Federico Meléndez Valdelamar (fdemen@yahoo.es)- La Prensa: Panamá.
A existência de 2% de água doce no planeta terra e de 1% para consumo dos seres humanos deixa qualquer um de cabelo em pé. O percentual é ínfimo se for compara do com os 98% de existência de água salgada em todo o planeta.
As cifras que se exibem são alarmantes, mas ainda assim, há o que consideram que o problema do recurso hídrico não é de escassez nem de distribuição, mas da má gestão que se dispensa ao precioso liquido.
César Herrera, secretário-geral do IV Fórum Mundial da Água que será celebrado no México – em março de 2006 – disse recentemente que “a água é condição mínima para melhorar a qualidade de vida de todos os seres humanos e que de sua boa gestão depende o desenvolvimento da grande maioria das comunidades do mundo. O problema é que a cada ano se extrai mais água para usar na agricultura, indústria e em nossas casas. A população cresce rapidamente e uma das conseqüências é uma disponibilidade cada vez menor do recurso. Em realidade apesar de que só 1% da água doce no mundo está disponível para consumo humano, a crise da água que enfrentamos atualmente não provém da escassez do recurso, mas de sua má gestão”.
Sobre isto o diagnóstico existente observa que “nos países desenvolvidos, o problema da água afeta sobretudo a conservação da natureza e as possibilidades de crescimento econômico; enquanto que nos países subdesenvolvidos, além de tudo isto, se desencadeiam doenças e diversos problemas de outra índole, já que a escassez natural da água se agrava pelo desperdício e a contaminação, ameaçando quatro aspectos fundamentais da seguridade humana:
a produção de alimentos,
a saúde humana,
o equilíbrio dos ecossistemas,
e a estabilidade social, econômica e política”.
Um dos problemas que mais tem afetado a aproximação de uma visão holística sobre o tema, é a perspectiva fragmentada e reducionista com que se insiste em olhar um dos eixos de discussão de maior envergadura para a existência humana sobre o planeta.
O ONU estima que ao redor de 1,2 bilhão de pessoas – 50% da população mundial – carecem de instalações básicas de saneamento, e 2,6 bilhões ainda não têm esgoto sanitário e consomem água de fontes não seguras e/ou contaminadas. Isto significa, agrega a entidade, que mais de 20% da população mundial não têm acesso à água de qualidade.
Mesmo quando em geral África, Ásia, América Latina e Caribe, que abrigam 82,5% da população mundial, tenham atendido com saneamento de 42 a 52% da população total, ao ritmo atual de investimentos, o acesso universal à água potável não poderá ser atingido antes de 2050 na África, 2025 na Ásia e em 2040 na América Latina.
Quando se olha para a América Latina e o Caribe as percepções caminham entre uma pá de cal e outra de areia. Stein Ansien, diagnostica a situação da seguinte maneira: “A região da América Latina e Caribe é rica, em geral, em fontes de água e segundo a ONU em seu relatório Mundial de Água e Desenvolvimento (WWDR) de 2003, conta com serviços de saneamento e abastecimento de água relativamente altos, mas com variações internas enormes, especialmente com relação à cobertura rural e urbana. Ao lado disto, existe o problema de que a maioria dos rios e caudais de água que percorrem as cidades da América Latina estão fortemente contaminados”.
“A água potável e esgotamento sanitário são essenciais para proteger a saúde das crianças e sua capacidade de aprendizagem na escola. Neste sentido, ambos são tão importantes para a educação da infância como as cartilhas escolares”, sustenta Carol Bellamy, diretora executiva do Fundo das Nações Unidas.
Bellamy vai mais além das frias estatísticas e acrescenta que “se não se pode oferecer estes serviços básicos aos estudantes, a comunidade internacional deixaria de cumprir três dos objetivos de Desenvolvimento do Milênio para a data limite do ano 2015: igualdade de gênero na educação, educação básica universal e sustentabilidade ambiental”.
O lema do IV Fórum Mundial da Água, “Ações locais para um desafio global”, só pode ser construído a partir do reconhecimento de que se o uso sustentável da água é uma responsabilidade de todas as nações, só pode se materializar mediante ações concretas que se empreendam em cada país, região e localidade.
Fóruns
Desde 1997, o Conselho Mundial da Água junto com os países-sede, celebra a cada três anos um fórum Mundial da Água que tem se tornado o cenário mais importante para promover políticas sustentáveis no manejo do recurso em todo o mundo.
Os fóruns de água têm transitado de uma Visão Mundial da Água – produto do II Fórum -, ao estabelecimento de ações e compromissos concretos derivados do III Fórum. Agora, o desafio é tornar realidade tais ações e compromissos com a participação de atores locais para construir, com a sociedade, a Visão Mundial da Água e traduzir o apoio de instituições e organizações internacionais em ações específicas.
Para isto, a celebração do IV Fórum, que por decisão da Assembléia Geral do Conselho Mundial da Água será no México no próximo ano terá como tema central “Ações locais para um desafio global”.
Durante a Cúpula Ministerial do III Fórum Mundial, celebrada no Japão em 2003, se reconheceu que a água é a força que impulsiona o desenvolvimento; indispensável para a erradicação da pobreza e da fome; e indispensável para obter a saúde e o bem-estar da humanidade.
“A água é um assunto de segurança e de sobrevivência para todas as nações e somente poderá ser abordado e resolvido em uma lógica global”, disse recentemente o Presidente do México, Vicente Fox.
Autor
O autor é jornalista, membro da Rede Interamericana de Comunicação Ambiental (Redcalc) e da Red de Água de Centro-américa.
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