Quando a demanda ecológica é mais forte do que a oferta

Yaneth Pinilla (Prensa Verde)

Desde algum tempo e embora lentamente, os argumentos ambientais têm influído de tal maneira que as pessoas se conscientizaram e desejam que se apliquem normas para contra-atacar os problemas ligados à utilização abusiva dos recursos naturais. Até agora, os Governos de muitos países só aplicam uma que outra diretiva, para demonstrar que “estão trabalhando”, mas os compromissos econômicos com as indústrias são tão importantes que não podem ser tomadas medidas radicais em curto prazo.

Mas quando os cidadãos começam a pedir mais e mais medidas é que a realidade aparece: os governos não estão preparados para fazer frente a esta nova realidade.

Na França, os exemplos mais evidentes são as famosas «eolianas» ou modernos moinhos de vento elétricos e com combustível ecológico.

A atual crise do petróleo e o preço elevado do barril colocam novamente em evidência a problemática deste velho sistema industrial de que depende todo o mundo para se mover. Assim, o primeiro ministro, Dominique de Villepin, declarava recentemente que se poria em funcionamento o sistema para acelerar o uso de recursos de energias alternativas, o problema é que não há muitas opções imediatas.

Pelo lado da energia hidrelétrica, que na França cobre 16% das necessidades, diminui enormemente quando há a seca como ocorreu este verão. E não se pode implantar novas estruturas porque não existem os sistemas. Quanto à energia solar e à geotermia, os resultados até agora demonstrados são bastante débeis para investir tudo neste sistema.

Resta, então, como única opção o vento. E este sim é seguro e não muito caro. Muitos países já compreendera. Na Espanha e na Dinamarca, já é um fato utilizar as eolianas para gerar energia com bons resultados, ainda que já existam certos grupos que se opõem porque argumentam que estes moinhos de vento modernos causam dano à paisagem natural ou fazem um pouco de ruído, ou se alega que podem afetar a fauna marinha, quando se implantam em pleno mar.

A pesar dos argumentos contrário, são muitas as regiões que vêem nas eolianas o futuro para produzir energia elétrica, tanto que o Governo está literalmente abarrotado de pedidos. O jornal «Le Canard enchaîné», informava em sua edição de 14 de setembro que um alto funcionário do Ministério de Materiais e Suprimentos reconhecia que «os serviços do Estado não estão minimamente preparados para esta situação (de muitos pedidos)» e que a situação legal atual tampouco «lhes permite responder adequadamente aos compromissos relacionados com a instalação e desenvolvimento durável das eolianas nos Estados».

Os funcionários têm razão em se preocupar, porque nos anos 2004 e 2005 foram outorgadas 325 permissões e cerca de 1.000 projetos estão sendo estudados em toda a França.

Combustível Ecológico

O outro exemplo que põe em evidência a falta de preparação de um estado para assumir novas opções é o caso do azeite vegetal de girassol e a colza que se pode utilizar como combustível, e que é mais barato do que o diesel, destinado a veículos como caminhões, ônibus, automóveis e vários tratores.

Pois, na França um grupo de agricultores descobriu a fórmula a base de óleo de girassol e colza, que se pode preparar em somente 72 horas, pela metade de preço, e além disso com os resíduos da matéria-prima pode-se alimentar os animais.

Atualmente, 63 agricultores da região Maine-et-Loire estão trabalhando com este tipo de combustível, que tem sido recomendado pela União Européia.

Mas o Governo não tem querido ir mais além e apesar da experiência positiva até agora encontrada, rechaça apoiar com novas medidas e reformas a realização deste tipo de programas. E isso que está sob pressão de que antes do ano 2010 deve ser adotado o uso de energias renováveis.

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