A Olimpíada Verde em Pequim

Os Jogos Olímpicos de Pequim 2008 já estão em nosso horizonte futuro, daqui a 1.500 dias. O evento mais significativo do mundo esportivo também representa uma enorme possibilidade de negócios especialmente levando-se em conta a meta de que a Olímpiada de 2008 se transforme, de fato, em uma Olimpíada Verde.

Uma das metas é a cidade de Pequim tenha o gás como combustível em 2008, em 90% dos ônibus e 70% dos táxis. Com uma capacidade de tratamento de 2,8 milhões de toneladas/dia, em média, mais de 90% do esgoto estará sendo tratado e 50% reusado.

O lixo, com 50% sendo separado antes da coleta, não causará problemas ambientais e 30% será transformado através da reciclagem. Cerca de 50% do lixo gerado pelos Jogos será reutilizado. Um cinturão verde de mais de 23. 000 hectares formará linhas em torno dos cinco rios e dez avenidas da cidade, que terá também 12.000 hectares de áreas verdes.

Está reservada, também, uma área verde de 760 hectares no Beijing Olympics Park. Um céu azul, uma água limpa e gramados e espaços verdes proporcionarão ótimos dividendos para os moradores locais e para os visitantes, promete o Governo chinês.

A energia limpa será também um diferencial dos Beijing Olympics. Ebergia gerada em fazenda eólicas vão suprir 20% da demanda de electricidade para os ginásios e estádios. A energia solar vai iluminar de 80 a 90% das ruas e aquecer 90% dos chuveiros no recinto e entorno da Vila Olímpica.

Mais de 160 poços geotérmicos seão perfurados para operar o sistema geotérmico de ar condicionado.

Atraídos pelas esplêndidas oportunidades geradas em torno dessae visão de Green Olympics, investidores estrangeiros mal podem esperar para se inserirem na proteção ambiental da China.

Como uma linha auxiliar a IFAT, maior feira sobre meio ambiente do mundo, foi realizada recentemente em Xangai. Na execução de um plano de 15 anos a China investirá US$ 85 bilhões em campanhas de proteção ambiental, o que representa cerca de 1,3% de seu PIB.

Fonte: People’s Daily Online

Economizar água custa mais na Itália

Tradução: Salmi Stefano

Parece absurdo mas a água economizada custa mais caro em alguns lugares do mundo. Esta é a lição que os habitantes do distrito de Foligno, Spoleto, na Itália estão aprendendo. Eles serão penalizados com aumento das tarifas porque pouparam no consumo da água. Em um primeiro momento houve surpresa com essa aparente incoerência. Mas a realidade se mostrou cruel: as empresas precisam garantir seu faturamento e se os cidadãos são pessoas virtuosas “pior para eles “! Se existem perdas em torno de 40% nos sistemas “pior para eles”! Se a demanda de bombeamento de água dos Apenninos e do Vale da Umbria vai aumentar, porque quanto mais água se vende mais será ganho, e tudo sem levar em conta a opinião dos ambientalistas, “pior para eles”!

O que todos se perguntam é se adianta apoiar campanhas como as realizadas na Emilia-Romagna (Reggio Emilia, Bagnacavallo) onde os prefeitos oferecem um kit para colocar nas torneiras das casas para poupar no consumo. Muitos hotéis também aderiram ao projeto “Aquasave” mas estão incrédulos com o que aconteceu na Úmbria.

O que fica evidente é que muitas municipalidades parecem se importar muito pouco com este assunto. Contratos que garantem um faturamento mínimo para empresas privadas que administram sistema de abastecimento parecem estar acima da lei da coerência e do bom senso.

Menos mal que o Brasil está indo em direção oposta. A Sabesp, em São Paulo, está dando um bom exemplo de premiar o consumidor que usa racionalmente a água.

Índice de degradação ambiental

Agência FAPESP

O Estado do Acre, no Norte do país, apresenta um índice de degradação médio de 30,74%. O número exato é fruto de uma metodologia inovadora proposta por uma dupla de economistas que, a partir de indicadores biológicos, econômicos e demográficos, construiu uma metodologia matemática capaz de medir como está a conservação ambiental em um espaço geográfico limitado. No caso, eles analisaram 22 municípios acreanos.

A partir de análises fatoriais e da análise de agrupamentos (clusters), os pesquisadores Rubicleis da Silva, da Universidade Federal do Acre, e Claudiney Ribeiro, da Universidade Federal de São João Del Rei, em Minas Gerais, detectaram que, enquanto alguns municípios estão com uma situação favorável, em outros o impacto sobre o meio ambiente é bastante grande.

Em uma das tabelas geradas pelo estudo Análise de Degradação Ambiental na Amazônia Ocidental: um Estudo de Caso dos Municípios do Acre, publicado no número um do volume 42 da Revista de Economia e Sociologia Rural, ficam claras as diferenças de degradação observadas no campo. Enquanto os munícipios de Cruzeiro do Sul e de Mâncio Lima, na região do Juruá, estão com índice zero, em Brasiléia, no Alto Acre, o mesmo índice é de 65,95%.

Segundo os pesquisadores – que não consideram essa metodologia conclusiva – ao mesmo tempo que o índice revelou um bom estado de conservação ambiental em algumas áreas, ele também apontou, para essas mesmas regiões, que alguns indicadores isolados se mostraram altos.

Para a construção das equações foram utilizados dados como cobertura vegetal (indicador biológico), produção da lavoura e da criação de animais (indicadores econômicos) e a capacidade que as regiões de lavoura tinham de absorver mão-de-obra (indicador demográfico). A tese nesse último caso é que quanto mais degradada a região, menos trabalhadores rurais vão trabalhar naquele espaço.

Apesar dos índices de degradação relativamente baixos, dizem os autores no texto, isso não significa que a situação do Acre seja cômoda. “Pelo contrário. É muito preocupante, dado que, por ser um Estado relativamente novo e pouco desenvolvido, alguns municípios possuem um índice de degradação que ultrapassou o valor de 60%”.

O estudo está disponível na íntegra na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP).

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