
Presidente da Corsan: bacias hidrográficas não se recuperaram.
Um verão particularmente quente e seco no Rio Grande do Sul e a demanda aquecida de água para abastecimento e irrigação de arroz tornaram aguda a situação de disputa pelos mananciais hídricos da Região Metropolitna de Porto Alegre que concentra cerca de 1/3 da população gaúcha.
A bacia do Rio Gravataí, um manancial já bastante exaurido pela poluição e pela grande demanda no verão, percorre uma região densamente povoada e com muitas lavouras de arroz que ao longo dos últimos anos foram ocupando os antigos banhados que serviram de alimentadores do manancial. Apesar dos grandes esforços feitos pelo Governo do Estado e pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) ao implantar redes e estações de tratamento de esgoto em Cachoeirinha e Gravataí, – duas das cidades mais afetadas pela dificuldade de abastecimento – grande parte do esgoto continua a sair pela rede pluvial sem tratamento, diretamente para o Rio Gravataí.
Nesta última semana, como medida extrema, várias minibarragens de irrigação – muitas delas sem licenciamento – foram desativadas em uma ação conjunta da Corsan, Batalhão Ambiental da Brigada Militar e Secretaria do Meio Ambiente do Estado. Embora a vazão do Rio Gravataí tenha aumentando um pouco com a liberação da água que antes era canalizada diretamente para as lavouras o conflito ficou evidente mostrando a necessidade de um programa de longo prazo para a recuperação da Bacia.
Após coordenar, no Palácio Piratini, reunião de avaliação das providências do Executivo para amenizar as conseqüências da estiagem no Rio Grande do Sul, o governador Germano Rigotto anunciou novas ações de apoio aos municípios com problemas mais sérios de abastecimento de água. Entre as decisões, Rigotto destacou a fiscalização permanente do rio Gravataí pelo Batalhão Ambiental da Brigada Militar. O objetivo é impedir a instalação irregular de bombas de irrigação e a construção de barragens no rio. Será estudada a redução das horas de racionamento da água potável à população, mas o racionamento continua. A perfuração de poços artesianos terá continuidade e, a cada 72 horas, o governo fará encontros para a análise do que foi realizado e do que ainda falta fazer.
Segundo Rigotto, o quadro do abastecimento de água é grave nos municípios de Gravataí, Alvorada, Cachoeirinha e Viamão, na Região Metropolitana, e em Garibaldi e Nova Petrópolis, no interior. As medidas tomadas, ajudaram a reduzir os problemas. Foram destruídas 20 barragens irregulares ao longo do rio Gravataí e lacradas diversas bombas de irrigação. As ações resultaram na elevação de 1,5 metro no nível do rio. Por outro lado, há o trabalho de perfuração de poços, executado pelas secretarias da Agricultura e Abastecimento e a de Obras Públicas e Saneamento. Em 2003, o investimento foi de R$ 1,8 milhão e, neste ano, mais R$ 1 milhão. De acordo com o governador, já foram perfurados mais 300 poços artesianos nos últimos dois anos no RS. Isso ajudou, mas nem sempre as medidas produzem os resultados desejados pela população. Muitos poços não têm boa vazão de água, explicou Rigotto.
Projeto de Saneamento

Na reunião, em que estiveram presentes as secretarias de Obras Públicas e Saneamento, Meio Ambiente e Casa Civil, além da Corsan, do Irga, Batalhão Ambiental, Defesa Civil e representantes da Fiergs e Farsul, o governador Rigotto concluiu ser urgente a adoção de “projeto mais forte de saneamento para os rios Gravataí e Sinos. Sobrevoei na semana passada o Gravataí e fiquei impressionado com o desvio irregular de água, que está sendo atacado, com o lixo e o lançamento de esgotos. Há uma total falta de cuidado com a preservação desse manancial. Existe pouca responsabilidade com o rio”.
O novo projeto de saneamento terá a participação dos municípios, população e Governo do Estado. “Nos próximos dias haverá campanha educativa mais intensa de conscientização da população para evitar o desperdício de água, principalmente com a lavagem de carros ou calçadas, rega de jardins, torneiras abertas. Peço que os meios de comunicação nos ajudem”, disse o governador.
Rigotto pediu a sua equipe de governo, a elaboração de um projeto de melhoria do sistema de açudes no Rio Grande do Sul. O propósito é reduzir a necessidade de captação de água diretamente dos rios, principalmente nos períodos de baixo ciclo de chuvas.
Ao término da reunião, o presidente da Corsan, Vitor Bertini, destacou que a escassez de chuvas vem desde o verão de 2003 e 2004. “Não houve recuperação das bacias hidrográficas do Rio Grande do Sul. Nos 38 anos da história da Corsan nunca registramos um nível tão baixo de água na captação do rio Gravataí”, afirmou Bertini. O secretário Frederico Antunes adiantou que vai cobrar dos municípios o uso dos R$ 5 milhões repassados pelo governo entre os anos 2003 e 2004 para a implantação de sistemas de água.
De acordo com Antunes, os recursos são provenientes do Fundo de Recursos Hídricos e, dos primeiros 97 municípios inscritos e examinados pelo governo no começo de 2004, de 30% a 35% não chegaram a utilizar a verba. “Esse dinheiro poderia ter ajudado muitas cidades na redução do impacto da estiagem”, disse o secretário. Ele adiantou que, em março, o governador Rigotto anuncia a nova Política Estadual de Saneamento Ambiental para o Estado.
As regras tratarão de questões como, por exemplo, o lançamento de lixo nos rios e o licenciamento para o uso de bombas de irrigação de lavouras.
Nossa opinião
A comemoração dos 10 anos da Lei de Recursos Hídricos do Rio Grande do Sul, em 2004, mostrou que foi acertado o alerta à população e às lideranças sobre a necessidade de implementar os instrumentos para a adequada gestão dos recursos hídricos.
Entre estes a criação das Agências de Região Hidrográfica, um requisito indispensável para a elaboração dos planos de bacias e iniciar rapidamente a revistalização dos mananciais gaúchos.
Perdas na economia
A Emater/RS-Ascar concluiu novo levantamento sobre as perdas com a estiagem na agropecuária gaúcha. O milho segue como uma das culturas mais prejudicadas com perdas estimadas em 37,71% no rendimento médio. Deverão ser colhidos 2.190 quilos por hectare contra os 3.516 quilos esperados inicialmente.
O feijão 1ª safra está com 90% de área colhida e registra quebra de 29,65%. Os agricultores gaúchos deverão colher aproximadamente 74 mil quilos do produto, quando o esperado era retirar 105 mil quilos nos 98.809 hectares plantados. Conforme o levantamento da Emater/RS-Ascar, realizado em 124 municípios e que representam 68% da área, o rendimento médio deverá ficar em 752 quilos por hectare. As regiões mais prejudicadas são Bagé (58,5%) e Caxias do Sul (49,7%).
Na avaliação do diretor técnico da Emater/RS, Ricardo Schwarz, a situação é grave e as perspectivas não são muito boas. “O ideal para a agricultura gaúcha seriam chuvas bem distribuídas em torno de 30 milímetros por semana”, destaca Schwarz. Conforme a avaliação da Emater/RS-Ascar, feita com base nos dados do 8º Distrito de Meteorologia, no período entre novembro de 2004 e janeiro de 2005 o desvio em relação à média histórica, em algumas regiões, foi superior a 50%.
Recomendações
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul está divulgando as seguintes recomendações:
I- aos municípios
Prefeitos matenham-se atentos aos recursos hídricos de seus municípios, principalmente na utilização indevida;
Orientem as Secretarias Municipais de Educação a desenvolverem campanhas orientando a população contra desperdício d’água potável;
Orientem suas Secretarias competentes para começarem a identificar locais alternativos para o suprimento da demanda de água da população, bem como vistoriar periodicamente as redes de abastecimento d’água, para evitar vazamentos;
Reunam os presidentes de bairros e, em conjunto com os órgãos de comunicações, desenvolvam ações educativas e preventivas dirigidas as igrejas, núcleos comunitários, clubes, hotéis, hospitais e moradores.
II – Aos cidadãos
Durante o banho, desligue o chuveiro ao ensaboar-se, e não demore ao enxaguar-se;
Cuide vazamentos em vaso sanitários, bacias, principalmente válvulas defeituosas;
Evite usar lavadora de roupas ou lavadora de louças, com poucas peças, bem como evite o uso freqüente; você pode economizar água também, ao lavar roupas ou louças, elaborando um programa de utilização da água nestas atividades;
Tome cuidado para não deixar a torneira da pia aberta, enquanto você escova os dentes ou faz a barba;
Evite lavar o carro, lavar a calçada, molhar a grama ou utilizar a água para pequenas atividades, na área da construção civil, neste período de estiagem;
Seja criativo reaproveite a água que você usar, sempre que puder, seja um fiscal de seu município, ajude o poder público municipal, tendo consciência que a água é um recurso finito.

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