
A área de saneamento pode ser bastante beneficiada com créditos disponíveis através do Protocolo de Quioto, inclusive para a área de tratamento de água, embora muita gente pense que eles só podes ser adquiridos com os sistemas de tratamento de esgoto ou resíduos sólidos.
Na palestra Uso da Dupla Filtração como Alternativa de Tratamento de Água Para Remoção de Poluentes o engenheiro Giuliano Guimarães Silva, da Companhia de Saneamento do Tocantins (Saneatins) vai demonstrar aplicações de tratamento e melhorias nos sistemas através de metodologias atribuídos pelo EPER/UNFCCC possibilitando assim Créditos non-CO² (créditos de carbono e créditos de água) através do Protocolo de Quioto e dos Acordos Multilaterais Ambientais. Segundo ele, este é o propósito a ser demonstrado pelo II Evento Brasileiro de Créditos Ambientais que abordará as diferentes Tecnologias de Tratamento de Água, enfocando as vantagens da Tecnologia de Dupla Filtração na remoção de Poluentes e subprodutos gerados no Tratamento. Ele vai mostrar algumas pesquisas realizadas no Brasil utilizando a Tecnologia de Dupla Filtração.
Nesta entrevista exclusiva que concedeu à Aguaonline Guimarães Silva fala sobre o panorama brasileiro na busca destes créditos internacionais e da Saneatins.
Aguaonline – A área de saneamento ainda não está aproveitando as oportunidades que os créditos ambientais podem oferecer. A que você atribui essa “marcha lenta” uma vez que a falta de recursos é crucial e especialmente em uma área como a de tratamento de esgotos, onde tudo está por ser feito?
Giuliano Guiamarães Silva – Acredito que a “marcha lenta” na negociação de créditos ambientais ainda enfrenta grandes dificuldades no Brasil devido à recente regulamentação do setor, o que inviabilizaria a elaboração de projetos que gerem crédito de carbono, possibilitando, que as Companhias iniciem a sua participação nesse mercado de carbono. Um outro fator é o pequeno número de pessoas capacitadas, do ponto de vista técnico, que viabilizem projetos de engenharia que possam aproveitar o seu potencial no mercado de créditos ambientais.
Aguaonline – Um grande problema que se acumula são os passivos ambientais da área de tratamento representados pelos lodos de ETAs e ETEs, cuja disposição final deixa muito a desejar. Você acha que eles podem fornecer o “combustível” a ser aproveitado para créditos de carbono?
Giuliano Guiamarães Silva – Certamente os lodos de ETAs e ETEs constituem um dos maiores passivos ambientais dos sistemas de abastecimento e esgotamento sanitário, principalmente quanto a sua disposição final adequada, porém, o principal efluente que pode ser utilizado como “combustível” para o aproveitamento, geração de créditos de carbono, igualmente encontrado nos Aterros Sanitários, é o gás metano, o biogás, gerado na digestão anaeróbica da matéria orgânica.
Através dos resultados de pesquisa sobre o potencial de utilizar o biogás oriundos de Reatores Anaeróbicos de Fluxo Ascendente, pode-se relatar benefícios como a geração de energia, que propicia a aplicação de tecnologias de maior eficiência das ETE’s, e benefícios a longo prazo com a conscientização da população em relação à preservação do meio ambiente e principalmente na promoção do desenvolvimento sustentável, na aplicação dos royalties para a proteção de mananciais de abastecimento ou corpos receptores de esgoto tratado, para que futuras gerações possam aproveitar os recursos que o meio ambiente oferece atualmente.
Considera-se ainda que a transformação do gás metano (CH4) em gás carbônico (CO²), reduzindo 21 vezes o potencial impactante na atmosfera, apresenta outros benefícios como:
• Redução da poluição em conseqüência de redução na emissão de gases do efeito-estufa (GEE);
• Redução do mau cheiro;
• Aumento da qualidade de vida e dos padrões sociais para as comunidades locais;
• Geração de royalties, créditos de carbono. Investimentos que auxiliam no atendimento dos padrões de tratamento estabelecidos na legislação ambiental vigente;
• Utilização de uma “Energia Limpa”.
Aguaonline – Quais os passos indispensáveis para as companhias se habilitarem a créditos de carbono e como você vê o mercado no que se refere a área de saneamento?
Giuliano Guiamarães Silva – Analisar inicialmente a relação custo x benefício de implantação de sistemas que possibilitem a obtenção de CER’s. Pequenos sistemas de tratamento de efluentes podem não gerar CER’s suficientes para representar um retorno significativo de ganhos ambientais, econômicos e até mesmo estratégicos.
Outro indicador indispensável é a análise de que estes sistemas que possibilitam a obtenção das CER’s necessitam de especificados tipos de tratamento dos efluentes, o que às vezes pode impossibilitar a instalação, em um sistema global, devido a aspectos que podem variar desde condições topográficas, a recursos hídricos como corpos receptores, custos de implantação e a capacidade de pagamento dos usuários.
A área de saneamento (água, esgoto, resíduos sólidos e drenagem urbana) hoje já se destaca especialmente com os Aterros Sanitários, tendo em vista as pesquisas, trabalhos e projetos de empresas certificadoras, nacionais e internacionais, dedicarem sua atenção em um mercado de carbono possuidor de linhas base aprovadas para o desenvolvimento de projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. E como tal, os sistemas de esgotamento sanitário, e o tratamento de específicos poluentes em águas de mananciais poluídos, possuem grande mercado passível de certificação, porém, com pouco know how.
A nova Saneatins
Aguaonline – A Saneatins é a mais nova companhia de saneamento e seu perfil difere bastante das demais. O que caracteriza a Saneatins hoje? Quais os seus pontos fortes e onde ainda precisa melhorar?
Giuliano Guiamarães Silva – A Companhia de Saneamento do Tocantins – SANEATINS foi criada através da Lei n.º 33/89, pelo desmembramento da SANEAGO – Saneamento de Goiás. Na época possuía 12 mil ligações de água, que representavam apenas 12% do abastecimento de água no Estado estando presente em 33 municípios.
Hoje, 18 anos depois da criação do Estado do Tocantins e 09 anos após a Parceria Público-Privado – PPP, firmada no ano de 1998, são 297.980 mil ligações de água e 32.634 mil de esgoto em operação. Atualmente está presente em 126 municípios – 121 Concessões, dos 139 existentes, com índice de atendimento de 98,06% da população urbana com água tratada.
Um dos principais fatores é a busca constante, desde sua fundação, pela UNIVERSALIZAÇÃO dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. A Saneatins ao longo de seus 19 anos cresceu de forma a atingir, hoje, 98,6% da população tocantinense com serviços de abastecimento de água tratada. Atualmente, busca por diversos caminhos, recursos, investimentos, para que em poucos anos possa atender de forma satisfatória seus clientes com os serviços de esgotamento sanitário.
Pontos Fortes:
– Controle operacional de indicadores que garantem a qualidade de serviços e produtos;
– Dinamização da relação cliente x operador do serviço;
– Os esgotos coletados nas cidades que operam são 100% tratados.
Pontos Fracos:
– Índices de perdas na distribuição e na produção de água em algumas localidades ainda estão acima da meta da Empresa que é 30%.
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