
Carlos Rosito, da Asfamas, e Osvaldo Serrano, da CEF.
Cecy Oliveira – direto de Gramado (RS)
Muita gente nem dispõe de serviço de abastecimento de água ou coleta e tratamento de esgoto. Entre os beneficiados por redes públicas ou poços comunitários, em zonas rurais, há os que recebem um produto cuja qualidade não é uniforme, o serviço é descontinuado ou com falhas e muita água tratada se perde em vazamentos que consomem, em alguns casos, mais da metade do que é produzido.
Em muitas regiões do mundo milhões de pessoas – especialmente mulheres e crianças -precisam andar horas carregando água em baldes ou latas. Em outras regiões os mananciais já não conseguem fornecer a matéria-prima suficiente para a demanda, seja pela escassez ou pela qualidade comprometida pela poluição.
Buscar uma melhoria dos processos, produtos e atendimento dos serviços de saneamento é a meta que está reunindo em Gramado (RS) cerca de 200 especialistas do Brasil, no seminário sobre Gestão de Riscos e Segurança no Setor de Saneamento e Certificação ISO 24.000, promovido pela ABES-RS e Aidis. Como lembrou o especialista argentino Javier Mijangos, da Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental (Aidis), é preciso levar em conta que apenas uma ínfima parcela de água doce está disponível para consumo. E destacou que o fornecimento de qualidade – que implica não somente nas condições ideais do produto mas também a continuidade do fornecimento 24 horas por dia, sete dias por semana, com a pressão adequada para atender aos moradores das partes altas ou baixas da cidade – é garantia de saúde e qualidade de vida.
“Há a percepção de que o setor tem que melhorar no mundo inteiro”, disse, ao citar que o investimento global fica em torno US$13 bilhões/ano quando o necessário seriam US$ 23 bilhões/ano. No entanto, alertou, que somente em água mineral o gasto ultrapassa US$6 bilhões, quase metade do necessário para que se caminhe para a universalização.
O especialista destacou que o grupo técnico encarregado da elaboração dos guias da certificação ISO para o saneamento tem a participação de 47 países, sendo que a Aidis representa a área técnica das Américas. Estão sendo propostas três normas: ISO 24510 (para a prestação de serviço voltado ao usuário), ISO 24.511, para esgoto e 24512, para abastecimento de água.
No painel que analisou a certificação e a visão dos fornecedores Carlos Rosito, das Asfamas, disse que os três grandes desafios do saneamento são a melhoria da gestão, a regulação e a equação político-econômica que possa triplicar os investimentos anuais em saneamento no Brasil que não passam de R$ 3 bilhões anuais, quando a necessidade seria de pelo menos R$ 10 bilhões. Ele abordou o bem sucedido caso do Programa de Qualidade na Área da Habitação como exemplo de que é possível uma atuação conjunta de todos os segmentos na busca da qualidade.
Risco e segurança
Nesta quinta-feira (13/07) a partir das 9 horas, Eufemia Pérez Ferraris, responsável pelo Plano de Prevenção e Emergências – AYSA ( empresa que sucedeu à Águas Argentinas) apresentará o Painel Plano de Segurança da Água – Water Safety Plants (WSP). Também farão parte deste painel: Ivan Estribi, da OPAS de Honduras, e Nolan Bezerra, do Ministério da Saúde que abordarão a situação e os desafios do Plano de Segurança da Água na América Latina e no Brasil. A partir das 14 horas iniciará o Painel ISO 24.000: A visão do Setor de Saneamento com os palestrantes Jairo Tardelli Filho, da SABESP; Célia Regina A. Rennó, da COPASA e Paula Violante, da empresa Águas de Limeira. Ás 16h30min, a engenheira Ellen Martha Pritsch, do Comitê Nacional de Qualidade da ABES, apresentará o Sistema de Medição de Desempenho e a ISO 24.000. Encerrando as apresentações do dia, Marcelo Kós Silveira Campos, da ABIQUIM falará sobre a atuação responsável na química do Saneamento.
Metodologia e exemplos
A proposta de uma norma que pudesse ser utilizada nas várias regiões do globo em sistemas díspares como são as condições dos países levou os técnicos a trabalhar com a oferta de uma metodologia para que possam ser desenvolvidos indicadores próprios às condições em cada latitude.
Javier destacou que as normas são na verdade guias de orientação para que os passos em direção à certificação possam ser dados de acordo com as possibilidades.
Ressaltou também que a Certificação ISO 24.000, que está na etapa de consulta e tem sua publicação prevista para 2007, facilitará, entre outros, na melhoria da qualidade e eficiência nos serviços de água no interesse dos usuários e do meio ambiente. Informou também que esta prevista a realização da 6ª Plenária da ISO/ TC 224 durante o XXX Congresso da Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental (AIDIS), de 26 a 30 de novembro em Punta del Este.
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