Jornalismo Ambiental – A visão dos jornalistas

Um caderno especial, editado por ocasião do I Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, realizado em outubro, em Santos (SP), disponibiliza uma série de artigos em que os jornalistas ambientais firmam posição sobre os temas que envolvem essa prática no Brasil. Veja abaixo alguns dos títulos e opiniões. E confira no arquivo, no final da matéria, a íntegra do caderno.

Silêncio sobre o Pantanal

“O jornalista Allisson Ishy, da Rede Aguapé, que atua na bacia do rio Paraguai, denuncia que o movimento ambientalista está sendo boicotado pelos grandes veículos de comunicação da região. As empresas estariam vetando abertamente as pautas que demonstram os impactos ambientais dos projetos de desenvolvimento planejados para a região. A possibilidade de implementação de usinas alcooleiras, químicas e siderúrgicas, além da

hidrovia Paraguai-Paraná, são esperança dos grupos de mídia para receber

investimentos governamentais em publicidade. “A mídia alternativa local se

esforça para quebrar o silêncio sobre ameaças iminentes ao ecossistema

pantaneiro, mas focalizando apenas públicos estratégicos, sem o poder de penetração dos grandes veículos de comunicação”, conta Allisson.

Um olhar verde sobre o Jornalismo

Adalberto Wodianer Marcondes

“A presença dos temas ambientais na mídia e a compreensão dos processos de sustentabilidade exigem profissionais bem formados e com uma profunda visão do papel social da mídia como referência e instrumento de transformações.

Verde deve ser a cor do jornalismo do século XXI. Não um jornalismo adjetivado de ambiental, praticado por jornalistas especializados em meio ambiente, mas o meio ambiente presente em todo o jornalismo. Os termos jornalismo ambiental e desenvolvimento sustentável são profundamente anacrônicos. Não é desenvolvimento se não for sustentável, assim como é precário o jornalismo que não incluir em suas variáveis a transversibilidade ambiental”.

Os quatro desafios do Jornalismo Ambiental Brasileiro

Roberto Villar Belmonte

“Para mim estes são os quatro desafios do jornalismo ambiental brasileiro:

1) a nossa rede informativa na Internet deve passar a ser também uma rede operativa;

2) o Brasil precisa de um fundo público para financiar a informação

ambiental;

3) um Instituto de Comunicação Ambiental ligado às universidades pode ajudar a consolidar e qualificar o nosso campo;

4) é preciso ainda pensar sobre a linguagem para melhorar o discurso das reportagens ambientais”.

Ecojornalista tem o papel de ajudar a formar novas consciências

Juarez Tosi

Normalmente o meio ambiente é notícia quando ocorre uma tragédia. Como ecojornalistas, queremos mudar essa concepção. O meio ambiente tem que ser notícia sempre. Ele está associado à economia, política, cultura e mesmo ao esporte. Ele está presente nos nossos atos

do dia-a-dia. Esse é o nosso papel. Não apenas como jornalistas mas também como cidadãos.

A falta do enfoque local

Cecy Oliveira

“Todos os governos têm varrido a questão do saneamento para debaixo do tapete sob o olhar complacente da mídia. E o mais curioso é que a própria imprensa ambientalista “esquece” esse assunto. A cada divulgação de números do IBGE sobre as carências do saneamento, as manchetes saltam nos jornais, mas as matérias se limitam ao levantamento de dados, e não ao problema. Por que os ambientalistas não se preocupam com esse assunto? Por que o jornalismo ambiental dedica a esse tema muito menos espaço do que à camada de ozônio, aos POPs (Poluentes Orgânicos Persistentes) e outros temas mais internacionais? Todos eles são importantes, mas esse é crônico e está ao alcance de nossos olhos. Com um ingrediente ainda mais sinistro: a falta de saneamento mata sete crianças de menos de menos de cinco anos a cada minuto no mundo!

Leia no arquivo abaixo a integra de alguns dos posicionamentos citados nesta reportagem.

A visão dos jornalistas

Perfil Latinoamericano del periodismo ambiental

Victor L. Baccheta

“La tarea principal del periodismo que procura fortalecer la ciudadanía consistirá en presentar la mayor cantidad de elementos, y de la mejor

calidad posible, para que el lector/ciudadano pueda entender el suceso y forjarse una opinión propia. Si la crisis ambiental es una crisis de la

civilización actual, sólo se podrá lograr que los responsables políticos actúen en consecuencia si los ciudadanos tienen una posición firme

sobre sus causas y las formas de resolverla”

Jornalismo ambiental engajado

Vilmar Berna

A questão que me mobiliza não é se ainda teremos tempo de salvar o planeta e nos salvarmos juntos, mas se seremos capazes de acordar a tempo de mudar. Para mudar, precisamos receber informações corretas e aí começa o problema. A informação não é exatamente livre, pois sofre maior ou menor dominação, seja dos que a financiam, seja dos que a dominam ideologicamente”.

Qualidade ambiental

A Comissão Organizadora do V Simpósio Internacional de Qualidade Ambiental, que irá ocorrer de 22 a 24 de maio de 2006, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre- RS, informa aos interessados em apresentar trabalhos que o regulamento encontra-se disponível no site do evento www.abes-rs.org.br/qualidade.

Os trabalhos deverão ser enviados completos, como arquivo anexo em Word até o dia 17/01/06. Todos os trabalhos aprovados serão apresentados como pôster. Previamente ao Simpósio, alguns trabalhos serão selecionados, a critério da Comissão Científica, para, além de pôster, serem apresentados na forma oral em plenária.

A publicação dos trabalhos aprovados, nos anais do Simpósio, está condicionada à inscrição e pagamento de pelo menos um dos autores até 01/03/2006.

Leave a Reply

Your email address will not be published.