
Na manhã de 21 de setembro, estudantes do nível médio, universitários e ambientalistas se mobilizaram em frente à Assembléia Legislativa e participaram da sessão na plenária para mostrar aos deputados estaduais que não aceitam a implantação de usinas de álcool na Bacia do Alto Paraguai (BAP).
Durante a sessão, vários deputados se comprometeram a analisar com responsabilidade o projeto de lei do secretário de Produção e Turismo, Dagoberto Nogueira, que visa alterar a Lei estadual 328/82 que proíbe usinas na BAP, e afirmaram que não irão aprovar se constatarem que o Pantanal pode ser prejudicado.
O momento mais aplaudido pelos manifestantes foi quando Mário Montavani, diretor das Relações Institucionais do SOS Mata Atlântica, entregou um abaixo-assinado com 10 mil assinaturas pedindo o apoio dos deputados estaduais para que o projeto de lei não seja aprovado.
Durante a plenária deputados como Ary Rigo, Pedro Kemp, Raul Freixes, Onevan de Matos, Pedro Teruel e Ary Artuzi mostraram-se contrários a alteração da Lei 328/82. Ary Rigo chegou a criticar os prefeitos da região Norte do Estado citando o problema ambiental do Rio Taquari: “O Rio Taquari é o maior desastre ecológico do Brasil na atualidade, ao invés de buscar soluções para este problema, há representantes que buscam implantar usinas na Bacia do Alto Paraguai, as usinas não vão causar melhorias e sim mais danos para o Taquari”.
Já o Deputado Waldir Neves, presidente da Comissão do Meio Ambiente, assegurou aos presentes que a Assembléia Legislativa será responsável. “Tenho convicção de que a Casa não vai permitir que qualquer investimento que coloque o Pantanal em risco seja aprovado, não vamos permitir que aconteça o que aconteceu no passado com o nosso Rio taquari”, afirmou.
Mudança
Reconhecendo os impactos que as possíveis instalações podem causar ao meio ambiente o deputado Ary Artuzi mudou de posicionamento, antes acreditava que as usinas trariam desenvolvimento, mas agora é contra as usinas de álcool na BAP.
“Eu até era a favor da alteração, mas desde que tivesse usinas para serem instaladas, mas em MS tem poucas usinas de álcool e tem muitas outras regiões, fora da BAP, que podem ser implantadas.
O coordenador do parlamento indígena do Pantanal, Lísio Lili, também esteve presente na manifestação e criticou os problemas sociais desencadeados pelas usinas de álcool. “Acabamos de assistir no jornal a situação degradante que as comunidades indígenas estão vivendo por causa das destilarias, os índios estão lá escravos em um sistema econômico que é pervertido e que é imoral. Então as usinas ao contrário do que está se dizendo não é uma boa economia para o nosso Estado”.
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