Home, Nosso Planeta, Nossa Casa é um filme de alerta à humanidade

Em algumas poucas décadas, a humanidade interferiu no equilíbrio estabelecido no planeta há aproximadamente quatro bilhões de anos de evolução. O preço a pagar é alto, mas é tarde demais para ser pessimista. A humanidade tem somente dez anos para reverter essa situação, observar atentamente à extensão da destruição das riquezas da Terra e considerar mudanças em seus padrões de consumo.

Ao longo de uma seqüência única através de 54 países, toda filmada dos céus, Yann Arthus-Bertrand divide conosco sua admiração e preocupação com esse filme e finca a pedra fundamental para mostrar que, juntos, precisamos reconstruí-lo.

Mais do que um filme, HOME – NOSSO PLANETA, NOSSA CASA já é um grande evento internacional: pela primeira vez, um filme está sendo exibido no mesmo dia em quase 50 países. 5 de junho de 2009, o Dia Mundial do Meio Ambiente foi escolhido como a data mais simbólica para essa exibição simultânea, em grande parte de gratuitamente, em vários os formatos, como cinema, televisão, DVD e internet (on-line pelo www.youtube.com/homeproject). O objetivo do diretor Yann Arthus-Bertrand, dos distribuidores Luc Besson e François-Henri Pinault, do presidente e diretor executivo da PPR, principal patrocinadora do filme, é atingir a maior audiência possível e convencer a todos de nossas responsabilidades individuais e coletivas com relação ao planeta.

Notas da produção

Denis Carot, Elzévir Films

“Se podemos melhorar as imagens do mundo, talvez possamos melhorar o mundo.” Wim Wenders

As palavras de Wim Wenders talvez nunca tenham sido tão relevantes para um filme como no caso de HOME – NOSSO PLANETA, NOSSA CASA. Dando continuidade ao documentário VERDADE INCONVENIENTE de Al Gore, HOME – NOSSO PLANETA, NOSSA CASA é, com certeza, um filme com uma mensagem cujo objetivo é aguçar a percepção das pessoas, chamar a nossa atenção para os movimentos tectônicos em andamento e nos incitar a agir. Embora haja um apego geral das sociedades com relação a questões ecológicas, ações concretas ainda são pequenas e lentas demais, o que constitui, de diversas formas, o que o filme prega: é tarde demais para ser pessimista.

Mas HOME – NOSSO PLANETA, NOSSA CASA é mais do que um documentário com uma mensagem. É um filme grandioso por méritos próprios. Cada tomada é espetacular e mostra a Terra, a nossa Terra, como nós nunca a vimos antes. Cada imagem parece dizer: “Vejam como a Terra é bonita, vejam como nós a estamos destruindo, e, acima de tudo, vejam todas essas maravilhas, as quais ainda podemos preservar.”

Quando comecei a trabalhar no projeto com Yann, estava convencido que a idéia de realizar um filme rodado inteiramente dos céus, sem entrevistas nem material de arquivo, era acertada, mas eu não conseguia entender por quê. Uma conversa me iluminou: “Do ponto de vista aéreo há menos necessidade de explicações.” Absolutamente! A nossa visão é mais imediata, intuitiva e emocional. É isto que diferencia HOME – NOSSO PLANETA, NOSSA CASA de todos os outros filmes sobre questões ambientais – todos igualmente necessários para a humanidade neste período crucial. HOME – NOSSO PLANETA, NOSSA CASA causa impacto imediato sobre a sensibilidade de qualquer um que o assiste, chamando nossa atenção, inicialmente através da emoção, a fim de mudar a forma que vemos o mundo.

Provavelmente, é essa “pequena necessidade de explicações” que também permite que o filme atinja seu objetivo original: o de envolver as principais questões ecológicas que nos confrontam, mostrando como tudo no planeta está interligado ao longo de duas horas. E como o filme foi realizado sem roteiro, foi um grande desafio.

Além do conteúdo, a grande particularidade do filme está principalmente na sua forma de distribuição. Yann é um homem generoso, cujo maior desejo, desde o princípio, foi compartilhar o filme com o mundo; que ele fosse visto pelo maior número que pessoas possível, em todos os continentes e, para tanto, ele deveria ser exibido gratuitamente!

Quando ele nos explicou sua intenção na nossa primeira reunião com minha sócia Marie de Masmonteil, eu achei que seria totalmente impossível.. Seu ponto de referência era a exibição de “A Terra Vista do Céu”, que, oito anos depois de lançado, ainda é exibido gratuitamente através do mundo e já foi até agora assistido por mais de 100 milhões de pessoas. Mas o custo da produção de um filme é muito maior do que uma exposição de fotografias. Além disso, o cinema só existe graças à renda que gera. Como seria possível, nesse contexto, exibir o filme gratuitamente, a não ser que apelássemos para muitos e generosos doadores, esforço que demanda tempo, e muito tempo? Mas o HOME – NOSSO PLANETA, NOSSA CASA é tão impaciente quanto teimoso e a luta para salvar o planeta é urgente – prioridade absoluta. Ele também é persuasivo e inspira confiança. Assim, eu me comprometi com esta aventura, sem muita certeza de onde chegaríamos, mas genuinamente convertido à causa e absolutamente convencido de que o filme deveria ser feito, muito embora tudo pudesse ser suspenso tão rápido quanto começou.

A adesão inacreditavelmente espontânea de Luc Besson tornou o projeto digno de crédito e viável. Era indispensável que uma produtora de cinema de porte internacional estivesse envolvida na operação desde o início. Foi o comprometimento de François-Henri Pinault e todo o grupo PPR que nos permitiu realizar o inimaginável, ver o filme ser exibido gratuitamente ao redor do mundo. E foi a determinação e o esforço de Yann Arthus-Bertrand que reuniu toda essa energia e talento para ultrapassar este desafio inacreditável em função do bem comum, isto é, para o bem de nosso planeta e todos seus habitantes.

Provavelmente isto é apenas uma gota no oceano se comparado aos desafios que esperam as futuras gerações, mas eu estou sinceramente convencido de que é nosso dever dar a nossa contribuição, independentemente se grande ou pequena. “Dêem-me um ponto de apoio e moverei a Terra!”, disse Arquimedes. Meu único desejo hoje é que HOME – NOSSO PLANETA, NOSSA CASA dê a milhões de pessoas, de todos os continentes, um ponto de apoio.

Entrevista com Yann Arthus-Bertrand – Co-roteirista e Diretor

Quando você sentiu que deveria realizar este filme?

Quando convidei Al Gore para apresentar seu filme – Uma Verdade Inconveniente – ao Parlamento Francês, percebi o grande impacto que o filme teria, muito mais do que um programa de televisão. Eu vi como o público ficou comovido, em alguns casos chegaram às lágrimas, e eu disse para mim mesmo, que o cinema seria um excelente meio de chegar às pessoas. Também me pareceu ser uma progressão natural da fotografia e dos programas de TV. Ocorreu-me que ao tirar fotografias da Terra, o meu tema era a humanidade, que é a mesma lógica por trás dos filmes.

Este é o seu primeiro filme de longa-metragem e um projeto bastante ambicioso. Da produção, filmagem até a montagem, o senhor encontrou muitas dificuldades?

Fui apresentado a Denis Carot, produtor de Live And Become, por Armand Amar, compositor e amigo. Ele concordou participar do projeto imediatamente, assim como Luc Besson. Foi quando a coisa ficou difícil! Quando lhe dão tanto dinheiro para fazer um filme único, filmado inteiramente em HD e de um helicóptero, é uma responsabilidade e um estresse constante. Eu trabalhei por instinto e, como sempre, aprendendo na medida em que trabalhava. Logo percebemos que a equipe dentro do helicóptero teria que ser reduzida ao piloto, o cameraman e o “engenheiro de imagem”. Assim, tivemos que dominar questões técnicas começando pela câmera que estávamos usando e as condições de filmagem, que eram diferentes em cada país que sobrevoávamos. Também, eu fiz o filme sem roteiro, baseado em uma sinopse de apenas uma página. Eu sabia a história que queria contar, mas a narração só surgiu enquanto filmávamos – principalmente o tema central de energia – primeiro a energia da força do músculo humano, depois a revolução desencadeada do que chamamos de “bolsas de luz solar”, óleo. O resultado final é realmente o filme de um fotógrafo que não está acostumado a restrições.

Qual é a mensagem central do filme?

O filme tem uma mensagem muito clara. Sofremos um grande impacto sobre Terra, mais do que poderíamos suportar. Nós consumimos em excesso e estamos extinguindo os recursos da Terra. Do ar, é fácil ver as feridas da Terra. Assim, HOME – NOSSO PLANETA, NOSSA CASA simplesmente revela nossa atual situação, enquanto afirma que a solução existe. O subtítulo do filme poderia ser “É Tarde Demais Para Ser Pessimista”. Nós chegamos a uma encruzilhada. Decisões importantes devem ser tomadas para mudar o mundo. Todos sabem algo sobre o tema do filme, mas ninguém quer acreditar nele. Assim HOME – NOSSO PLANETA, NOSSA CASA agrega importância ao argumento de organizações ambientais, de que precisamos refletir sobre um caminho com maior bom senso e mudar nosso modo de consumo.

Isto também envolve o fato do filme ser distribuído de uma forma sem qualquer precedente…

Tive a idéia de distribuir o filme em todos os formatos gratuitamente sempre que possível, depois de conversar com Patrick de Carolis, que queria comprar o filme para a France Télévisions. Ele me disse que só poderia exibi-lo dois anos após a exibição nos cinemas. Procurei Luc Besson e disse que devíamos distribui HOME – NOSSO PLANETA, NOSSA CASA gratuitamente. Ele disse que era impossível antes de ser render à idéia de ver um filme acessível de forma gratuita por todo o mundo e no mesmo dia. Aquilo nunca havia sido feito antes e foi possível graças a François-Henri Pinault, presidente e diretor executivo da PPR, que deu apoio imediato ao nosso filme. O que eu realmente quero é que as pessoas cujo consumo tem um impacto direto sobre a Terra, percebam a necessidade de mudar seu modo de vida depois de assistirem o filme.

Como você elaborou a narração e a música?

O texto da narração era crucial, é claro. Eu fui muito inspirado pelo trabalho de Lester Brown, o famoso ambientalista americano e pelo seu livro O Estado do Mundo (State of the World). Eu também trabalhei com Isabelle Delannoy, minha colaboradora de longa data. Com relação à música, é óbvio, pedi a Armand Amar, o melhor amigo do mundo e o melhor músico francês. Ele também é especializado em músicas do mundo e vozes e eu queria esse tipo de mistura cultural para a trilha sonora.

Como você desenvolveu o ritmo do filme?

Eu gosto da indolência da admiração, por isso eu queria que ela assumisse seu tempo. Restrições técnicas ligadas ao peso do helicóptero e à câmera que estávamos usando, levou-nos a filmar muitas cenas em câmera lenta. É isso o que eu gosto no filme: ele é contemplativo. É também um filme que nos faz ouvir e parar para pensar. As pessoas não gostam de ouvir algumas coisas que o filme tem a dizer, mas eu não estava disposto a fazer concessões.

Por que o título HOME?

Foi idéia de Luc Besson e era a escolha óbvia. É muito simbólico, pois a ecologia é o estudo de nosso relacionamento com o nosso meio ambiente.

HOME – NOSSO PLANETA, NOSSA CASA tem crédito de carbono. O que isso envolve?

Todas as emissões de CO² produzidas pela produção do filme são calculadas e compensadas por quantias em dinheiro, usadas para fornecer energia limpa àqueles que não a têm. Nos últimos dez anos, todo o meu trabalho tem sido à base de Redução Certificada de Emissões.

O que você espera que o público absorva?

Além de uma mudança na forma de vida, eu gostaria que as pessoas quisessem ajudar. Há uma citação magnífica de Théodore Monod: “Nós tentamos tudo, exceto amar”. Espero que esse filme seja sinônimo de muito amor.

Entrevista com Luc Besson – distribuidor

Cenas do filme

Por quais razões você se comprometeu com o projeto de Yann Arthus-Bertrand?

Quando eu conheci Yann, já pensava no que poderia fazer pelo meio ambiente através do cinema, como eu poderia usar 30 anos de experiência para ajudar à causa. Eu estava pronto e Yann foi a primeira pessoa a me dar a oportunidade de mostrar que eu me importava. Por isso aderi ao projeto imediatamente.

Quando começou a se preocupar com as questões ambientais?

Ainda criança, antes de me tornar um homem urbano. Na Grécia e na Iugoslávia, eu tinha acesso livre à natureza, a ponto de considerar isto nestes termos. Eu vivia conforme o ritmo da natureza e tive um relacionamento com plantas e animais que eu chamaria de normal. Depois, desenvolvi uma paixão toda exclusiva por cinema, até que, depois de ler muitos artigos sobre o assunto, tomei consciência do tsunami ambiental que nos estava ameaçando. A princípio, como qualquer outra pessoa, eu confiei no pessoal do governo, “que sabe tudo”. Parecia-me óbvio que eles fariam alguma coisa. O problema é: não fizeram o suficiente. Seus esforços estão totalmente fora de sincronia com a dinâmica do desastre eminente. Enquanto eles dão um passo à frente, o planeta dá dez para trás. A verdadeira consciência surge quando você percebe que todos nós precisamos contribuir sempre e como pudermos. Mesmo se trocando lâmpadas, reciclando lixo ou sendo mais atento quando sob o ponto de vista ambiental com relação ao que você compra, já é um grande passo. Pois se um bilhão de pessoas fizer o mesmo esforço, ainda será milhares de vezes mais importante do que qualquer ação governamental.

Como distribuidor, não ficou receoso diante da intenção de Yann Arthus-Bertrand exibir o filme em todos os formatos e no mesmo dia, 5 de junho, o que significa ser exibido gratuitamente em certos formatos?

Meu envolvimento aqui é de um cidadão preocupado, não de um homem de negócios. O fato de o filme estar on-line e exibido por redes de televisão abertas não me preocupou nem por um instante, pois a nossa intenção não é o lucro. Eu achei a idéia de Yann de disponibilizar este filme maravilhoso à maior audiência possível no dia 5 de junho, Dia do Meio Ambiente, profundamente simbólico. As pessoas freqüentemente se perguntam o que irão fazer em dias como este. Em 5 de junho, eles puderam assistir HOME – NOSSO PLANETA, NOSSA CASA. E se nós pudermos dizer que 100, 200 ou 500 milhões de pessoas assistiram o filme em 24 horas, será um sinal muito forte para aqueles no poder. Demonstrando o comprometimento das pessoas, nós os forçaremos a agir.

Este é um filme muito ambicioso, pois também marca a estréia de Yann Arthus-Bertrand na direção. Até onde foi sua colaboração?

Eu lhe dei total liberdade quando ele estava filmando. Eu simplesmente levei a minha experiência à área de montagem, mantendo certa simplicidade.. Ao assistir pouco da filmagem, pude dar uma opinião como qualquer pessoa que surgisse no momento.

E o que você achou particularmente forte no filme?

Existem muitas imagens, mas eu fiquei particularmente impressionado com os contrastes de Las Vegas, que foi construída no deserto e consome milhares de litros de água em piscinas e campos de golfe; e também com as mulheres indianas vestidas em seus saris, escavando em sólido árido em busca de água. É quando você percebe a loucura que o mundo se tornou.

Como você responde ao argumento de que o filme só conseguiu ser produzido a um custo (ambiental) aéreo muito alto?

Hoje, você pode comprar um carro elétrico para levar seus filhos à escola, mas não poderíamos ter feito este filme sem um helicóptero. A comparação válida é o fato de que, durante todo o filme, Yann produziu menos poluição do que um único avião de passageiros vazio em trânsito entre Paris e Los Angeles. Vamos nos preocupar com o problema de milhares de aviões que voam vazios, em vez de criticarmos um filme que foi filmado de um helicóptero, pois não poderia ser de outra forma.

O que você espera que o público assimile?

Primeiro, espero que a maior quantidade possível de pessoas assista HOME – NOSSO PLANETA, NOSSA CASA para que se estabeleça um marco. Depois, espero que cada pessoa que assista ao filme perceba que pode fazer parte dele. O conjunto de esforços, pequeno ou grande, de milhares de pessoas fará toda a diferença.

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