
Esgotada a época de valorização da oferta o mundo tem que preparar para um novo paradigma onde a participação da sociedade ganha posição de protagonista. Esta foi a opinião expressada pelo especialista espanhol Joan Corominas durante os debates da Tribuna da Água, de Zaragoza. Segundo ele a Espanha teve uma política hidráulica forte mas não uma política de águas. “Nos encontramos agora em um momento de transição, de mudança de um modelo esgotado por outro em que queremos fazer política de águas seguindo as pautas que marcam as políticas européias. Temos que recuperar valores tradicionais, de equilíbrio entre os diferentes setores da população construídos pelas sociedades ao longo de séculos. É preciso fazer um esforço por recuperar essas culturas tradicionais e adaptá-as, atualizá-las para que sintonizem com um modelo de sociedade atual que já não quer um desenvolvimento a qualquer preço. Uma política de água “para toda a vida”, que dure, que seja sustentável.
Os intensos processos de industrialização vividos pelo continente europeu provocaram, segundo Corominas, uma deterioração muito grave de seus mananciais de água doce. Na Espanha, tradicionalmente com um menor peso industrial e uma maior vocação agrícola, os rios não sofreram processos de degradação tão intensos como no resto dos países europeus do ponto de vista qualitativo. Em contrapartida, as excessivas derivações fizeram com que muitos dos rios do país fiquem secos em determinados períodos do ano. “Não se trata de renegar o passado mas reformulá-lo, adaptá-lo novas condicionantes”, afirmou este engenheiro agrônomo especialista em água, acrescentando que é necessário compreender as vantagens e os inconvenientes de uma política que durou um século e que consideramos como algo “natural”. Práticas que buscavam resposta através da regulação e construção de infra-estruturas para todas as demandas. Uma política que demonstrou não ser eficaz.
Segundo Joan Corominas o que determina a Diretiva de Águas é precisamente proteger e recuperar os rios e usá-los de uma forma razoável buscando o conjunto de interesses da sociedade. Uma nova etapa que é preciso enfrentar com maturidade e para a qual ainda falta muita informação, embora venha melhorando. Joan Corominas afirma que antigamente era defendido claramente o velho paradigma da água em que o Estado se convertia no promotor de grandes obras públicas para levar água aos usuários, fundamentalmente o coletivo agrário e o das empresas hidroelétricas. Já há muita gente que pensa que é preciso haver um novo modelo de uso mais eficiente e respeitoso da água. É necessário superar o debate que coloca os territórios uns contra outros pelo uso da água. A água necessita o acordo de todos para funcionar, obriga a que exista uma maior participação de todos os setores sociais não só os que tradicionalmente têm estado mais presentes como os irrigantes e nas últimas décadas os movimentos ecologistas. Consumidores, sindicatos, empresários e a sociedade em geral devem interagir na construção de um novo paradigma.
Até agora a gestão da política hidráulica do século XX vinha considerando unicamente este bem como um recurso. Atualmente, segundo este especialista em gestão de recursos hídricos, a sociedade pede que sejam incorporados os valores simbólicos e lúdicos da água. O melhor exemplo disto são os contínuos processos de integração de muitas cidades com seus rios aos quais durante décadas haviam dado as costas.
Conforme o especialista as mudanças não são fáceis, sempre existem resistências daqueles que têm vivido comodamente no modelo antigo e amplos setores que por falta de informação são incapazes de transmitir a seus filhos as vantagens dessa aposta pela mudança. Ele defende que é preciso incentivar a participação e buscar pactos. “Não se trata de romper os velhos interesses por novos, de renunciar ao passado. É necessário construir um novo consenso social em que o jogo de interesses permita deixar no caminho parte de nossos princípios e valores”. Segundo ele, o exercício da participação da sociedade com todos os seus interesses deve ser a base dos princípios desse novo paradigma baseado em um uso sustentável da água. Uma aspiração que não deve ser postergada por mais tempo e permitir que seja posta em prática dentro desta geração.
Prolagos combate ligações clandestinas
Cabo Frio (RJ) – A Prolagos, empresa que opera sistemas de água e esgoto do litoral do Rio de Janeiro, vem intensificando o combate a ligações clandestinas nas cidades de Cabo Frio, São Pedro da Aldeia, Iguaba Grande, Búzios e Arraial do Cabo.
Desde janeiro foram realizadas mais de 1.300 vistorias, eliminando 765 irregularidades. Grande parte dessas ações são acompanhadas por policiais da DDSD (Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados), com sede no Rio de Janeiro. Numa das operações mais recentes, policiais conseguiram descobrir três ligações irregulares. Uma pessoa foi presa em flagrante.
Para combater as fraudes, a Prolagos lançou o programa Água Legal, direcionado às áreas onde se concentram as maiores perdas por furto. Através do programa, quem tem ligação clandestina conta com o benefício da auto-denúncia além de outras vantagens.
As ligações clandestinas podem prejudicar a qualidade da água, pois as emendas nas tubulações são feitas sem critério técnico, deixando uma porta aberta para contaminações. Por isso a empresa está criando para quem se auto-denuncia, facilidades na solução do débito. Desde que o programa foi lançado, 372 ligações clandestinas foram regularizadas pela Prolagos.
Dados estatísticos da concessionária mostram ainda que, entre outubro de 2007 e janeiro deste ano, oito pessoas foram presas por furto de água em todas as cidades da área de concessão através de ações conjuntas com a DDSD.
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