
Cecy Oliveira – editora da Aguaonline
Substância vital a água tem sido a principal protagonista de muitas das calamidades que assolaram o mundo nos últimos anos. Seja por sua força destruidora em enchentes, vendavais ou maremotos. Seja pela escassez em estiagens e secas cíclicas ou provocadas por rigorosas interferências ambientais. Ou pela destruição dos sistemas de abastecimento obrigando a esforços dos organismos internacionais na montagem de infra-estrutura emergencial.
O certo é que a importância da água para a manutenção da vida no planeta não pode ser negligenciada. A sua gestão adequada se mostra a cada episódio destes ser o caminho certo para que possa servir e não destruir. A implantação de um sistema completo de gestão, com seus organismos e comitês de bacia, seus instrumentos e seus planos e projetos e principalmente recursos tem que ser prioridade para os governos, tanto o federal quanto os estaduais e municipais.
Em lugar de obstáculos ao crescimento das cidades ou depósito de lixo, como os consideram inúmeras municipalidades, os recursos hídricos devem ser um componente importante nos planejamentos municipais. Só a correta gestão dos recursos hídricos possibilita a prevenção dos desastres, poupa vidas e perdas econômicas e conduz à prosperidade.
1.A prioridade para a saúde entre as populações desabrigadas após o episódio – terremoto e tsunami do Oceano Índico (28 dezembro 2004) permanece sendo o suprimento adequado de água segura. Estima-se que entre 3 a 5 milhões de pessoas estejam sem acesso a essa necessidade básica o que pode representar uma ameaça ao incremento de doenças. Em numerosos países já há notificação de aumento de casos isolados de diarréias. (OMS, 2005).
2. O Unicef alerta que sem uma ação imediata em escala para providenciar água segura milhões de pessoas estão sob grave risco de contrair doenças de veiculação hídrica.
3. Inundações que assolaram a Asia em 1998 mataram 7.000 pessoas, danificaram mais de 6 milhões de casas e destruíram 25 milhões de hectares de colheitas em Bangladesh, China, India e Vietnã.
4. Em setembro de 2000, enchentes e deslizamento no Japão forçaram a evacuação de 45.000 pessoas; a precipitação foi a maior durante 24 horas desde 1891.
5. Em setembro de 2000 um temporal no Sudeste da Ásia resultou em uma inusitada inundação do Rio Mekong e seus tributários. Os danos foram expressivos:
– A torrente de água atingiu o norte da Tailândia, afetou mais da metade de 1 milhão de hectares de colheitas. Perto de meio milhão de pessoas no Delta do Mekong (no Camboja e Vietnã) tiveram que abandonar suas casas.
– No Camboja, a enchente cobriu cerca de 400.000 hectares de colheitas; cestas básicas foram distribuídas para 1.4 milhão de pessoas.
– Na república do Laos, cerca de 18.000 famílias foram evacuadas e 50.000 hectares de colheitas ficaram inutilizados.
6. Os modelos sobre o aquecimento indicam que o aumento global das temperaturas são tais que afetam muitos parâmetros atmosféricos incluindo precipitações e velocidade dos ventos, e incrementam a possibilidade de eventos extremos relacionados ao clima, incluindo tempestades e chuvas fortes, ciclones e secas. Pode ou não ser coincidência o fato de que a Companhia de Seguros Munich Reinsurance Company contabilizou 700 grandes sinistros em 1998, comparado com 530 e 600 nos anos recentes. A mais frequente catástrofe natural são tempestades (240) e inundações (170), responsáveis por 85% do total das perdas econômica (Munich Re 1998) (UNEP Global Environment Outlook 2000).
Fatos sobre a água II
7. Em 1999 sozinhos, os desastres naturais contabilizaram 50.000 mortes. O nível de perdas, naturalmente, é maior nos países mais pobres, onde morrem 13 vezes mais pessoas do que nos países ricos. (WWDR, 2003).
8. Dados do United States Office of Foreign Disaster Assistance (OFDA) e do Centre for Research on the Epidemiology of Disaster (CRED) revelam que mais de 2.200 desastres relacionados com a água ocorreram no mundo durante o período de 1990-2001. Destes as inundações responderam por cerca de metade das ocorrências, sendo que 35% delas ocorreram na Asia, 29% na Africa, 20 % nas Americas, 13% na Europa e o restante na Oceania.
9. A Ásia abriga 60% da população mundial mas apenas 36% dos recursos hídricos. As maiores cidades asiáticas já enfrentam escassez de água doce. O gasto público com os sistemas de água e esgoto é de cerca de 1% do PIB na maioria dos países da região e é ainda insuficiente.
10. O acesso à água segura é áreas urbanas alcança os índices de 35% na Indonésia, 66% no Nepal e 100% nas Ilhas Maldivias e Singapore (UNEP Global Environment Outlook 2000).
11. Na China, mais de 300 cidades já tiveram episódios de racionamento de água (State Planning Commission 1995) e somente 20% dos esgoto doméstico recebe tratamento (State Statistical Bureau 1997).
12. As mais devastadoras enchentes do mundo ocorreram no Rio Amarelo, na China. Em 1887, 900.000 vidas foram perdidas e em 1938 outras 870.0000. Em 1911, 1931, e 1935 foram três episódios, com 100.000 vítimas em cada um na Bacia do Yang-tse, na China.
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