
Eduardo Geraque – Agência FAPESP
Nenhum dos pesquisadores que participou da mesa-redonda Recursos hídricos e gestão integrada de bacias hidrográficas, durante a 2ª Semana de Meio Ambiente da Universidade de São Paulo (USP), contrariou a tese de que as leis para gerir a água no Brasil são modernas. O problema, segundo eles, é outro: o modo como os comitês de bacias estão funcionando na maior parte das vezes.
“As dificuldades que podemos descrever são várias”, disse o geógrafo Wagner Costa Ribeiro, do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, durante o evento. Para o professor, especialista em questões sócio-ambientais a partir de uma ótica internacional, um problema sério está no que chama de “excesso de localismo”.
Segundo Ribeiro, na maior parte dos comitês de bacias hidrográficas que estão em atividade no Brasil – por lei, essas instâncias de decisão precisam ter participantes, em proporções iguais, do governo, da sociedade civil organizada e dos usuários – existe uma postura exacerbada de defesa do aspecto local unicamente.
“Somos uma Federação. Se essa tese de olhar apenas o local se consolidar, por exemplo, poderemos viver situações inusitadas. Uma região com excesso de água não poderá fornecer um pouco para uma área vizinha, que tenha déficit hídrico?”, questiona o pesquisador.
Além de propor uma visão nacional do problema da água, o geógrafo da USP vai além. “O Brasil, nas projeções feitas por instituições internacionais, aparece com uma situação relativamente favorável até 2025”, explica. É bem provável, segundo Ribeiro, que o país seja um dos fornecedores de água para outras nações por causa das bacias Amazônica e do Prata. “Os países que precisarão de água irão buscar onde for preciso.”
Dentro do mapa projetado no seminário da USP fica claro que as regiões do rio Nilo (Egito, Etiópia e Sudão), do rio Jordão (Israel, Palestina, Jordânia, Síria e Líbia), do rio Grande (fronteira entre México e Estados Unidos) e dos rios Tigre e Eufrates (Iraque, Síria e Turquia) serão, muito provavelmente, palcos de guerras por causa da água nas próximas décadas. “Das cerca de 250 bacias hidrográficas no mundo, em 80 existe algum tipo de conflito”, conta.
Outro especialista em recursos hídricos, o também geógrafo da USP Aldo Rebouças, ressalta a importância do aspecto político que funciona como um dos pilares dos comitês de bacia. “Antes, o governador poderia bater na mesa e fazer o que bem quisesse. Hoje, isso mudou. Na verdade, o grande desafio agora é exatamente esse, passar de uma postura centralizadora para decisões mais democráticas”, afirma Rebouças, que também é adepto de se aplicar uma visão mais sistêmica ao problema da água.
“Compromisso com a cidadania e com as gerações futuras” deveriam ser os principais lemas, de acordo com Ribeiro, em qualquer discussão que envolvesse o problema da água. Para se chegar até eles, entretanto, fica a questão de se conciliar os diversos atores sociais e os vários interesses que envolvem a questão da água.
Gestão integrada
Adotar sistemas integrados de gestão da qualidade, meio ambiente e segurança e saúde do trabalho tem sido um caminho para as corporações conseguirem benefícios como melhoria nos resultados econômicos, melhor ambiente de trabalho, melhoria na imagem da empresa, alinhamento de ações de responsabilidade social, entre outros.
Para preparar os profissionais para atuar na área, o Senac São Paulo lança um curso on-line sobre o tema. O programa, desenvolvido pelos engenheiros Marcelo Kós Silveira Campos e Armando Augusto Martins Campos, orienta como implantar a gestão integrada e avaliar o desempenho do projeto.
Com início no dia 9 de setembro, as aulas incluem um estudo de caso, pelo qual o aluno aprenderá como desenvolver a integração desses sistemas de gestão. Durante o curso, os alunos terão o acompanhamento de um tutor, especialista em diversos sistemas. Além disso, receberão vídeos com experiências de grandes empresas brasileiras. Neles são apresentados como essas organizações conseguiram otimizar o uso de recursos humanos e de materiais, melhorar a qualidade da documentação e do ambiente de trabalho, além de diminuir o tempo das auditorias.
Nos cursos on-line do Senac, os alunos realizam as atividades por meio de uma sala virtual de estudos, pela qual ocorre também a interação entre os participantes e o tutor. Para isso, existem o fórum, os chats e o e-mail. Por meio da participação nessas atividades, o tutor avalia o desempenho de cada um.
Introdução aos Sistemas de Gestão Integrados tem duração de 80 horas que devem ser cumpridas em 90 dias. As inscrições podem ser feitas por meio do site www.sp.senac.br
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