A água não é uma mercadoria, mas um bem humano

II Fórum Internacional das Águas – (Prensa Verde- Red Calc) – Especial –

Porto Alegre, Brasil, novembro 10/2004 .- O ex- presidente de Portugal, Mario Soares, também Presidente do Comitê Internacional para o Contrato Mundial da Água, abriu a cerimônia de inauguração do II Foro Internacional das Águas, e ressaltou que “o recurso não pode ser tratado como uma mercadoria, mas, ao contrário, deve ser assumido como um direito humano”.

O estadista português, que tem sido reconhecido em vários países africanos, europeus e asiáticos por sua permanente defesa dos recursos hídricos, disse que a questão da água é um problema mundial dos mais graves, complexos e permanentes”.

“Durante muito tempo os homens não se preocuparam pela água que corria abundante e limpa em várias regiões do planeta, e era vista como um bem eternamente renovável e abundante. Mas com o crescimento da população mundial, a industrialização e o desenvolvimento, seu consumo aumentou exponencialmente e agora o mundo está se tornando consciente de que é um bem precioso e essencial para a vida”, disse Soares.

O político social-democrata recordou que a água se relaciona com o desenvolvimento sustentável e que 1/3 da humanidade – 2 bilhões de seres humanos – continua sem infra-estrutura sanitária. “Haver 1,4 bilhão de pessoas sem acesso à água potável – é uma situação que beira à aberração – e isto se relaciona intimamente com a paz e a democracia”, alertou.

Ele fez alusão ao conflito do Iraque, que disse “deve terminar”, e aos prisioneiros muçulmanos detidos na base de Guantânamo, em Cuba, “aos quais os Estados Unidos devem respeitar como seres humanos”.

Segundo Soares, “a globalização neoliberal de que tanto se fala, não conseguiu deter a desertificação dos solos e a poluição crescente dos rios, e tem sido incapaz de encarar os problemas da água e a pobreza e de obter o Desenvolvimento Sustentável proposto na Cúpula da Terra, do Rio de Janeiro, em 1992, pois “nada aconteceu e tudo está pior”.

Ao indicar que a água é patrimônio da humanidade, Soares destacou a vigência dos princípios do Manifesto da Água, onde fica claro que o direito mais universal de todos é a água, recurso que é fonte de vida, um problema de cidadania e de democracia, e um elemento que deve contribuir para a solidariedade de vida entre as comunidades.

Soares disse em tom veemente que “a água é um bem comum da humanidade, absolutamente necessária para todos os seres vivos que existem sobre a terra, animais e vegetais. Por isso não pode deixar de ser considerada um bem comum essencial, e por isto um direito humano irrenunciável e imprescritível, como dizem os Direitos Humanos fundamentais.

O líder lusitano disse finalmente que o evento de Porto Alegre trabalhará ativamente na constituição de uma “Rede Parlamentar pela água”, promoverá campanhas de informação, sensibilização e mobilização sob o lema “Água para todos”, e impulsionará a criação de um Observatório Mundial dos direitos da Água.

Protestos

II Fórum

Internacional

das Águas

(Prensa Verde- Red Calc)

Especial –

Em pleno desenvolvimento do II Fórum Internacional das Águas, foram ouvidas vozes de protesto de setores estudantis, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, liderados pelo Diretório Acadêmico de Biologia, os quais sob os slogans de que “novas hidroelétricas não são necessárias”, formularam críticas à política energética do Governo.

“Uma vez mais o Brasil caminha na contra-mão da história. Foram omitidos dados na obra de Barra Grande – entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul – ao ignorar-se a existência de mais de 2 mil hectares de mata de araucária, espécie ameaçada de extinção. Serão inundados 6 mil hectares para servir só 300 megawats de energia para Lages, Caxias de Sul e Bento Gonçalves.

As usinas hidroelétricas não são um recurso renovável. Uma vez

bloqueado um rio, é a morte! Devemos repensar a política energética”, disseram os líderes do protesto.

Foto: Adriano Becker- Ecoagencia

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