Catástrofes naturais como as enchentes em Santa Catarina ou o desmoronamento de terra em regiões de encosta no estado do Rio de Janeiro podem ser tanto previstas quanto evitadas, mas dependem de uma ação conjunta entre o Poder Público e a classe dos engenheiros civis. Essa foi uma das conclusões apontadas na abertura do 1º Seminário Brasileiro sobre Catástrofes Naturais e Antropogênicas e 1º Seminário Brasileiro de Engenharia Civil Emergencial ontem (14.12), em Curitiba (PR). Os dois encontros são promovidos pela Abenc (Associação Brasileira de Engenheiros Civis) e seguem até a próxima quarta-feira (16.12).
Durante os debates foram apresentados os casos de atendimento emergencial em São Paulo (SP), Petrópolis (RJ), Blumenau e Vale do Itajaí (SC). Conforme os especialistas, as população mais afetadas são as de regiões de encosta, que estão mais vulneráveis a soterramentos devido ao desmatamento no momento da ocupação e da ação das águas sobre a terra. “Há casos em que não há alternativa, tem que se deslocar as famílias dessas áreas para outros bairros, ou até mesmo para outras cidades. Mas isso envolve um bom planejamento de administração urbana”, avalia o membro do grupo técnico da Defesa Civil de Petrópolis, Robson Luiz Gaiofatto.
Para ele, é necessário que as associações de engenheiros civis tomem a frente das discussões em torno do planejamento urbano municipal e façam com que haja maior rigor no cumprimento das leis existentes.
E os prejuízos causados por esses desastres são grandes. Só para a reconstrução de Blumenau, que teve um saldo de 24 mortos, 2 mil casas danificadas e 5,6 mil pessoas atendidas, será necessário R$ 1 bilhão. “Os alagamentos em Santa Catarina ocorreram sem o preparo da Defesa Civil, que em algumas cidades tinha apenas uma pessoas responsável”, relata o presidente da Associação Regional de Engenheiros e Arquitetos de Itajaí, Luís Fernando Sales. “Para evitar que novas ocupações irregulares ocorram é necessário o mapeamento das regiões atingidas e a avaliação de sua vulnerabilidade, aliada à fiscalização do governo. Já a prevenção depende de estudos técnicos para verificar quais são as ações necessárias”, acrescenta.
Leave a Reply