Água e rios brasileiros são temas de Carnaval

Fonte termal foi tema de uma alegoria da Beija-flor que jorrava água “sulforosa” em pleno sambódromo.

Água foi um tema bastante abordado no Carnaval 2006. A Escola de samba Beija-flor, atual tricampeão carioca, fez da água seu tema-enredo cujo título foi “Poços de Caldas, derrama sobre a Terra suas águas milagrosas – Do caos inicial à explosão da vida… Água, a nave-mãe da existência. Quatro dos oito carros alegóricos da escola traziam água. No primeiro deles, “Reino de Netuno”, dos cabelos de uma sereia saia a água que formava um lago. Na alegoria sobre Poços de Caldas, água colorida imitava as nascentes sulfurosas, uma característica em algumas estações termais.

A polêmica sobre o Projeto de Transposição do Rio São Francisco entrou também na passarela do samba. As Escolas de Samba Mocidade Alegre, de São Paulo e Mangueira, do Rio de Janeiro fizeram do lendário rio brasileiro seu tema-enredo no Carnaval 2006.

Ambas as escolas trouxeram abordagens que remotam à história da colonização brasileira e o papel que essa bacia hidrográfica representou no desenvolvimento de vários Estados no sudeste e nordeste do país.

A Escola de São Paulo teve um pouco de preocupação com os aspectos relacionados à preservação do rio. Em sua explicação sobre o enredo descreve assim o setor 5 :

O Velho Chico e a Consciência de Preservação – O Caminho para a Integração Nacional e o Sol Reluzente da Ordem e do Progresso

Se olharmos para as riquezas e possibilidades de desenvolvimento que o Rio São Francisco nos oferece, entenderemos que é chegada a hora de encarar a responsabilidade do homem contemporâneo de explorar com responsabilidade os recursos do rio. Nos mitos indígenas, seres humanos, cobras, peixes e plantas interagem, convivem. Por tanto, é preciso preservar a Biodiversidade (variedade de espécies vivas) da região do Vale do São Francisco, instituindo o que sabemos pela ciência empírica (que se apóia exclusivamente na experiência e na observação, e não em uma teoria): todos formamos uma cadeia única e sagrada de vida.

Todos devemos, assim como os índios, nos tornarmos “ecologistas”. Devemos preservar a verdadeira ilha de recursos que o Rio São Francisco possui. Devemos torná-lo um santuário ecológico, preservando o que de certa forma foi plantado, cultivado e colhido pelos índios. Temos de respeitar a terra como mãe a fim de encontrarmos o equilíbrio entre o Homem e a Natureza. E quando o povo brasileiro passar a valorizar e preservar suas riquezas naturais com responsabilidade propiciará o surgimento de uma verdadeira integração nacional, gerando e dividindo os frutos do desenvolvimento, alimentando a esperança de uma nação verdadeiramente digna para que possa reluzir o sol da ordem e do progresso, iluminando o solo brasileiro e as águas bravias desse rio, que mais parece uma artéria a pulsar no coração desse país, levando amor e fartura aos guerreiros de uma tribo chamada Brasil !!!

Veja no arquivo abaixo a ficha técnica da escola de Samba Mocidade Alegre e o samba-enredo da Beija-flor.

Teoria e práticas ecológicas

A partir da observação do comportamento de cidadãos comuns de Brasília e do Rio de Janeiro, a professora de Educação Ambiental da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, Cláudia Márcia Lyra Pato, percebeu uma diferença intrigante: por mais conscientizadas que as pessoas pareçam ser sobre as questões ambientais, na prática, agem de maneira bem diferente. Por que, afinal, essa conscientização teórica não é suficiente para mudar hábitos, desde os mais elementares, como não jogar lixo na rua e economizar água?

Pois foi esse o tema da tese de doutorado Comportamento Ecológico: relações com valores pessoais e crenças ambientais, defendida por ela, no Instituto de Psicologia (IP), em agosto de 2004. “Trata-se de uma questão muito importante, mas até hoje desconsiderada por estudos e pesquisas”, comenta. O único levantamento parecido foi realizado pelo Ministério do Meio Ambiente, porém não se refere a comportamento e sim à conscientização. A pesquisadora resolveu, então, identificar até que ponto as crenças e os valores de cada um interferem no comportamento adotado no dia-a-dia.

O estudo foi dividido em duas fases. Na primeira delas, foram investigadas duas amostras de estudantes universitários e de nível médio – uma de 234 jovens, 142 mulheres e 88 homens, com média de idade de 20 anos, na qual foi considerado o comportamento ecológico; e outra com a participação de 483 estudantes de escolas públicas, 309 mulheres e 170 homens, com média de 20 anos.

No segundo estudo, um outro grupo (443 estudantes, 240 mulheres e 201 homens, com idade média de 22 anos) permitiu a investigação sobre a relação entre valores pessoais e comportamento ecológico, mediada pelas crenças ambientais. Os levantamentos foram feitos no Rio de Janeiro e Brasília e revelaram que independentemente do local e do nível de escolaridade, o grau de compreensão e as atitudes ecológicas são as mesmas.

Os principais referenciais usados pela pesquisa, na primeira fase, para medir conscientização e comportamento foram limpeza urbana, energia e água, ativismo/consumo e reciclagem. No item ativismo/consumo, o que se buscou foi a percepção da importância do consumo de produtos ecológicos, ao contrário, por exemplo, do que se observa no ativismo europeu, marcado por manifestações e protestos de rua. A comparação, nesse aspecto, considerou outros países, uma vez que parte da tese foi desenvolvida na Universidade Complutense, de Madri (Espanha).

Na segunda etapa, o grupo foi analisado sob a ótica das crenças, ou seja, a partir de noções chamadas ecocêntricas (visão integrada com a natureza) e antropocêntricas (o meio ambiente é interpretado como algo útil e a serviço do homem). “Observou-se que as pessoas que estiveram envolvidas com algum tipo de treinamento ou atividade ecológica por pelo menos dois anos são muito mais conscientes”, explica a professora. Entre as principais conclusões estão o fato de a maioria ser mulher e estudante de áreas afins à temática ambiental.

O resultado da pesquisa, de acordo com Cláudia Pato, confirma a importância da educação ambiental em todos os aspectos, mas com respeito às características e diferenças existentes em cada grupo. “Se as pessoas têm valores diferentes, é natural que se envolvam com questões ambientais por motivos distintos”, comenta. A abordagem universalista que tem sido dada ao tema pode ser uma das principais razões que impedem a interiorização e a consciência ecológica.

“Se uma pessoa valoriza mais os aspectos econômicos, ela não vai reduzir o desperdício de água porque haverá prejuízos para a natureza e sim porque vai gastar menos dinheiro com a conta”, explica ela. “São essas questões que devem ser apreendidas e administradas no processo educacional”. Cláudia lembra que o primeiro passo para isso é a adaptação de mentalidade de educadores e gestores ambientais.

Contato: Professora Cláudia Márcia Lyra Pato pelo telefone (61) 3307 2069 ou pelo e-mail: claudiap@unb.br

Envolverde/Agência UnB

Mangueira- ficha técnica

Veja no arquivo abaixo a ficha técnica da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira:

Mangueira: sem pressa na transposição

Embora tenham circulado rumores de uma ajuda federal para esta tradicional Escola de samba carioca defender a transposição o tema-enredo mangueirense não é nem contra e nem a favor: deixa a polêmica para lá.

“O milagre é de casa, e de fácil explicação. Uma coisa tão singela que se chama irrigação. O novo Chico, minha gente, quer mudar o seu destino sua sina é redimir todo o povo nordestino.

O Chico anda atacado de mania de grandeza. Quer subir sertão a dentro e mostrar sua beleza. Diz que afoga suas mágoas espraiando suas águas, não agüenta mais represa. Diz que vai à Paraíba e também ao Ceará sem perder seu rumo antigo, o caminho para o mar.

Há quem diga que o Velho não tem força pra bombar. Há quem veja nesse sonho o direito de ousar. Essa história inda vai longe ninguém perde por esperar. Se o Chico sobe a serra ou se fica como está… não se aflija, nada de pressa – quem viver verá”.

Uso racional da terra

Agência FAPESP

Um novo programa de recuperação de áreas degradadas pretende atingir 200 produtores no Acre nos próximos três anos. A iniciativa, com investimento de R$ 750 mil, é coordenada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e a Embrapa Acre, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

Segundo a Embrapa Acre, além da modernização do sistema pecuário em pequenas propriedades – em especial as vinculadas à produção de leite –, a iniciativa pretende gerar coeficientes técnicos sobre um conjunto de tecnologias para pequenos produtores. São dados que os agentes de fomento ainda não possuem, o que dificulta a abertura de linhas de crédito e a formatação de políticas públicas.

Até meados de março, oito comunidades nos municípios de Porto Acre, Senador Guiomard, Plácido de Castro e Acrelândia serão selecionadas para dar início ao programa. Outras oito serão escolhidas em 2007, abrangendo municípios no Vale do Acre.

As tecnologias a serem implementadas já foram validadas pela Embrapa e parceiros em diversos locais, como o uso de leguminosas para recuperação do solo, o pastejo rotacionado com cerca elétrica, o controle de pragas e doenças e cuidados na sanidade animal.

Em cada comunidade, uma propriedade se tornará centro de referência, onde serão realizados os serviços em mutirão, cursos, dias de campo e visitas técnicas. A partir dela, o modelo tende a se difundir para outras áreas.

A expectativa dos coordenadores é que haja, até 2008, adensamento do volume de animais por hectare, a quadruplicação da produtividade de leite, aumento da renda e redução no volume de queimadas e desmatamentos.

Em 2005, as queimadas fugiram ao controle e causaram prejuízos de R$ 160 milhões em todo o Estado devido à queima de mais de 200 mil hectares de florestas e cerca de 300 mil hectares de pastagens e áreas abertas. Onze municípios tiveram que decretar estado de emergência.

Mais informações: www.cpafac.embrapa.br.

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