Cesan busca alternativas para tratamento de lodos de ETAs e ETEs

A Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) e o Centro Federal de Educação Tecnológico do Espírito Santo (Cefetes) firmaram uma parceria para a realização de pesquisa intitulada Lodo de Estação de Tratamento de Água – Caracterização, Tratamento e Disposição Final. A coleta de dados e as análises físico-químicas terão início neste mês.

O objetivo é subsidiar decisões quanto ao tratamento e ao desenvolvimento de projetos de reuso e disposição final dos resíduos gerados. Também será feito um estudo de viabilidade na utilização do lodo na fabricação de tijolos. O estudo será finalizado em julho de 2010 e não envolverá nenhuma transferência de recursos entre as instituições participantes.

O plano de trabalho abrange a caracterização qualitativa e quantitativa dos efluentes gerados na Estação de Tratamento de Água (ETA) de Vale Esperança e de Carapina. Essas duas atividades ajudarão a caracterizar a qualidade e a quantidade do lodo gerado pelas ETAs nos processos de tratamento convencional, floto filtração e filtração direta.

Outra iniciativa é a análise qualitativa do sistema de desidratação natural (leito de secagem) implantado na ETA Carapina e do sistema de desidratação natural (lagoa de lodo). Os resultados serão comparados com a característica da água bruta do rio Santa Maria da Vitória, para verificar se é viável a recirculação dela para a ETA.

Parceria com o Incaper

A Cesan e o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) assinaram, em outubro do ano passado, um convênio de cooperação técnica-financeira. A meta é realizar pesquisas e estudos, durante dois anos, sobre a destinação do lodo de esgoto para uso agrícola. Uma das atividades é o projeto “Critérios para o uso e manejo agrícola e florestal do lodo de Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) no Estado do Espírito Santo”, que é uma parceria das duas instituições, com o apoio do Banco Mundial, no valor de R$ 856 mil.

O projeto consiste na reciclagem agrícola do lodo proveniente das ETEs para possível utilização em cultivos comerciais, como fruteiras tropicais, espécies florestais, cafeicultura e cana-de-açúcar. A intenção é criar um manual de recomendação do uso do lodo em cultivos agrícolas no Estado, após os dois anos de estudos. Estima-se que cerca de 1.500 toneladas mensais de lodo poderão ser usadas como fonte de matéria orgânica e nutrientes para o solo.

O conceito moderno de saneamento ambiental incorpora os princípios do desenvolvimento sustentável e considera o lodo proveniente das estações de tratamento de esgoto como um insumo em potencial. A aplicação de lodo em áreas produtivas é também a alternativa que melhor se enquadra no conceito de desenvolvimento sustentável integrado, porque promove o retorno da matéria orgânica ao solo.

Alternativas à contaminação

Um sistema que evita a contaminação do solo e da água de poços, córregos, rios e nascentes. Essa é a experiência que o presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques Pena, apresentou nno último dia 16 de julho, na Espanha, durante a Exposição Internacional de Zaragoza, a EXPO 2008.

O sistema evita a contaminação de água, submetida a tratamento com cloro. Nesse processo, a água passa por uma fermentação que elimina os agentes causadores de doenças como diarréia, hepatite e cólera. O resíduo dessa operação é aproveitado como adubo orgânico para fertilizar hortas e pomares.

Essa tecnologia é adotada desde 2000 e a avaliação dos usuários é positiva. No total, a Fundação Banco do Brasil já investiu R$ 1,1 milhão na implantação de 916 unidades do projeto em oito municípios do Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais, envolvendo mais de 2 mil famílias de agricultores familiares, diretamente, e mais de 8 mil indiretamente.

Na cidade de Cristalina (GO), por exemplo, a tecnologia social foi desenvolvida em dois assentamentos, para garantir a saúde dos agricultores. No município, os produtores já colhem os frutos do uso do adubo orgânico: plantam arroz, feijão, milho, mandioca, maracujá, manga, goiaba, laranja, chuchu, batata baroa etc.. Além de garantir a subsistência, as famílias estão se organizando para comercializar o excedente.

O custo de implantação do projeto é de cerca de R$ 1,2 mil. A fossa séptica é composta por três caixas d’água com capacidade para 1.000 litros cada, conectadas entre elas por tubulações de PVC. Apenas o encanamento dos vasos sanitários é ligado ao sistema de caixas, que são enterradas no solo e vedadas para impedir a entrada de ar. Na primeira caixa, esterco fresco é colocado para agilizar o processo de fermentação no ambiente anaeróbico e a eliminação dos coliformes fecais.

A tecnologia, desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária de São Carlos/SP (Embrapa Instrumentação Agropecuária), foi vencedora, em 2003, do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, quando passou a ser reaplicada pela Fundação BB. A solução integra o Banco de Tecnologias Sociais disponível na página:

www.fundacaobancodobrasil.org.br.

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