
Carlos Marchiori
A crise pela falta de água que hoje assola o RGS com certeza não é decorrência somente da falta de chuvas, nem tampouco de um determinado setor da economia. É sim, e em grande parcela, fruto do nosso uso irracional e indiscriminado dos “recursos” naturais, no caso as águas superficiais ( rios, lagos, açudes, etc) disponíveis.
Sempre utilizamos a água e o ambiente como se fossem infinitos e que nunca deixariam de estar a nossa disposição quando precisássemos, mas agora a crise de água para consumo humano nos faz perceber que não é bem assim.
A natureza está mostrando que existem limites e que não devemos pensar que somos a última geração e única com direito a vida. A crise é uma simples resposta da natureza. Os recursos naturais( no caso a água) são renováveis do ponto de vista qualitativo, mas são finitos e obedecem um tempo que respeita o ciclo das águas ou hidrológico.
A interferência do homem neste ciclo tem causado fortes consequências já percebidas em cidades como São Paulo onde as chuvas, principalmente do tipo convectivas causadas por diferenças de temperaturas, deixaram de cair sobre as áreas vegetadas para cair justamente sobre as grandes manchas urbanas (impermeabilizadas pelo asfalto e pelo concreto), deixando a cidade caótica sempre que chove.
O assunto é longo e aqueles que quiserem integrar uma comissão permanente pela efetivação da Área de Preservação do Banhado Grande, buscando ajudar a reverter este negro futuro com a criação do respectivo Conselho Gestor da APA, conforme previsto na Legislação federal 9985/2000, do SNUC, que tem uma área de cerca de 136.000 hectares e que abrange boa parte dos municípios de Viamão, Gravataí, Glorinha e Santo Antonio da Patrulha, é só responder a este e-mail: cmarchiori@cpovo.net – dizendo que tem interesse em engajar-se nesta luta que pretende ajudar a construir/conservar/preservar o ambiente em que vivemos.
Carlos Marchiori é geólogo, integra a diretoria da ONG Sociedade Amigos da Água Limpa e do Verde.
Visite o site da Sociedade Amigos da Água Limpa e do Verde: www.saalve.org.br
Consequências
Na região metropolitana de Porto Alegre a resposta da natureza as nossas ações tem apenas causas e consequências diferentes, mas se mostra de forma muito mais preocupante (ao invés de chuvas nas áreas urbanizadas temos escassez de águas para manutenção da vida).
Estamos testemunhando o que alguns chamam de situação atípica, mas que pode ser a primeira de uma série de eventos de escassez. Estamos sofrendo hoje as conseqüências do que teve início na década de 70 quando iniciou-se a drenagem do Banhado Grande com o canal do DNOS, hoje o próprio “rio” Gravataí, como forma de manejar a área e suas águas ao plantio de arroz, além do crescimento desordenado de diversos segmentos que não levam em conta a capacidade do solo, das águas, dos ecossistemas, etc, em sustentar o desenvolvimento.

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