Bela pradaria surge do lixo

Yadira Ferrer – A autora é colaboradora do Terramérica

Bogotá – O aterro sanitário Don Juanito em dez anos se converteu em um parque ecológico de reciclagem de resíduos, modelo na Colômbia, onde apenas 40% do lixo domiciliar recebe tratamento adequado. Localizado em Villavicencio, capital do Departamento de Meta, este depósito recebe diariamente cerca de 300 toneladas de resíduos, que são processados e degradados, incorporando-se ao solo. Com o passar dos anos, o local se transformou em uma bela pradaria.

O terreno pertence à empresa Bioagrícola do Llano, “que presta serviços de varrição e limpeza de vias e logradouros públicos, coleta, transporte e disposição final dos resíduos”, em Villavicencio e em vários municípios vizinhos, disse ao Terramérica sua diretora comercial, Patrícia Díaz. Antes da disposição dos resíduos sólidos, são feitos estudos técnicos do solo e obras civis para evitar a contaminação da área vizinha. Cada porção de terreno onde se coloca o lixo é previamente impermeabilizada para evitar que os fluidos da decomposição cheguem ao solo, subsolo e fontes de água. Os resíduos são compactados para otimizar a utilização do espaço e, uma vez completa e fechada cada área, sobre ela se planta vegetação para transformá-la em jardim.

“Este aterro sanitário é uma obra que a comunidade apóia por seus resultados” e seu objetivo é o de passar a imagem de que, manejado técnica e ambientalmente, “pode se converter em um ecossistema benéfico para a população”, afirmou Díaz. Diariamente são programadas duas visitas guiadas por ambientalistas pelo Parque Ecológico Reciclante, no qual se converteu o aterro sanitário.

Para a ministra do Meio Ambiente, Sandra Suárez, este tipo de iniciativa “constitui um modelo para mostrar ao país e um exemplo que se espera ver multiplicado” em outras regiões. Suárez escolheu Don Juanito como cenário para o lançamento, em julho, do programa governamental “Colômbia sem lixão a céu aberto”, com o qual se pretende enfrentar o problema da destinação final de resíduos sólidos, que segundo alguns analistas, está a ponto de entrar em colapso. O programa tem o objetivo de auxiliar os municípios no processo de fechamento de lixões a céu aberto e sua conversão em aterros sanitários.

Segundo a ministra, o país produz 27,3 mil toneladas de lixo por dia, dos quais 65% são resíduos orgânicos e 35% inorgânicos. Apenas 40% têm um manejo adequado, 50% são tratados de forma indevida e 10% são recuperados com a reciclagem. O procurador Edgardo Maya qualificou, em um relatório de junho de 2004, como “um atentado à saúde pública” a crise sanitária colombiana devido à destinaçãoo imprópria de seu lixo. Em seu informe, o chefe do organismo de controle indicou prefeitos e autoridades ambientais como responsáveis pela emergência, por omitirem o cumprimento de normas vigentes.

Coisas belas

A visita começa na área onde estão diferentes espécies de bambu japonês (Phyllostachys áurea) e de bambu colombiano (Angustifolia kunth), do gênero de bambus espinhosos da América, que segundo os guias são muito úteis para proteger as reservas de água.

O Parque também conta com um lago artificial, a poucos metros de uma área fechada de disposição de resíduos recolhidos na cidade em anos anteriores. No lago e arredores coabitam exemplares de fauna nativa e exótica que chegam atraídos pela exuberante vegetação, produto do processo de compensação ambiental realizado. “Seus jardins e caminhos convidam ao descanso e demonstram que do lixo também podem sair coisas belas”, disse ao Terramérica Ana Jiménez, universitária e uma das mais de 20 mil pessoas que visitaram o Parque nos últimos três anos.

Licença ambiental

O documento apresentava resultados de um estudo coordenado pela delegada para Assuntos Ambientais e Agrários em 194 municípios, incluídas 28 capitais de Departamentos, com uma população de 29 milhões de pessoas.

De acordo com o estudo, 41,4% dos municípios incluídos na mostra operavam sem contar com licença ambiental ou plano de manejo dos lixões, violando leis segundo as quais toda atividade que deteriore os recursos naturais ou introduza modificações consideráveis à paisagem ou ao meio ambiente necessita de autorização.

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