Especialista condena sacos oxidegradáveis em aterros

Grenne:em busca da melhor alternativa ambiental para os sacos plásticos.

Quando iniciaram as primeiras pesquisas sobre a possibilidade de se obter um plástico que fosse ao mesmo tempos higiênico e resistente, mas que se degradasse junto com o lixo, várias alternativas surgiram no mercado. Logo se propagaram as “virtudes” dos sacos oxibiodegradáveis que surgiram como o remédio milagroso para o acúmulo de sacos acondicionadores de lixo e principalmente aqueles distribuídos fartamento nos supermercados do mundo inteiro.

Interessado na preservação ambiental e no gerenciamento do lixo, o governo da Califórnia decidiu verificar as alternativas às sacolas plásticas e solicitou ao Califórnia Integrated Waste Management Board (CIWMB), em parceria com a Universidade Estadual da Califórnia (CSU), sob a coordenação do professor Joseph Greene, um estudo para testar a decomposição de produtos ditos biodegradáveis, oxi-biodegradáveis e de plásticos comuns.”Buscávamos uma alternativa para a redução e reutilização dos sacos plásticos, de modo a reduzir o passivo ambiental representado por um produto largamente consumido e com um tempo infinitamente grande para sua degradação na natureza” explicou o professor Greene, em palestra na Federação das Indústrias, em Porto Alegre (RS).

Das várias opções disponíveis no mercado o melhor desempenho ficou com as fabricadas utilizando PLA e PHA, seguidas daqueles a partir da matéria-prima (PLB) obtida da cana-de-açúcar. Outros chamados oxibiodegradávels permaneceram praticamente intactos após 120 dias de exposição na natureza, em aterros abertos ou fechados ou em compostagem.

O especialista explicou que as principais características de um produto biodegradável são: servir de alimento para os microorganismos e não deixar resíduo a partir de um determinado tempo (120 dias). Os testes mostraram que isto não aconteceu com os ditos oxibiodegradáveis que continham polietilino que não se degradou.

Reciclagem como alternativa

Outros estudos feitos pelo professor Greene indicaram que uma outra alternativa é reciclagem dos sacos plásticos ou outras embalagens – como as PETs – de modo que a matéria-prima possa ser reutilizada, com a vantagem de um ciclo menos gerador de carbono. Também neste caso os oxidegradáveis não obtiveram boa performance.

O presidente do Instituto Plastivida, Francisco de Assis Esmeraldo, que apresentou o Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas durante o evento, acredita que a questão principal é o uso responsável dos plásticos, seja ele em forma de embalagem, utensílio ou sacolas. “No caso das sacolas plásticas, sabemos que têm mais de 50 formas de serem reutilizadas após o carregamento das compras então optamos pela melhoria da qualidade do produto, para que seja usado em menor quantidade. Isto é: Reduzir, Reutilizar e Reciclar”, completa Assis.

A meta da proposta, que já vem sendo apoiada por supermercados de todo o país, é reduzir em até 30% o consumo de sacolas plásticas com a fabricação de um produto mais resistente e que evita a superposição. Outro aspecto ressaltado no evento é que a população precisa alterar o modo de utilização dessas sacolas. Isso significa:

1) Somente descartá-la juntamento com o lixo seco;

2) Reutilizá-la pelo menos quatro vezes o que significa uma mudança cultural importante na medida em que cada consumidor teria que levar sua sacola de casa.

Pesquisa realizada pelo Ibope no fim do ano passado com 600 mulheres mostrou que nada menos do que 71% delas manifestaram-se favoráveis ao uso de sacolinhas plásticas como a forma ideal para o transporte de compras e 75% entendem que as sacolinhas devem ser fornecidas pelo varejo. Revelou ainda que 100% usam as embalagens para o descarte do lixo doméstico, dispensando a compra de sacos para esse fim.

Embora jamais se tenha estimulado esse reaproveitamento, os consumidores perceberam a vantagem e fizeram a troca, o que praticamente universalizou, nas áreas urbanas do país, o acondicionamento dos resíduos de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde – e sem acréscimo nas despesas das famílias.

O presidente da Plastivida lembra que qualquer campanha de mudança de comportamento deve levar em conta os hábitos dos consumidores. “O melhor caminho é oferecer às pessoas alternativas sem deixar de atender às necessidades práticas do seu dia-a-dia”, afirmou Francisco de Assis Esmeraldo.

RS experimenta sacola mais resistente

A Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos anunciou , na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), que o Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas será lançado no Rio Grande do Sul em agosto. O Programa visa reduzir em 30% o consumo de sacolas plásticas.

Trata-se de uma parceria da Plastivida com o Instituto Nacional do Plástico (INP), a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief) e Associação Brasileira de Supermercados (Abras), conta também com o apoio da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS).

O programa inicia com a promoção da melhoria da qualidade das sacolas que passam a ser produzidas de acordo com a norma ABNT 14.937. Com sacolinhas mais resistentes – e trazendo o peso que cada uma delas suporta estampado – o consumidor tem a segurança de utilizar apenas uma sacola em sua total capacidade para carregar suas compras. “O consumidor não precisa mais colocar uma sacola dentro da outra para carregar as mercadorias com segurança”, explica o presidente da Plastivida, Francisco de Assis Esmeraldo.

O programa também contempla o treinamento do pessoal que trabalha nos caixas, no empacotamento e também na supervisão dos supermercados para orientarem os consumidores sobre o uso adequado das novas sacolas, sem que haja desperdício. “O caminho rumo à sustentabilidade exigiu dos fabricantes brasileiros uma ação inovadora contra o desperdício agindo em várias frentes”, afirma Assis.

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