Thiago Romero – Agência FAPESP
Um detergente biológico que pode ser utilizado na recuperação de solos contaminados por derramamento de petróleo. A substância, desenvolvida no Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro, é um biossurfactante que se mostrou capaz de remover o óleo negro de amostras de areia.
O processo de desenvolvimento do produto envolve a utilização de resíduos de óleos vegetais da indústria, como de soja, de milho, de babaçu e de algodão. Tais resíduos servem como meio de cultivo para a Pseudomonas aeruginosa, bactéria responsável pela produção do biossurfactante.
“A bactéria precisa de fontes de carbono para sobreviver. Quando ela está em contato com os resíduos de óleos vegetais, a Pseudomonas adquire o carbono necessário e, ao mesmo tempo, produz o biossurfactante”, explicou à Agência FAPESP o coordenador da pesquisa, Jonas Contiero.
Durante os experimentos, desenvolvidos no Laboratório de Microbiologia Industrial em parceria com a cientista Marcia Mitschke, também do IB, uma amostra de areia foi misturada com petróleo. Em seguida, adicionou-se o detergente biológico na mistura para que a reação fosse observada.
“Depois de duas aplicações do biossurfactante, um composto biodegradável e não tóxico, a areia ficou praticamente idêntica à original e todo o petróleo foi recuperado”, disse Contiero. Ele acredita que o biossurfactante pode ser utilizado ainda como agente de biorremediação de solos e águas contaminadas, e no combate a poluentes como querosene, gasolina e óleo diesel.
Além disso, segundo Contiero, o detergente pode auxiliar no processo de extração de petróleo. “Se de um poço, por exemplo, não for possível extrair a quantidade desejada de petróleo, basta jogar cultura da bactéria Pseudomonas aeruginosa no local para que ela produza o biossurfactante e facilite a retirada do óleo bruto aderido na rocha”, disse o pesquisador. “O composto diminui a tensão superficial, fazendo com que o petróleo aflore com mais facilidade”.
Desertificação mediterrânea
Agência FAPESP
A queima das florestas mediterrâneas é constante, ano após ano. Estimativas dos cientistas mostram que 700 mil hectares são afetados a cada 12 meses pelo fogo.
Por se tratar de um problema grave, a Agência Espacial Européia resolveu montar um projeto específico para monitorar as conseqüências do fogo. Os primeiros dados gerados por essa iniciativa acabam de sair. A vulnerabilidade da costa norte do mar Mediterrâneo é alta, dizem os pesquisadores.
Em quatro países Portugal, Itália, Grécia e Turquia – a situação é mais delicada. Todas essas nações criaram grupos específicos para a geração de novos dados.
O risco da desertificação não está apenas na expansão de áreas já secas. O temor é que novos desertos possam surgir no Sul da Europa. Pelos dados da ESA, 300 mil quilômetros quadrados estão em risco. Nessa área vivem 16,5 milhões de pessoas.

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