Nairobi, Quênia — Enquanto os governos mundiais se reúnem na próxima semana para discutir um tratado juridicamente vinculante sobre o mercúrio, grupos ambientalistas de todo o mundo divulgaram um novo relatório chamando a atenção para os perigos mundiais à saúde humana causados pelo mercúrio em peixes e mamíferos marinhos que se alimentam de peixes. O estudo, divulgado pelo Grupo Internacional de Trabalho Mercúrio Zero (1), indica que os impactos à saúde pelo metilmercúrio em peixes e mamíferos marinhos que se alimentam de peixes são substanciais e demandam uma resposta efetiva dos governos e das Nações Unidas.
“A contaminação por mercúrio em peixes e mamíferos marinhos que se alimentam de peixes é uma preocupação mundial relacionada à saúde pública,” disse Michael Bender, co-autor do relatório e membro do Grupo de Trabalho Mercúrio Zero. “Nosso estudo com peixes testados em diferentes localidades em todo o mundo mostra que os níveis internacionais de exposição amplamente aceitos para o metilmercúrio estão acima, em geral muito acima, em cada um dos países e áreas estudadas”.
De acordo com o relatório, “Mercúrio em Peixes: Uma Urgente Ameaça Mundial à Saúde”, o risco é maior para as populações cujo consumo per capita é alto, e nas áreas onde a poluição aumentou o conteúdo médio de mercúrio nos peixes. Mas os perigos do metilmercúrio também existem quando o consumo per capita e os níveis médios de mercúrio em peixes são
comparativamente baixos.
Em culturas nas quais os mamíferos marinhos que se alimentam de peixes são parte da dieta tradicional, o mercúrio encontrado nesses animais pode se somar substancialmente à exposição total da dieta.
Notas e Mais Informações:
I – Português: Sumário Executivo:
www.zeromercury.org.
(1) O Grupo de Trabalho Mercúrio Zero é uma coalizão internacional de mais de 75 ONGs de todo o mundo formada pelo European Environmental Bureau e pelo Mercury Policy Project/Grupo de Trabalho pelo Banimento do Mercúrio. O objetivo do grupo é reduzir continuamente as emissões, a demanda e o fornecimento de mercúrio, de todas as fontes que possamos controlar, com a meta de eliminar o mercúrio do meio ambiente em nível europeu e mundial.
O relatório também examina uma análise recente de casos reportados de envenenamento clínico por metilmercúrio nos Estados Unidos, em pessoas que consomem relativamente grandes quantidades de peixes com alta concentração de mercúrio, como atum, peixe-espada, lúcio e robalo. Conclui-se que é provável que ocorram efeitos similares à saúde em cada um dos países estudados por este relatório, ao menos entre pessoas que consomem maiores quantidades de peixes, e/ou que tenham maiores preferências por variedades de peixes com alto teor de mercúrio.
Ainda mais importante do que o envenenamento por metilmercúrio obviamente clínico, e mais provável de ocorrer, é o risco dos efeitos neurotóxicos no desenvolvimento de bebês cujas mães na gravidez consumiram peixes com alto teor de mercúrio, ou que se alimentaram de grandes quantidades de peixe com teor moderado de mercúrio. Efeitos neurotóxicos sub-clínicos, mas funcionalmente significativos, podem ocorrer em adultos e crianças que consomem metilmercúrio acima dos níveis de referência, e as pesquisas sugerem que a exposição ao metilmercúrio também aumenta os riscos de doenças cardiovasculares.
Tartarugas albinas
Fiscais da Reserva Biológica do Abufari, no Amazonas, descobriram duas tartarugas albinas. Elas estavam em meio aos mais de 300 mil filhotes que nasceram na reserva nos últimos dois meses, durante a mais recete temporada de desova na região.
Da mesma forma como ocorre com seres humanos, o albinismo – um problema que impede a produção da melanina, pigmento colorido que protege a pele do sol – atinge também vários animais. Por serem facilmente avistadas por seus predadores, as duas tartaruguinhas albinas serão criadas por um ano em cativeiro, até atingirem um tamanho em que estejam menos vulneráveis.
Relatório
Sobre o Resumo Executivo do Relatório e as recomendações das ONGs:
Este relatório apresenta novos dados de testes sobre níveis de mercúrio em peixes em três áreas do mundo: o estado indiano de Bengala Ocidental, a área metropolitana de Manila, nas Filipinas, e em seis países membros da União Européia. O estudo também examina alguns dados publicados sobre metilmercúrio em baleias-piloto e outros mamíferos marinhos consumidos pelas populações do Ártico, nas Ilhas Faroe, e entre o povo Inuit no norte do Canadá.
Usando aqueles dados, informações sobre o consumo de peixes, e algumas pressuposições razoáveis, o relatório examina uma variedade de cenários de exposição plausíveis para cada região e compara as estimativas de exposição do consumidor, gerando assim três padrões estabelecidos de referência para exposição aceitável ao metilmercúrio.
A situação na Índia é a mais severa; naquele caso, a média de consumo de peixe per capita é alta, e os níveis de mercúrio encontrados nos peixes localmente disponíveis são freqüentemente elevados (25 das 56 variedades testadas continham mais de 0.5 mg/kg de mercúrio). Esta combinação produz doses acima das recomendações de exposição para um consumidor médio que consome uma quantidade média do peixe médio disponível na maior parte das localidades testadas. A combinação produz doses ainda mais excessivas para aqueles que consomem quantidades acima da média de peixes, ou peixes com níveis de mercúrio acima da média; e doses muito altas para crianças, que em geral consomem porções de alimentos iguais as dos adultos, mas cujo peso corporal é menor, e a dosagem, portanto, é mais alta.
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