Projeto Viva a Natureza desvenda mundo da água para as crianças

Textos e fotos de Cecy Oliveira – Cobertura especial diretamente de Bento Gonçalves (RS)

Focado nesta edição no tema da água o Projeto Viva a Natureza, que vem sendo desenvolvido junto à Feira Internacional de Ecologia e Meio Ambiente (Fiema), leva as crianças a descobrirem o mundo da água de uma maneira fácil e divertida. O projeto é uma parceria entre a Fiema, a Universidade de Caxias do Sul (UCS), a Secretaria Municipal de Educação de Bento Gonçalves (RS), cidade onde se realiza a Fiema, e o Colégio Marista Aparecida.

Com uma previsão de atender a mais de 4.000 estudantes de quatro a dez anos nos quatro dias de duração da Feira, o Projeto oferece uma programação variada que começa com uma Hora de Conto. A base é uma história, em forma de poesia, escrita por Sandra Zeni Carli e Vitor Ambrosini, chamada O Segredo do Farol. Ela narra a vida de Toninho, que de filho de pescador passou a grande industrial culminando com sua volta à aldeia em que nasceu onde constata uma grande degradação tornando-se, então, um divulgador da importância da preservação ambiental.

No espaço da Fiema as crianças ouvem a história e depois passam às oficinas para a realização de experiências sobre a água. Uma delas é a construção de um terrário utilizando a base de garrafas pet e plantando uma mudinha que vão levar para a escola e acompanhar o seu crescimento. O objetivo deste terrário é mostrar a importância das plantas no ecossistema para a renovação do oxigênio atmosférico, redução do CO² e manutenção do ciclo da água. Nesta etapa, segundo explica a professora Simone Dalla Costa, eles também aprendem como funciona a simbiose água e solo para a alimentação das plantas.

Mexer com a terra e fazer seu próprio terrário é uma das atividades preferidas. Como diz Gabriel, de 10 anos, ao explicar que “a planta é um ser vivo, cresce, e se a gente não cuidar ela morre, assim como nosso planeta se não cuidarmos das árvores”. “Ela purifica o ar, faz parte da natureza”, complementa Laura. Gibran acha que as experiências do Projeto Viva a Natureza têm que ser multiplicadas por eles mesmos, ir “de boca em boca” para que as pessoas entendam e possam modificar seus hábitos em relação à natureza.

Aprendendo ao vivo e em cores

Dali a turma de estudantes segue para as experiências sobre as propriedades físicas, químicas e biológicas da água. A criatividade dos professores é evidenciada de forma fascinante para mostrar, por exemplo, como as plantas transformam o gás carbônico presente no ambiente em oxigênio.

As experiências realizadas envolvem a fotossíntese utilizando a planta aquática Elodea sp., que possibilita a visualização da liberação de oxigênio para a atmosfera. Esse experimento desencadeia questionamentos sobre os efeitos da luz, da temperatura e da água no crescimento vegetal.

Os experimentos de Química mostram que nem toda a poluição é visível, pois alguns produtos químicos lançados à água não modificam seu aspecto límpido, entretanto, têm suas propriedades químicas alteradas. Para tal, foi comparada água pura com soluções básicas e ácidas que só foram identificadas após a adição de indicadores que provocam a mudança de coloração das mesmas.

Uma equipe criativa

Detalhe do material que mostra a absorção do gás carbônico e liberação do oxigênio pelas plantas.

Na Física foram trabalhados os conceitos de densidade, propriedade elástica dos gases e tensão superficial através da utilização de equipamentos construídos com material reciclado. Uma das que mais despertou a atenção da criançada foi a que mostrou o efeito de despejos como o de detergentes nos cursos de água. Usando pó de giz foi colocada um fina camada em uma superfície líquida e após despejado detergente possibilitando visualizar o efeito na água.

As atividades de laboratório e oficinas foram monitoradas por estudantes do Curso de Ciências Biológicas que relacionam os fenômenos com situações do cotidiano e através de questionamentos, apropriados a cada faixa etária, motivam as crianças a elas próprias encontrarem as explicações.

O projeto foi desenvolvido pela equipe formada por Gladis Franck da Cunha, Liane Terezinha Dorneles, Simone Dalla Costa Lemos, Jane Clos Ambrosini, Vitor Clos Ambrosini, Sandra Zeni Carli, Igino Santo Damo e Alexandre Gomes Ribeiro.

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