Cluster de Todos os Santos

Eduardo Athayde

Adotando os conceitos de agrupamento, atores internacionais investem na reorganização de setores da sociedade, batizando-os de clusters, com diversas vocações e tamanhos. A Internet, cluster das redes, exerce um papel-chave nesta nova ordem, une virtualmente centros decisores, agiliza a troca de informações, reduz custos e tempo, e, permite decisões rápidas com efeitos diretos nas comunidades e nas empresas.

O professor Michael Porter, renomado professor de gestão de empresas da Universidade de Harvard e promotor do conceito de clusters, afirmou em entrevista à revista Update, da Câmara Americana de Comércio de São Paulo (Amcham): “As cidades devem fazer o melhor uso possível de suas potencialidades, investindo na especialização”.

Os clusters são sinérgicos, diluem custos, somam esforços, otimizam investimentos e potencializam resultados. Setores de telecomunicações, petroquímico, automotivo, hoteleiro, indústria farmacêutica, bancos, são exemplos típicos. As empresas de comunicações estão no mesmo caminho, hoje circulam nos EUA 1.483 jornais diários, a maioria controlada por seis empresas.

A respeitada empresa de pesquisa AT Kearney, responsável pelo mais importante relatório sobre investimentos internacionais, divulgou suas informações no início de fevereiro de 2001 mostrando o Brasil em terceiro lugar no ranking dos países mais procurados pelos investidores internacionais, atrás apenas dos EUA e China.

Pesquisa de opinião pública internacional realizada pela Espanha – um dos países que mais investem e ganham com o entretenimento no mundo – buscou identificar o perfil do novo turista. O resultado surpreendeu os espanhóis: o novo turista quer paz, ir para algum lugar para fazer nada, tropical, com gente amiga e festeira, praias calmas, água morna e cristalina, natureza intacta e comida saborosa. Eles fogem de hora marcada, querem ar livre e hotéis de mil estrelas. Onde tem tudo isto?

O inconsciente coletivo do turista internacional criou um sonho idílico e está a procura desta terra da felicidade! Precisamos nos preparar com inteligência para este encontro. Temos in-natura o que Disney produz em ficção, gerando lá riquezas e empregos, atraindo os recursos do megamercado do entretenimento.

Seus hot-spots abrigam recordes mundiais de biodiversidade – 450 diferentes espécies por hectare (a média numa floresta americana é de cerca de dez espécies/ha). Pode preparar-se para ser mostrada ao mundo como um “cluster econológico”, onde se investe na economia, melhorando a qualidade de vida da sua população e preservando os ecossistemas. Perfeita para o turismo ecológico que teve o ano de 2002 designado pela ONU como “Ano Internacional do Eco-Turismo”.

Enquanto o ecoturismo vira tendência mundial, as florestas encolhem, pressionadas pelo aumento do comércio de produtos do extrativismo florestal que pulou de US$ 29 bilhões em 1961 para US$ 139 bilhões em 1995, especialmente no chamado Primeiro Mundo.

Surgindo como contraponto, os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo, MDL, previstos pelo Protocolo de Quioto, já estão em vigor desde o ano passado. O seqüestro de carbono pelas florestas é um mercado potencial de mais de US$ 10 bilhões. Na floresta plantada o “crescimento” das árvores é comercializado como sumidouro do carbono produzido pelas indústrias dos países emissores. O cluster do reflorestamento embute a idéia da conservação e vai além, preserva gerando emprego e renda, promove lucro social, econômico e ecológico.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está desenhando um novo mapa do Brasil mostrando que estrutura industrial brasileira mudou nos últimos 15 anos, indústrias do mesmo tipo estão se concentrando na mesma região, em busca de melhores índices de produtividade. Observando o reordenamento global vemos que entre 1970 e 2000, 30 anos apenas, a população mundial dobrou, o crescimento econômico desenfreado fez o PIB global passar de US$ 16 para US$ 43 trilhões, no mesmo período, deixando 45% deste montante para 12% da população mundial que vive nos países industrializados.

Autor

Eduardo Athayde é administrador, diretor da UMA-Universidade Livre da Mata Atlântica e editor do WWI-Wordwatch Institute no Brasil. www.wwiuma.org.br. E-mail: uma@fib.br

Renda concetrada

“Com este poder de renda concentrada, megaespeculadores circulam nas bolsas internacionais, fazendo migrar seus capitais na velocidade de um “clique” na www; transferindo seus cobiçados recursos para clusters, pressionando sociedades, empresas e mercados”.

Posição singular

“A Bahia, pelas suas características naturais tem uma posição singular nesta nova ordem, é cluster do acarajé, cluster da música, cluster das festas, da culinária, da cultura, da arte, da folia, do bom clima, da literatura e do cacau.

Tem clusters em todas as áreas que interessam aos bilionários fundos de investimentos internacionais, especialmente os de entretenimento, e mais, tem os clusters intangíveis da cultura de paz, do sincretismo e o da magia, que eles nem sonham existir”.

Guardiã

“A cultura de paz, a folia, a alegria contagiante, a hospitalidade herdada principalmente dos africanos e portugueses, acentuada pela miscigenação da gente, são bens preciosos.

A Bahia é ainda guardiã de parte restante da Mata Atlântica, um dos mais importantes biomas da Terra, declarada pela Unesco como Patrimônio da Humanidade”.

Seus hot-spots abrigam recordes mundiais de biodiversidade – 450 diferentes espécies por hectare (a média numa floresta americana é de cerca de dez espécies/ha). Pode preparar-se para ser mostrada ao mundo como um “cluster econológico”, onde se investe na economia, melhorando a qualidade de vida da sua população e preservando os ecossistemas. Perfeita para o turismo ecológico que teve o ano de 2002 designado pela ONU como “Ano Internacional do Eco-Turismo”.

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