
O Governo do Rio Grande do Sul, através do Departamento de Recursos Hídricos (DRH), da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), está regulamentando o uso de poços artesianos em locais abastecidos pela rede pública de água, o que até agora era proibido. A intenção do Governo é evitar o uso de água tratada e fluoretada para atividades que não necessitam deste tratamento, valendo-se da utilização de águas subterrâneas.
A resolução do Conselho de Recursos Hídricos (CRH), estabelecendo as diretrizes e critérios para a regulamentação do uso da água proveniente de poços artesianos foi assinada pelo secretário estadual do Meio Ambiente, Berfran Rosado, e entrou em vigor dia 17/07. A medida quer evitar o desperdício, além de permitir a regularização dos poços já existentes, o que servirá para que o DRH possa fazer um levantamento hídrico.
“Não há sentido em utilizar uma água nobre quando não é para o consumo humano. Há uma série de utilizações onde a água bruta é suficiente para atender as demandas de limpeza e higienização. Além da economia para o usuário, iremos evitar o desperdício de água tratada”, destaca Berfran Rosado. As áreas de serviços, indústria e agricultura serão as mais beneficiadas com a adoção da medida.
Nos serviços, os postos de combustíveis, por exemplo, poderão utilizar poços artesianos para a lavagem de veículos, assim como as transportadoras e empresas de ônibus poderão usá-los para a lavagem de suas frotas. As floriculturas estão autorizadas a ter poços artesianos para manter os produtos nas condições adequadas, através da rega, o mesmo ocorrendo com condomínios para a rega dos seus jardins. Nos hospitais uso permitido é abastecer as caldeiras e lavanderias. A resolução também prevê a permissão para abastecer piscinas de uso coletivo e de uso individual.
Na indústria, a permissão será para a lavagem de vasilhames, vidros e equipamentos, enquanto que na agricultura, o uso da água subterrânea abrangerá atividades de cultivo de arroz, feijão, milho, pastagens, soja e outras culturas como hortas e hortaliças de qualquer natureza.
Fonte: Sema-RS.
Opinião do leitor
“Acho que, essas empresas devem reutilizar água utilizando métodos de reciclagem, não adianta nada se esta água for despejada na rede pública para ser tratada”.
Carlos – kanjisato@hotmail.com.
Mais uma medida absurda de desmantelamento, quem regulariza poço? O DRH leva mais de 12 meses para regularizar um poço. Não há fiscalizaçao, vamos esgotar o aquifero! Quem sabe um dia se tira água de eucalipto ou arroz!
Monica Wendt
Queimadas alteram ciclos biogeoquímicos e clima da Amazônia
(Agência SBPC) – As queimadas na floresta amazônica estão causando alterações nos ciclos biogeoquímicos (os percursos realizados no meio ambiente por um elemento químico) e afetando ainda mais o clima da região. A revelação foi feita pelos pesquisadores Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), e Flávio Luizão, do Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA), em uma mesa-redonda realizada durante a 61ª Reunião Anual da SBPC, realizada em Manaus (AM).
Segundo os pesquisadores, o que está ocorrendo na Amazônia é que ao queimar a floresta parte dos compostos nitrogenados presentes nas árvores, como a amônia, por exemplo, são vaporizados e vão para a atmosfera onde se combinam com outros elementos e acabam formando chuva ácida. Isso também gera um aumento da quantidade de nitrogênio armazenado na biosfera, contribuindo para mudanças no ciclo hidrológico – de chuvas – e nas condições climáticas da região.
Para o pesquisador Flávio Luizão, as queimadas também causam uma enorme perda de nutrientes na biomassa e deterioram as condições do solo. “O solo de uma área de pastagem se deteriora em 13 anos e, em condições naturais, são necessários 70 anos para recuperar o ciclo de hidrogênio desse sistema”, diz o especialista.
Uma das alternativas indicadas pelo pesquisador para recuperar áreas degradadas abandonadas na Amazônia – que correspondem a mais de 50% do total de 17% da área desmatada da floresta – é o uso de culturas leguminosas ou a substituição da atividade agropecuária por sistemas agroflorestais.
Os pesquisadores também se manifestaram absolutamente contrários à recente concessão do licenciamento ambiental para restauração e pavimentação da BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). “Nessa região, onde estão querendo pavimentar a estrada, há uma altíssima biodiversidade, maior do que em outras regiões da Amazônia. Essa obra não tem justificativa econômica. O número de famílias que habita essa região é baixíssimo. Será, sem sombra de dúvida, um desastre ambiental”, avalia Luizão.
Leave a Reply