
O primeiro impacto que o palco do Fórum Social Mundial (FSM) produz no visitante é de fé na humanidade. É de crença que esses homens e mulheres, que se reúnem anualmente, vindos de várias partes do planeta em busca de alternativas para um mundo melhor, podem mesmo provocar mudanças.
Mas quando nos deparamos com um total desrespeito ao ambiente, materializado em milhares de garrafas pet, papéis e latas de refrigerantes espalhados pelo local do show que abriu o evento o sentimento é de desconsolo. E quando se vê que o trabalho dos garis, no dia seguinte, é praticamente insano porque em seguida o chão se coalha novamente de lixo, o que fica é a desesperança.
Será que o mundo melhor com que todos sonham será erguido sobre um mar de lixo? Que alicerces podem ser construídos com uma visão tão vesga da supremacia do homem sobre a natureza? Se não conseguimos nem mesmo mudar nossos maus hábitos – o que depende fundamentalmente de nosso própria vontade – que autoridade podemos ter para tentar mudar o pensamento de outros?
Como bradar e exigir respeito ao meio ambiente, preservação de rios e florestas se não respeitamos nem mesmo o espaço onde estamos realizando nossos protestos?
De que adiante colocar no material a recomendação de reciclar o lixo e informar que só na capital gaúcha 7 mil pessoas garantem seu sustento com o lixo reciclado? Parece ironia quando se vê as pessoas descartando os restos de seu consumo no chão, às margens do principal manancial de abastecimento de Porto Alegre!
Faz muito tempo que essa história se repete e as mudanças não virão nem para a próxima geração, infelizmente. O FSM tem que trabalhar muito para dentro de si mesmo para que o outro mundo possível comece a se delinear.
Omissão ou descaso?

Apesar de contar com um espaço temático importante para as questões ambientais a organização do FSM não parece ter intronizado esse componente na sua estrutura organizacional.
Em primeiro lugar pela montanha de material impresso que circula pela cidade do Fórum. Uma orgia em grande parte desnecessária pois as pessoas abandonam panfletos e sacolas um pouquinho adiante de onde os receberam.
Em seguida pela falta total de orientação aos visitantes para os cuidados com o lixo no próprio local do Fórum. Se nem mesmo no espaço temático do meio ambiente isso é observado o que se pode esperar dos demais!
A impressão que fica é de omissão. Muito pior será se for mesmo descaso!
PL do Saneamento vai para o Congresso
Um projeto de lei para o Saneamento, cuja proposta original ainda está sendo reformatada, deverá ir para o Congresso nacional nas próximas semanas e reabrir o debate. A informação foi dada à Aguaonline pelo ministro Olívio Dutra, em entrevista concedida no FSM, em Porto Alegre.
O ministro disse que todas as sugestões foram analisadas e que muitas podem ser aproveitadas desde se enquadrem nas diretrizes de contemplar o planejamento, maior eficiência dos prestadores de serviço e controle social.
Os comentários ouvidos nos bastidores do FSM são de que o governo federal contratou consultores jurídicos de renome nacional para avaliar os dispositivos do PL uma vez que houve muitos questionamentos a respeito da constitucionalidade de alguns dos artigos.
Uma versão já modificada – mas ainda sujeita a retoques – apresentada no Conselho das Cidades mereceu a desaprovação de entidades como a Aesbe (Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais) e a ABES (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental).
Isto prenuncia que se não houver algumas correções substanciais no texto a guerra entre os prós e contras vai se dar mesmo no Congresso Nacional.

Leave a Reply