
Desmatamento zero e chega de anistias:
É isto que pensa a maioria da população de acordo com a recente pesquisa abrangendo todo o território nacional, com amostra de 2.055 entrevistas e margem de erro inferior a 2%, realizada pelo Datafolha ao longo do mês de abril, por solicitação da entidade Amigos da Terra – Amazônia Brasileira.
Os destaques da pesquisa apontam para o fato que os brasileiros são quase unânimes em querer parar o desmatamento, mesmo que isso signifique abrir mão de mais produção agropecuária, e ainda pretendem punir no voto os políticos que se destaquem por defendê-lo. Além disso, a grande maioria deseja que os custos gerados pelos danos ambientais no campo sejam cobrados de quem desmatou, mesmo que isso resulte em aumento de custo dos alimentos.
Outras pesquisas realizadas no passado solicitavam uma opinião sobre florestas e desmatamento desvinculada de qualquer relação custo-benefício. As opiniões, portanto, tendiam a refletir uma visão contrária ao desmatamento, em sua maioria, porém sem considerar, por um lado, aquilo que o desmatamento pode oferecer como benefício (maior produção agrícola e pecuária e menores preços para produtos de alimentação) e, por outro, os custos sociais relacionados com perda de serviços de interesse difuso.
Desta vez a pesquisa focou o desmatamento de maneira qualificada e no contexto econômico do país, embora mantendo opções simplificadas que permitam a compreensão das perguntas para o conjunto da população (apenas não foi contemplada na pesquisa a classe E, que representa meros 3% do total populacional). Referida abordagem qualificada foi mantida tanto nas perguntas de cunho geral quanto naquelas relacionadas com aspectos como a reparação dos custos, a regulação e a intenção de voto a partir do comportamento dos políticos sobre o tema.
Na pergunta sobre a postura geral que o país como um todo deveria adotar em relação ao desmatamento, a grande maioria (94%) escolhe a opção de “parar o desmatamento, para evitar os custos de desastres ambientais como mudanças climáticas, desmoronamentos, alagamentos, etc.”, versus meros 3% que escolhem a opção de “permitir mais desmatamento, para produzir mais produtos agrícolas”. Outros 2% escolhem um conjunto de outras visões.
Parece, portanto, que na opinião do brasileiro aquela de parar o desmatamento se tornou uma prioridade de consenso nacional, que não encontra restrições em relação à eventual possibilidade de aumentar a produção no campo. Isso é reforçado pelo fato que – em todas as classificações de escolaridade, idade, renda e classificação econômica – a opção da maioria nunca desce abaixo dos 89%, a porcentagem mínima e registrada no público acima dos 50 anos, ou dos 90%, aquela da classe D. Em determinados segmentos, como aquele da população das classes A/B abaixo de 50 anos, esta posição atinge os 98%. Também é interessante observar como não haja praticamente variação regional nesta visão, pois a diferença máxima entre diferentes regiões é de 2%, ou seja dentro da margem de erro. Portanto todas as regiões do país estão tecnicamente empatadas neste quesito.
A posição sobre os interesses gerais do país se traduz também em postura semelhante na pergunta a respeito da legislação do código florestal. Aqui 91% dos brasileiros querem “leis mais rigorosas, para dificultar o desmatamento”, 5% consideram que as leis podem ser “deixadas da forma em que estão” e 4% desejam leis “menos rigorosas, para facilitar o desmatamento e anistiar os produtores que estão na ilegalidade”. Parece que nem o eventual apelo social da regularização alterou o quadro, pois mesmo na classe D e no segmento de baixa escolaridade esta opção ganha apenas 2 pontos, atingindo 6%, o que a deixa tecnicamente alinhada com a média nacional. Já a posição de deixar as leis como estão tem um modesto aumento no segmento acima dos 50 anos, com 7%.
Quando a pergunta foca a responsabilidade pelo desmatamento, o quadro se torna mais complexo e diverso. Mesmo assim, há uma maioria nítida (60%) que atribui o fenômeno a “falta de controle por parte das instituições de governo, que não aplicam a lei”. Prevalece portanto uma percepção de falta de presença do estado e fiscalização, assumindo implicitamente que o desmatamento seja principalmente ilegal. Outro grupo, que atinge os 12%, atribui a situação à permissividade das atuais leis. Segue um grupo de três opções tecnicamente empatadas, e compondo um conjunto que corresponde a exatamente um quarto do universo pesquisado, e que atribui a principal responsabilidade a fatores de mercado: consumidor que escolhe apenas o mais barato (9%), bancos que incentivam as atividades desmatadoras (8%) e redes de varejo que não se interessam pela origem dos produtos que comercializam (8%).
Um elemento novo e surpreendente da pesquisa é a correlação quase integral entre a opinião sobre desmatamento e a intenção de refletir esta questão no voto, em ocasião das próximas eleições. Candidatos que se caracterizassem por “dificultar o desmatamento” teriam preferência de 93% dos entrevistados, que são todos eleitores por terem pelo menos 18 anos. Já políticos que tenham se destacado por buscar “anistiar o desmatamento anterior” teriam apoio de 3% dos eleitores e aqueles responsáveis por ter “permitido mais desmatamento” ganhariam a confiança de meros 2%, a mesma porcentagem daqueles que afirma não ter opinião a respeito. Também neste caso há um modesto aumento do apoio a candidatos que tenham trabalhado para anistiar ou permitir mais desmatamento no âmbito da classe D, atingindo um total de 10% nas duas opções.
Finalmente, é o caso de analisar com atenção a pergunta que traz o elemento que mais pesa no bolso do consumidor, ou seja a questão do preço dos alimentos e do álcool combustível. Trata-se da pergunta sobre quem deveria assumir os custos associados à recuperação dos passivos ambientais no campo, definidos para melhor compreensão dos entrevistados como “irregularidade ambiental”. Surpreendentes 85% afirmam que tais custos devem ser “cobrados dos infratores, mesmo que isso possa gerar aumentos nos preços dos produtos agrícolas”. Já 11% optam pela opção de anistia, “mesmo que os custos tenham de ser bancados com dinheiro do contribuinte”. Em suma, na hora em que se passa de uma avaliação geral do interesse público ou da intenção de voto para uma consideração que atinge diretamente o bolso do entrevistado, apenas 5-6% migram para uma posição menos rigorosa contra o desmatamento. Este é também o único caso em que a tesoura entre diferentes classes e níveis de escolaridade ou renda se abre mais que em todas as outras perguntas: enquanto as classes A/B temem menos os efeitos dos preços e mantêm 89% de rigor contra os desmatadores, a classe D atinge 75% neste quesito.
Conferência sobre tecnologia e inovação na Amazônia
A cidade de Manaus (AM) vai sediar, nos dias 23 e 24 de novembro, a WITS 2009 (água, inovação, tecnologia e sustentabilidade) que irá discutir a atração de empresas de tecnologia e inovação ligadas a recursos hídricos para o Pólo Industrial de Manaus. Debaterá, também, a criação de novas empresas na região pretende incentivar a ampliação de quadros profissionais nas várias universidades e agências de pesquisas visando à criação de um ambiente de excelência na área de recursos hídricos na cidade de Manaus.
Os diretores da Conferência são o Dr. Raul Gouvêa – Diretor do Departamento FITE (Finanças, Negócios Internacionais,Tecnologia, e Empreendedorismo) – e Dr. Sul Kassicieh – Diretor do Centro de Desenvolvimento Econômico, Anderson Schools of Management, The University of New México – professores da Anderson School of Management de Negócios Internacionais.
Segundo os promotores do evento os recursos hídricos prometem fazer nesse século o papel que o petróleo ocupou no século passado, o recurso que irá ditar a riqueza das nações. Desta maneira, irão determinar vantagens competitivas de nações em uma economia globalizada. No presente e no futuro, mais do que nunca, a inovação e a tecnologia terão um papel preponderante em aliviar o stress hídrico bem como aumentar a produtividade e a eficiência da utilização de recursos hídricos. Por exemplo, hoje o “water footprint” já é objeto de discussões em empresas, cidades e nações.
A administração sustentável dos recursos hídricos vai ocupar um espaço de relevância cada vez maior nas economias de vários países e nos múltiplos usos dos recursos hídricos, na indústria, na agricultura, mineração, geração de energia, e nos centros urbanos.
A Conferência 2009 WITS quer promover um fórum de debates e apresentações para discutir o papel da inovação e tecnologia nas quatro dimensões dos recursos hídricos. O evento irá permitir que os participantes discutam estratégias de desenvolvimento sustentável para os recursos hídricos, tendo como ponto de partida as últimas inovações e tecnologias nacional e internacional hoje disponíveis no mercado.
Outros objetivos são: disseminação das mais recentes inovações e tecnologias na área de recursos hídricos; formação de alianças de negócios entre o público participante da Conferência para a criação de oportunidades de cooperações acadêmicas, técnicas e empresariais; criação de modelos de negócios e de estratégias de desenvolvimento econômico sustentável.
Estes serão alguns dos temas de debate:
• Recursos Hídricos e o Desenvolvimento Sustentável da Região Amazônica
• Estratégias de Criação de Pólos de Recursos Hídricos
• Ecologia e Sustentabilidade de Recursos Hídricos
• Recursos Hídricos e Desenvolvimento Econômico
• Recursos Hídricos e atividade econômica (Agricultura, Mineração, indústria, petróleo & gás, urbano)
• A economia dos recursos hídricos
• Stress e a eficiência de recursos hídricos
• “Water Footprint” , estratégias e soluções
• Identificação de remoção de agentes patogênicos
• Tecnologias de Dessanilização
• Exploração de mega-watersheds e lençóis subterrâneos
• Financiamento de projetos hídricos
• • Problemas Legais & Legislação dos Recursos Hídricos
• Produção de BioCombustíveis e Recursos Hídricos
• Inovação e Tecnologia de Despoluição de Recursos Hídricos
• Modelos & Simulações para a Administração e Planejamento de Recursos Hídricos
• Estratégias de Minimização de riscos ligados a recursos hídricos.
• Inovações no aproveitamento da água de chuvas
Prazos de envio de trabalhos para a WITS 2009:
Agosto 31, envio do resumo do trabalho a ser apresentado na WITS 2009
Setembro, 18 – Carta de Aceitação do Resumo Submetido
Mais informações e inscrições: http://witsmanaus.mgt.unm.
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