
Em uma jornada sobre aplicações de tecnologias espaciais no setor da água na ExpoZaragoza, foram apresentados dados do programa de transferência tecnológica da Agência Espacial Européia (ESA) e os avanços registrados neste setor.
Estas iniciativas respondem à constatação de que muitos dos problemas e necessidades derivadas da gestão da água, relacionadas em sua maioria por sua escassez ou mau aproveitamento, podem ter solução através da aplicação de tecnologias que estão sendo utilizadas no setor espacial. Estes são alguns exemplos:
Jaime Gª San Martín, Diretor Comercial de EADS CASA Espacio, falou sobre a “Contribuição do satélite SMOS ao estudo do Ciclo da Água e seus efeitos no meio ambiente”. Entre as conclusões de sua intervenção destaca que “a salinidade influi na circulação das massas de água nos oceanos que estão na origem da formação dos fenômenos climatológicos conhecidos como El Niño ou La Niña, que provocam inundações ou secas”. “A evaporação e a filtração da água dependem do grau de umidade do solo e do conteúdo de água da vegetação, que são peças-chave para entender o ciclo hidrológico e vigiar as reservas de água doce do planeta”, disse o representante de EADS CASA Espacio.
Programa de Transferência de Tecnologia da ESA
A empresa TECNALIA apresentou o Programa de Transferência Tecnológica da Agência Espacial Européia (ESA), como coordenadora do mesmo na Espanha. Seu objetivo principal é facilitar o uso da tecnologia espacial e os sistemas espaciais para aplicações não-espaciais, e demonstrar os benefícios do Programa Espacial Europeu para os cidadãos da Europa. Com este programa, TECNALIA promove a diversificação dos produtos, tecnologias e conhecimentos espaciais para outros setores de atividade. Entre as ações que empreende estão:
•Identificação de tecnologias transferíveis.
• Elaboração de um catálogo de tecnologias espaciais.
• Identificação necessidades de empresas não-espaciaies.
• Promover encontros Doador-Receptor tecnológico.
Projetos SAIH y SAICA de HISPASAT
O Projeto SAICA consiste em um Sistema de vigilância e informação sobre a qualidade das águas continentais espanholas. O Projeto SAIH é um sistema de informação em tempo real, estruturado segundo as grandes bacias hidrográficas peninsulares e desenhado para facilitar a tomada de decisões na gestão dos recursos hídricos e a exploração das infra-estruturas hidráulicas em situação de aumento da vazão.
Projeto MELISSA
Um dos projetos espaciais que poderiam ser transladados em parte ao setor da Água está o MELISSA (Micro-Ecological Life Support System Alternative), liderado pela Agência Espacial Européia (ESA). O projeto MELISSA (Micro-Ecological Life Suport Alternative) tem como objetivo desenvolver a tecnologia necessária para um sistema de apoio à vida para missões espaciais tripuladas de longa duração.
Quando os humanos embarcarem em missões de longa duração, por exemplo, uma viagem a Marte, necessitarão de alimentos, água e oxigênio, para o que é necessário um reuso. Mas concretamente, se trata de reciclar os resíduos para convertê-los em suprimento de comida, água e oxigênio e garantir a qualidade dos produtos resultantes e ao mesmo tempo eliminar os componentes não desejáveis.
Muita água em Marte
Agência FAPESP.
É difícil imaginar um cenário mais desolador e contrário à vida do que o encontrado em Marte, com superfície formada apenas de rochas e pó, temperaturas de mais de 50ºC negativos e atmosfera composta por 95% de dióxido de carbono e praticamente nada de oxigênio.
Mas a situação do vizinho terrestre nem sempre foi essa. Segundo estudo publicado na revista Nature, o planeta teve água, muita água, em quase todos os lugares. O suficiente para ter dado suporte à vida.
A pesquisa, feita por um grupo internacional, indica uma presença abundante de água durante os primeiros 600 milhões a 700 milhões de anos do planeta.
Extensas regiões das planícies ao sul do planeta abrigaram um ambiente no qual a água teve papel fundamental na alteração de minerais em uma grande variedade de terrenos.
Os cientistas identificaram a presença de depósitos desses minerais em crateras, vales e dunas por todo o planeta. As análises feitas indicam que a água estava presente a cerca de 4 quilômetros abaixo da superfície.
Os minerais foram formados em temperaturas entre 100ºC e 200ºC, baixas em comparação com a Terra, o que, segundo os autores do estudo, é uma importante pista para entender o “potencial de habitabilidade” de Marte entre 4,6 bilhões de anos e 3,8 bilhões de anos atrás.
O artigo Hydrated silicate minerals on Mars observed by the Mars Reconnaissance Orbiter Crism instrument, de John Mustard e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.
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