Grandes portais já são centros de informação sobre água

Cecy Oliveira – direto de Brasília, na cobertura do WIS8.

Dados, mapas, as mais recentes variáveis sobre indicadores ambientais que influenciam o ciclo da água estão ao alcance de um público cada vez mais ávido por conhecimento a um simples clique do mouse. A Internet é hoje um repositório de informações relacionadas aos recursos hídricos nos mais variados idiomas.

Tentar tornar cada vez mais amigáveis, acessíveis e integradas essas montanhas de informações e prever mecanismos para que portais possam facilitar o acesso a vários segmentos, desde crianças a especialistas, foi um dos principais objetivos da 8ª. Cúpula de Informação sobre Água (WIS8) realizada em Brasília, de 05 a 07 de junho. O evento é promovido anualmente pelo Consórcio Water Web, um subgrupo da Rede Interamericana de Recursos Hídricos (RIRH) e nessa edição teve o apoio da Agência Nacional de Águas (ANA), Ibeasa-Aguaonline e outras instituições brasileiras e internacionais.

Cerca de 100 especialistas de 15 países, incluindo webmasters, dirigentes e representantes de organismos internacionais, como o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Unesco, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Organização Meteorológica Mundial (OMM), Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), além de entidades internacionais e nacionais, como a Associação Americana de Recursos Hídricos (AWRA), Agência de Notícias IPS e Aliança de Comunicadores (Com+), Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) apresentaram seus portais e debateram formas de integração das bases de dados de modo que a busca de informações sobre água se torne mais ágil e fácil.

O evento teve também um painel para analisar os obstáculos que dificultam o fluxo da informação. Os participantes citaram principalmente a linguagem excessivamente técnica ainda utilizada em grande número de sites como um dos problemas a ser superado. Outra constatação é de que um grande número de homepages, muitas vezes de uma mesma entidade, repetem a armazenagem dos mesmos dados, desnecessariamente. A opção é a interligação dos vários bancos de dados de modo a que o internauta possa ser remetido diretamente para a fonte original das informações, especialmente quando é solicitada a edição de mapas.

Uma dessas propostas está sendo desenvolvida pelo Pnuma através do portal Ecomundos, que está em fase final de testes. Um dos articuladores do Portal, Sean Khan, esteve presente em um encontro com vários especialistas latino-americanos para demonstração das inúmeras interfaces que poderão ser disponibilizadas, inclusive uma das quais possibilita a consulta à legislação ambiental de todo o mundo.

“As palavras-chave para a definição dos objetivos do portal Ecomundos são: parceria, colaboração, eficiência na gestão da informação e troca de informações. Esta última significando sinergia, efeito canalizador”. A definição foi dada pelo Gerente de Dados do Pnuma, cuja sede central está em Nairobi, no Quênia, Sean Khan, em entrevista exclusiva para a Aguaonline. Ele comentou que ainda não existe uma compreensão total em todos os organismos, governos e instituições da sociedade civil que vão fazer se integrar ao Portal ao longo do tempo sobre a atuação em rede, com esta perspectiva do portal. “O Ecomundus poderá mostrar dados de redes, como os do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sinima), do Brasil, ou de centros de pesquisas, como o SGIS, dos Estados Unidos. Será uma janela por onde se poderá descortinar as informações ambientais”, explicou, acrescentando que servirá também como uma vitrine através da qual se poderá mostrar os bons resultados de políticas e ações ambientais.

Um dos grandes desafios, na opinião de Sean Khan, é convencer os parceiros de que este tem que ser um jogo de ganha-ganha, onde todos podem ser beneficiados. Não vai existir nenhum juízo de valor sobre a situação refletida pelos dados pois o que pode aparentar ser uma grande carência em uma determinada área, para um país ou região, pode significar um grande ganho se comparado com a situação anterior do país ou da região, como a redução de queimadas, recuperação de áreas degradadas. Ou seja: embora determinada região possa ainda ter um grande déficit, por exemplo, no tratamento de esgoto, se nos últimos anos ela avançou bastante isto significa um grande ganho.

Como o Portal vai receber, também, dados de ONGs, universidades e outros centros de informação vai ser possível oferecer um amplo leque de opções de consulta à base de dados. Khan acredita que este será um estímulo adicional não somente para que mais instituições se tornem parceiras como pode induzir as entidades a internamente aperfeiçoarem seus mecanismos de coleta de informações ambientais.

Mais informações sobre este tema estão disponíveis em:

www.unep.org/ecomundus

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Parcerias para a integração

Nesta etapa atual em que estão sendo dados os últimos retoques – o Portal está em fase de testes – a proposta é buscar as parcerias para a integração dos bancos de dados. Os organizadores do Ecomundus sabem que os vidros da janela não serão totalmente transparentes e que em alguns tópicos nem todas as informações estarão disponíveis, seja por motivos estratégicos ou de segurança de países ou organizações.

Avaliação da Política de Meio Ambiente

A Universidade Nacional de Brasília (UnB) promoverá, entre os dias 28 e 30 de junho, o II Encontro Nacional para Avaliação de Políticas de Meio Ambiente. O seminário se destina a pesquisadores e estudantes interessados na formulação de políticas para gestão ambiental. Nos três dias, especialistas debaterão instrumentos econômicos para a política de meio ambiente brasileira, tributo ambiental, subsídio ambiental, licenças negociáveis e depósitos reembolsáveis, entre outros.

O valor da inscrição até o dia 20 de junho é de R$ 15,00 para estudantes da graduação, R$ 30,00 para estudantes da pós e R$ 45,00 para outros, após essa data o preço é maior. Detalhes no site www.unb.br/dpp/ciord/enapa

Reunião sobre gestão de recursos hídricos

3-7 de julho de 2006, Cidade da Guatemala, Guatemala

Organizador: Faculdade Latino-americana de Sociologia (FLACSO), Guatemala

Esta reunião girará principalmente em torno dos seguintes temas:

• estado dos recursos hídricos na América Latina;

• acordos legais e institucionais;

• governos municipais e gestão dos recursos hídricos;

• gestão dos recursos hídricos em zonas urbanas;

• participação comunitária e rural;

• acesso à água como direito humano;

•o mercado da água na Guatemala.

Mais informações:

rosario@flacso.edu.gt.

Efeito-demonstração

Como as bases de dados vão apenas ser disponibilizadas, mas não gerenciadas pelo Portal, existe a percepção de que no curto prazo pode haver a tendência das instituições em dar mais ênfase aos dados que reflitam bons resultados escondendo as carências.

Sean Kahn admite que isto pode ocorrer mas aposta que o resultado de ver experiências dos “vizinhos” – efeito-demonstração – vai funcionar como um desafio para superação das dificuldades. “Quando falamos em colaboração isto significa que a instituição ou governo pode obter ajuda de outro, onde tem problemas e oferecer a sua, também, onde obteve vitórias”.

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