
Segundo o geólogo Zanoni Carmo Ferreira, coordenador do Projeto de Preservação do Bioma Zonas Costeiras da Divisão de Conservação de Ecossistemas do Ibama “os manguezais concentram amostras de todos os elos da cadeia alimentar, e os danos causados pelo homem nessas áreas são muitas vezes irreversíveis, causando sérios problemas à recuperação do bioma.
Por isso, recomenda o correto manejo sustentável dos mangues, a prática de educação ambiental, e a criação de mais reservas, como alternativas para frear a destruição do ecossistema e, ao mesmo tempo, proporcionar um melhor aproveitamento de seus recursos naturais renováveis: madeira, agricultura, pastagem, água, pesca, energia, etc..
Nessa linha de conservação, os especialistas do ministério do Meio Ambiente e do Ibama estão incentivando o intercâmbio de experiências educativas e de pesquisas nos manguezais, no sentido de melhorar a qualidade de vida das populações tradicionais e residentes nesses locais através da preservação e do uso sustentável dos recursos naturais extraídos nessas áreas.
Pesquisa do coordenador do Projeto de Conservação do Bioma Zonas Costeiras do Ibama concluiu que as áreas de manguezais possuem elevada produtividade biológica, são berçários para diversas espécies e de vários tipos de recifes de corais, e ricas em espécies de grande interesse econômico: camarões, caranguejos, ostras, e diversos tipos de peixes.
“Muitos são organismos que se reproduzem no ecossistema ou passam pelo menos o seu estágio inicial entre as raízes das árvores ou em pequenas poças formadas sobre o solo”, informa Zanoni. Entre as inúmeras razões para conservar os manguezais, ele destaca:
Manutenção e suporte de sua rica biodiversidade;
Provisão de habitat para seres humanos e para migração;
Berçário de diversas espécies;
Provisão e regeneração de nutrientes;
Ambiente de procriação de espécies;
Manutenção e proteção de recifes de corais;
Prevenção à erosão;
Reservatório regional e redutor da poluição da água;
Regulador de vazões nos períodos de enchentes;
Ambiente de recreação e pesquisa.
Entre as causas mais freqüentes da destruição dos mangues, a pesquisa do geólogo do Ibama aponta: desmatamento ilegal de madeira dos bosques para produção de lenha, construções, agricultura, pastagem, aqüicultura, indústrias, depósitos de lixo e loteamento imobiliário.
O bioma também sofre devido a estradas mal planejadas, construções desordenadas de estabelecimentos urbanos, portos, marinas, canais, e projetos de agricultura, aqüicultura, pesca artesanal e esportiva.
Dados fornecidos pela Assesoria de Comunicação do Ibama.
Outros danos
Outros danos: poluição das águas por atividades industriais: mineração, descargas de efluentes químicos e térmicos e de derivados de petróleo, barragens e desvio de cursos d’água doce.

Ameaças
A pesquisa aponta, ainda: catação descontrolada de crustáceos, moluscos e mariscos, extrações de tanino (óleo para curtir couros) e de plantas medicinais, apicultura e turismo ecológico sem prévios planos de manejo, além de pesquisas científicas sem autorização.
Algumas espécies da flora e da fauna que habitam os manguezais: garça azul, garça branca, jaçanã, socó, maçarico de coleira, mão pelada, algas, abelhas, martim pescador, aratu do mangue, guará, crustáceos, moluscos, peixes, répteis, mamíferos, sarará, aninga, raiz de siriúba, barba de velho, chama maré vongole, etc..

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