento de água precisam de modernização II

O especialista diz que hoje os mananciais apresentam substâncias que não são retiradas com os métodos convencionais (decantação, filtração e cloração). Entre esse elementos presentes na água da maioria dos rios do continente latino-americano estão: resíduos de remédios, hormônios, anticoncepcionais e até mesmo de entorpecentes, como cocaína.

Segundo Hespanhol a tecnologia de tratamento já avançou muito em todo o mundo e a utilização de membranas, por exemplo, apresenta-se atualmente como uma alternativa economicamente acessível.

“Quando cidades como São Paulo estão buscando água cada vez mais longe não se pode deixar de lembrar que isto era o que faziam os romanos, com seus aquedutos”, diz Hespanhol ao defender não somente a modernização dos sistemas de tratamento como o incentivo ao reuso como uma alternativa capaz de atender a cidades cada vez mais sedentas.

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