“Economia é a melhor forma de energia renovável”

Energia solar e eólica estão entre as principais fontes alternativas na Comunidade Européia.

Thiago Romero – Agência FAPESP.

“Uma das maiores e mais baratas alternativas para a redução, em todo o mundo, das emissões de gases do efeito-estufa como o carbono é o estudo da eficiência energética dos veículos e edificações das grandes cidades”, destacou John Twidell, diretor do Centro Amset da Universidade de Montfort, no Reino Unido.

Twidell foi um dos palestrantes no Workshop on Physics and Chemistry of Climate Change and Entrepreneurship, realizado na Fapesp, em São Paulo. Promovido em parceria com o Institute of Physics (IOP) e com a Royal Society of Chemistry (RSC), o evento faz parte das atividades do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais e integra as atividades da Parceria Brasil-Reino Unido em Ciência e Inovação.

Segundo o pesquisador, os edifícios consomem cerca de 50% das fontes de energia produzidas por um país, principalmente para iluminação, comunicação, aquecimento, resfriamento e bombeamento. E em casos particulares – a exemplo da Inglaterra – mais de 10% da energia utilizada no país é perdida de forma passiva, como em leds de rádios e televisores que ficam ligados o tempo todo.

“A economia é a melhor forma de energia renovável. Isso remete à necessidade de sempre analisarmos a eficiência do que está sendo produzido pelos países, como no caso brasileiro, que tem alta produção de energia hidroelétrica e etanol. Mas será que o país está dando a atenção necessária ao desempenho dos refrigeradores, isolantes térmicos e motores utilizados em suas construções e automóveis?”, questionou.

Segundo ele, visando ao aumento da utilização de energias renováveis até 2020 na União Européia, nos últimos anos foram criados diversos marcos regulatórios nos países que compõem o bloco econômico e político. Um desses padrões é que, até aquela data, 20% da energia total utilizada nesses países devem ter origem em fontes renováveis.

“Na Grã-Bretanha, por exemplo, todos os novos edifícios deverão seguir o conceito de carbono zero. Se essas construções utilizarem energia que contribua para a emissão de carbono, por exemplo, elas terão que compensar com o uso de alternativas como células fotovoltaicas, energia eólica ou biocombustíveis”, explicou.

Ainda de acordo com essas metas, para abastecer sua população e indústria em diferentes setores econômicos, cada um dos 27 países da União Européia deverá ter, pelo menos, dez fontes de energias renováveis a mais do que as atuais. Por sua vez, o governo do Reino Unido obriga a redução das emissões de carbono no país em 80% até 2050.

“Essas metas são revolucionárias e, se não cumpri-las, as comissões européias de meio ambiente poderão responder nos tribunais pelos danos causados. O curioso é que a equipe do presidente Barack Obama já está estudando a adoção de metas equivalentes para os Estados Unidos”, disse.

Inovar para mitigar

Fábio de Castro – Agência FAPESP.

O Brasil e o Reino Unido, cada um à sua maneira, realizaram uma quebra de paradigmas ao estabelecer diretrizes para a redução de emissões de gases de efeito-estufa, de acordo com o climatologista Carlos Afonso Nobre, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Mas para atingir suas metas os dois países precisarão investir no desenvolvimento de tecnologias verdes e em sua transferência para a sociedade. Segundo Nobre, que é coordenador executivo do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), os dois países quebraram paradigmas com iniciativas de redução de gases e de desflorestamento. “O Brasil fez algo inédito porque dificilmente um país em desenvolvimento estabelece metas quantitativas dessa magnitude. O Reino Unido, por sua vez, determinou uma meta muito audaciosa, ao contrário dos outros países desenvolvidos”, disse.

“Nos últimos três anos, os países em desenvolvimento – que em dois séculos haviam contribuído com apenas 1/3 das emissões – chegaram ao nível dos países desenvolvidos. Foi constatado que o atraso na mitigação é custoso e perigoso. Há pontos de virada que podem ter sido ultrapassados. Tudo isso exige ações em todos os setores”, disse.

Iniciativas como a brasileira e a britânica, segundo Nobre, são fundamentais. Se o Brasil atingir a meta estabelecida de redução do desmatamento, por exemplo, a emissão total de carbono cairá 30% em relação aos níveis de 1999.

“O caminho está nas reduções de emissões. Temos agora que discutir a ciência básica que proporcionará essa redução. A proposta do PFPMCG é trabalhar nessas pesquisas e, ao mesmo tempo, discutir suas aplicações”, afirmou.

O empreendedorismo voltado para o desenvolvimento de tecnologias verdes, segundo Nobre, deve ter foco nas necessidades de cada país, sem perder a perspectiva global.

“No Brasil, 55% das emissões estão ligadas às mudanças no uso do solo – setor que corresponde a 1% do PIB. Considerando-se apenas as emissões de carbono, essa cifra se eleva a mais de 70%. A agricultura, responsável por 30% do PIB, provoca 25% das emissões. O uso de combustíveis fósseis, que equivale aqui a apenas 17% das emissões, no Reino Unido é responsável por mais de 80%”, explicou.

Zoo de Sapucaia do Sul tem novos moradores

A qualidade dos recintos e a boa alimentação dos animais no Parque Zoológico, em Sapucaia do Sul, proporciona, com bastante freqüência, o nascimento de filhotes saudáveis. Assim, cada vez que o plantel do Parque é aumentado, a Fundação Zoobotânica do RS, entidade que administra o Zôo, comemora o trabalho realizado pela equipe de profissionais que atua nessa área.

Um casal de porcos-do-mato-queixada, nascidos em dezembro passado, e um exemplar fêmea de guanaco, ocorrido em fevereiro deste ano, retratam esta realidade.

O Zoológico não registrava há aproximadamente 30 anos nascimento de queixada, já que somente em 2008 o Parque voltou a contar com esta espécie em seu acervo. O Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção no RS, registra esta espécie como criticamente em perigo.

Já o filhote de guanaco pode ser visto no seu recinto com outros seis exemplares, incluidos os pais deste novo habitante do Parque.

Porco-do-mato-queixada:

Espécie: Tayassu pecari

Família: Tayassuidae

Ordem: Artiodactyla

Comprimento: 0,9m a 1,3m

Peso: 25kg a 50kg

Longevidade: 21 anos

Gestação: 156 a 162 dias

Número de crias por parto: 1 a 4 (geralmente 2)

Alimentação: Frutos, sementes, raízes, pequenos invertebrados, carniça

Habitat: Florestas, savanas e chaco

Distribuição: Sul do México até o nordeste da Argentina

Guanaco:

Espécie: Lama guanicoe

Família: Camelidae

Ordem: Artiodactyla

Comprimento: 1,80m a 2,25m – mais 15cm a 25cm de cauda

Peso: 60kg a 75kg

Longevidade: 30 anos

Gestação: 345 a 360 dias

Número de crias por parto: 1

Alimentação: Herbívora

Habitat: Montanhas e regiões semi-desérticas

Distribuição: Tem a mais ampla distribuição entre os camelídeos sul-americanos: Patagônia e regiões andinas do Peru, Argentina, Bolívia e Chile.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social/FZB-RS. Jorn. Elisabete Monlleo Martins da Silva.

Eficiência energética

Ao citar tecnologias de transporte desenvolvidas em diferentes países, como veículos elétricos ou movidos a hidrogênio, Twidell voltou a ressaltar que a ênfase das pesquisas para os próximos anos deverá estar mais nos veículos e em outros componentes do que nos próprios combustíveis.

“O foco deve estar muito mais no desenvolvimento de veículos adequados que sejam utilizados da forma mais eficiente possível. Chegamos a um patamar de abundância na área das energias renováveis, mas ainda temos muito a estudar no campo da eficiência energética, cujas tecnologias possam garantir a sustentabilidade a um custo adequado”, apontou.

Segundo Twidell, uma boa fonte de inspiração para essa nova fase de desenvolvimento tecnológico é o protótipo Helios, da Nasa, a agência espacial norte-americana.

“Trata-se de um avião fotovoltaico usado para a medição de poluentes atmosféricos”, disse. O Helios é uma asa voadora impulsionada por motores elétricos cuja energia provém de células fotovoltaicas montadas na superfície da fuselagem para a captação de luz solar.

Impacto econômico

O impulso dado ao empreendedorismo no Reino Unido nos últimos anos criou oportunidades para o desenvolvimento de tecnologias voltadas para a mitigação das mudanças climáticas globais, de acordo com o professor David Secher, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que apresentou a palestra “Transferência de tecnologia – traduzindo a pesquisa em benefícios econômicos”.

“Tivemos uma mudança completa no cenário do empreendedorismo nos últimos anos. Os grandes laboratórios de inovação de empresas, como Bell e AT&T, foram reduzidos, adotando um modelo diferente, que atua em parceria com as instituições de pesquisa acadêmica. Ao trabalhar com um novo conceito de inovação aberta, essas empresas criaram oportunidades para a inovação na universidade”, disse.

Segundo Secher, as empresas descobriram que não precisavam contar com um grau tão elevado de sigilo e controle da pesquisa. “Vários relatórios recentes sobre empreendedorismo mostram que a universidade, governo e empresas passaram a trabalhar efetivamente juntos.”

“O sistema estabelecido nos Estados Unidos previa que as universidades poderiam ficar com os lucros das inovações, caso estabelecessem um sistema para acompanhar os resultados intelectuais. No Reino Unido, em vez de uma legislação, o que fez diferença foi a criação do Fundo de Inovação no Ensino Superior, em 2000”, disse.

O fundo, segundo ele, repassa anualmente cerca de 60 milhões de libras esterlinas para todas as universidades britânicas que inovam e praticam a transferência de tecnologia por meio de empresas spin-out.

Outro desafio é aprender a medir o impacto econômico das empresas a fim de avaliar seu sucesso. “Até recentemente medíamos o sucesso das empresas por sua receita, mas a fragilidade dessa abordagem já foi reconhecida. O sucesso deve ser medido pelo impacto na economia”, disse.

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