
Tratamentos cada vez mais complexos tentam garantir qualidade da água potável.
Apesar dos avanços em algumas regiões, a poluição dos recursos hídricos em escala global está aumentando.
Mais de 80% dos esgotos dos países em desenvolvimento são despejados sem nenhum tratamento, contaminando assim rios, lagos e áreas costeiras.
Muitas indústrias – algumas delas conhecidas por serem altamente contaminantes (tais como indústria do couro e químicas) – estão se trasladando dos países com altos níveis de faturamento aos países de economias emergentes.
Ainda que para as populações rurais da Ásia tenha sido projetado um crescimento estável para os próximos 20 anos, as populações urbanas terão aumentado provavelmente em 60% antes do ano 2025, o que afeta as projeções acerca da escassez dos recursos hídricos.
De maneira global, o problema mais comum que diz respeito à qualidade da água é a eutrofização, resultado de grandes quantidades de nutrientes (principalmente fósforo e nitrogênio) oriundos da poluição, especialmente por esgotos domésticos lançado sem tratamento em mananciais usados no abasteicmento de cidades, o que deteriora substancialmente os usos mais nobres da água.
Em 1998, aproximadamente 90% das espécies marinhas e costeiras do Mar Báltico estavam ameaçadas por uma perda da área ocupada ou redução da qualidade da água devido à eutrofização, à contaminação, à indústria pesqueira e assentamentos.
Atualmente, cerca de 70 milhões de pessoas em Bangladesh estão expostas a águas que contem mais de 10 microgramas (limite máximo da Organização Mundial da Saúde) de arsênico por litro.
A poluição natural da água potável por arsênico é considerada atualmente como uma ameaça com mais de 140 milhões de pessoas afetadas em 70 países de todos os continentes.
Um estudo recente sobre água potável realizado na França estimou que mais de 3 milhões de pessoas (5,8% da população) estavam expostas a águas cuja qualidade não está conforme com os estandares da Organização Mundial da Saúde (OMS) (por nitratos, 97% das amostras não obtiveram conformidade).
Pesquisas realizadas em vários países tem detectado a presença de resíduos de medicamentos em muitos dos principais rios do mundo, especialmente aqueles que cortam grandes metrópoles. Os mais preocupantes são resíduos de hormônios, anticoncepcionais, moderadores de apetite, antidepressivos e estimulantes sexuais por não serem conhecidos ainda seus efeitos cumulativos.
Na Itália até mesmo traços de cocaína já foram detectados em amostras colhidas no principal manancial da capital italiana. Isto sem falar dos sinais preocupantes de contaminação das águas subterrâneas por vazamentos de postos de gasolina.
Fazenda no Pantanal é novo sítio ramsar.
Uma das paisagens naturais mais conhecidas dos brasileiros acaba de ser reconhecida como ecossistema de área úmida de importância internacional para a manutenção da diversidade de espécies e o bem-estar das populações humanas. A Fazenda Rio Negro, que foi cenário da novela Pantanal e desde 2001 é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, recebeu o título de Sítio Ramsar. É o 9º do Brasil e o de número 1.864 em todo o mundo.
Com 7.000 hectares no Mato Grosso do Sul, a RPPN Fazenda Rio Negro pertence à ONG Conservação Internacional e integra o Corredor da Biodiversidade Cerrado-Pantanal. Cenário de rara beleza, pontuado por centenas de lagoas, a área abriga matas ciliares, praias, cordilheiras, baías, salinas e campos sujos onde já foram catalogadas 243 espécies de plantas e avistadas mais de 500 espécies de animais, dos quais 36 sob ameaça de extinção (na lista do MMA) como a arara-azul, o tatu-canastra, o cachorro-vinagre e o cervo-do-pantanal. A Reserva é utilizada para ecoturismo (a antiga sede da fazenda foi transformada em hotel) e para pesquisa de campo de instituições acadêmicas.
Além de fortalecer institucionalmente a RPPN, que passa a ter a chancela de um acordo internacional, o título de Sítio
Ramsar facilitará o intercâmbio técnico-científico com outras experiências de conservação de biodiversidade e uso sustentável de áreas úmidas do Planeta e permitirá acesso às linhas de financiamento da Convenção: Fundo de Pequenas Subvenções (Ramsar Small Grants Fund) e o Fundo Zonas Úmidas para o Futuro (Wetlands for the Future Fund), cujos recursos podem ser solicitados para financiar a implementação de projetos de conservação e uso sustentável em zonas úmida, especialmente dos Sítios Ramsar.

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