Cerâmica em lugar do amianto

Thiago Romero – Agência FAPESP

Uma nova fibra cerâmica, produzida a partir da escória líquida do alto-forno da siderurgia, surge como uma boa alternativa para substituir o amianto, cujo processo de extração e processamento pode causar danos à saúde.

Segura e econômica, a fibra tem se mostrou versátil para a fabricação de produtos como caixas d’água, pisos e telhas. A novidade foi desenvolvida em São Carlos (SP) por pesquisadores do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC), um dos Centros de Pesquisa, Inovação de Difusão (Cepids) da FAPESP.

“A fibra cerâmica tem as mesmas propriedades físicas do amianto, porém sem os problemas causados por este último ao organismo humano”, disse Elson Longo, diretor do CMDMC, à Agência FAPESP. O produto é resultado de parceria com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e está em fase de patenteamento. O desenvolvimento contou com a participação do professor do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Arana Varela.

Segundo Longo, o novo material cerâmico poderá ser aplicado na construção civil, na indústria de autopeças, em lacres e revestimentos de fricção, em bandas de rodagem de pneus e também como material isolante térmico, acústico e de prevenção ao fogo.

“Além do ganho ambiental, o custo do processo de fabricação da fibra cerâmica também será menor”, disse Longo sobre outra vantagem do produto. Segundo o pesquisador, isso ocorre porque a energia para fundir o material no processo atual representa o insumo mais caro da produção. “No caso do uso da escória, ela é recolhida fundida.”

O processo para obtenção da nova fibra começa quando a emissão de ar comprimido em alta pressão contra o fluxo de escória da siderurgia transforma o líquido em filamentos. Em seguida, é feito o entrelaçamento desses fios, que serão ainda tratados com soluções de resinas orgânicas para serem aglomerados, antes de serem usados na linha de produção.

Segundo Longo, as fibras cerâmicas desenvolvidas em São Carlos poderão ser vendidas em breve para a indústria. “Estamos esperando o número do depósito da patente para que a matéria-prima possa ser comercializada no Brasil e no exterior. Já temos uma empresa norte-americana interessada nas fibras”, disse.

Amianto

As fibras de amianto, denominação dada aos silicatos fibrosos, são largamente empregadas na indústria devido à elevada resistência mecânica, abundância na natureza e baixo custo. O Brasil produz anualmente cerca de 200 mil toneladas de amianto e exporta 60% de sua produção para países em desenvolvimento, como Tailândia, México, Colômbia e China.

A única mina de amianto em funcionamento na América Latina se localiza na cidade de Minaçu, em Goiás. Na cadeia produtiva brasileira, que envolve extração, industrialização e venda, o amianto emprega cerca 200 mil pessoas. O Canadá é o maior produtor mundial, com a fabricação de 585 mil toneladas por ano.

O processo de extração e processamento desses silicatos fibrosos pode causar danos à saúde. As pessoas contaminadas por causa da inalação das fibras de amianto podem sofrer doenças como asbestose (endurecimento dos pulmões) ou câncer de pulmão.

Agevap abre vagas

AGEVAP – Associação Pró-Gestão da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, braço executivo do Comitê para Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul – CEIVAP, está com inscrições abertas para preenchimento de vagas em seus quadros.

O Processo Seletivo será executado pela Associação Educacional Dom Bosco, em Resende-RJ, com inscrições abertas até as 14 horas do dia 14 de janeiro de 2005, exclusivamente pela Internet no site www.aedb.br.

Serão disponibilizadas 02 vagas para Especialista em Recursos Hídricos, 01 vaga para Técnico Administrativo e 01 vaga para Técnico em Comunicação Social, todas de nível superior, e 01 vaga para Auxiliar Administrativo, nível médio. A contratação se dará pela CLT. Maiores informações poderão ser obtidas nos sites www.ceivap.org.br e www.aedb.br ou ainda pelo telefone (24) 3358-1500.

CNRH vota sobre uso da água do São Francisco

O Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) se reúne no dia 17 para analisar um parecer da Agência Nacional de Águas (ANA) que garante haver água em quantidade suficiente no Rio São Francisco para a sua integração com bacias hidrográficas do Nordeste.

O projeto é coordenado pelo Ministério da Integração. Se a nota técnica for aprovada, o Conselho publicará uma resolução que viabilizará a outorga de água e o licenciamento ambiental para a obra. O encontro será no Auditório do Ibama (SAIN, L 4 Norte), em Brasília, a partir das 9h.

A Nota Técnica 492 da ANA, de 23 de setembro de 2004, afirma que o São Francisco tem capacidade para fornecer água a regiões do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. O recurso serviria para uso urbano, industrial e agrícola, entre outros.

O Projeto de Integração de Bacias prevê dois pontos de captação, nos municípios pernambucanos de Cabrobó e de Floresta, ambos abaixo da Barragem de Sobradinho, que fica na Bahia. De acordo com a ANA, a água bombeada completaria a quantidade que já existe naquelas regiões, garantindo uma melhor oferta do recurso.

Os membros do CNRH haviam se reunido em 29 de novembro de 2004 para deliberar sobre o assunto. No entanto, foram impedidos por uma liminar apresentada pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Na ação, dois procuradores da República e uma promotora de Justiça sustentaram que não caberia ao Conselho examinar projetos de uso da água antes que o tema estivesse esgotado no Comitê de Bacia Hidrográfica. A Advocacia Geral da União recorreu e conseguiu derrubar a decisão liminar, possibilitando a realização de nova reunião.

De acordo com o Artigo 35 da Lei 9433/1997, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, o CNRH tem total competência para “deliberar sobre os projetos de aproveitamento de recursos hídricos cujas repercussões extrapolem o âmbito dos Estados em que serão implantados”. Confira a Lei 9433 em www.cnrh-srh.gov.br

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