O Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), evento realizado desde 1999 na cidade de Goiás Velho (GO) e cuja sétima edição foi aberta oficialmente nesta terça-feira, dia 31 de maio, incluiu na seleção de filmes concorrentes deste ano um documentário que levanta graves denúncias sobre a atuação dos lobbies políticos e empresariais na polêmica questão do amianto, mineral já banido em 42 países (em toda a Europa e em muitos dos demais países desenvolvidos), mas ainda explorado e comercializado no Brasil.
Com a apresentação do documentário de média metragem “A Morte Lenta pelo Amianto” (“Asbestos, a Slow Death”), dirigido por Sylvie Deleule em produção francesa que já foi exibida na França, Alemanha, Japão e Canadá, o Festival abre espaço, pela primeira vez em sua história, para o debate de um tema que deve crescer na discussão ambiental no Brasil.
Até porque o Governo Federal ainda não assumiu posição clara sobre o assunto e o projeto de lei que visa banir o uso do amianto no Brasil, de autoria dos deputados Fernando Gabeira e Eduardo Jorge, continua com sua tramitação paralisada, explica Fernanda Giannasi, auditora fiscal do Ministério do Trabalho desde 1983, e líder da luta pelo banimento do amianto no País.
Fernanda Giannasi e a diretora Sylvie Deleule pretendem aproveitar o Festival para ampliar o debate entre os ambientalistas, intelectuais, cientistas, órgãos do governo e a imprensa.
No filme, Sylvie Deleule inclui pesquisa detalhada e depoimentos sobre a luta contra o amianto na França, Canadá, Alemanha e Brasil, ouvindo trabalhadores que foram vítimas do produto, cientistas, médicos, sociólogos, políticos e ambientalistas. Na parte brasileira do documentário, alguns dos depoimentos mais relevantes são os de Fernanda Giannasi; de trabalhadores vitimados pelo amianto e do deputado Ronaldo Caiado, que assume abertamente o fato de ter recebido pagamento em dinheiro para lutar a favor da continuidade da exploração do amianto no Brasil.
Segundo Fernanda Giannasi, “o mineral, ao ser utilizado na fabricação de telhas, caixas-d’água, pastilhas de freio, entre outros produtos, pode provocar doenças respiratórias e câncer. O Brasil segue na contramão da principal tendência mundial, já que o amianto foi proibido em grande número de países, entre eles Alemanha e França.”
Em seu documentário, Sylvie Deleule conta a tumultuada trajetória da luta contra o amianto em diversos países, especialmente a França, que levou mais de vinte anos para proibir esse produto cancerígeno enfrentando a resistência do lobby empresarial e político; há depoimentos sobre a situação da Alemanha e citações sobre outros países europeus que também baniram o amianto.
Além da Europa e do Brasil, o filme concentra seu foco sobre a situação do Canadá, que ainda mantém a exploração e é atualmente uma das principais fontes de pressão no lobby pró-amianto. Durante sua exibição no Canadá, inclusive, o documentário foi objeto de forte protesto encabeçado pela indústria do amianto.
Em relação à questão ambiental e de saúde pública no Brasil, o filme francês aborda também o gravíssimo problema dos passivos social e ambiental gerados pelo abandono da primeira mina de amianto explorada comercialmente no Estado da Bahia entre os anos 30 e 60.
Gestão da água
A Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental – SNSA, do Ministério das Cidades – MCidades, por intermédio do Programa de Modernização do Setor Saneamento – PMSS, em parceria com a HYDROAID – Escola Internacional de Água para o Desenvolvimento, sediada em Turim (Itália), tem o prazer de informar a V.Sa. que estão abertas as inscrições do processo seletivo para o “Curso de Gestão Integrada das Águas e dos Resíduos na Cidade”. A Chamada Pública Nº 003/2005, com informações referentes ao Curso e ao respectivo processo seletivo, que se encerra no dia 20 de junho de 2005, pode ser acessada no sítio do Ministério das Cidades, por meio do endereço eletrônico www.cidades.com.br.
Informações adicionais poderão ser obtidas no endereço eletrônico www.snis.gov.br/curso ou pelo telefone (61) 315-5329, com os Engenheiros Dante Larentis ou Maria de Fátima Sousa.
Sinopse
“Em 2005, o uso do amianto já está proibido em toda a Europa e na maioria dos países desenvolvidos. Médicos e cientistas sabiam, desde a década de 1950, sobre os riscos que o amianto representa para a saúde pública. Como eles puderam aceitar essa situação durante tanto tempo no hemisfério Norte e como podem aceitar, hoje, que a exploração do amianto continue florescendo em tantos países do hemisfério Sul? Será que a vida humana é um preço aceitável a se pagar pelo enriquecimento econômico de algumas empresas? A investigação feita para o documentário foca principalmente a Europa, Canadá e Brasil, e os fortes interesses econômicos que ainda lutam para manter essa denúncia bem escondida.”
Ficha Técnica
Diretora: Sylvie Deleule
Roteiro: Sylvie Deleule
Produção: Luc Martin-Gousset & Serge Gordey
Edição: Marion Chataing
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