
Rob Richley, London Press Service
Grupos conservacionistas comemoram uma história de sucesso da vida selvagem com o 50o aniversário do retorno da águia pescadora, uma das mais espetaculares e populares aves do mundo, que mergulha em lagos para pescar peixes. Esses animais foram perseguidos durante décadas, caçados e seus ovos roubados, o que erradicou essas magníficas aves de rapina dos céus da Escócia, onde o último casal foi avistado em 1916.
Mas em 1954, duas águias retornaram e reproduziram-se com sucesso em Loch Garten, em Strathspey. Desde então, grupos conservacionistas e proprietários de terras vêm travando uma batalha contra os ladrões de ovos que tentam saquear os ninhos próximos ao lago.
Graças à proteção humana e à persistência das aves, existe agora um número impressionante de 160 casais em reprodução, encontrados principalmente ao norte e região central da Escócia. Eles se tornaram um símbolo da vida selvagem escocesa, e estão recolonizando o país com tanto sucesso que alguns casais já chegaram até o Lake District, no noroeste da Inglaterra.
No ano passado, as águias pescadoras reproduziram-se pelo terceiro ano consecutivo em Bassenthwaite em Lake District, onde a Forestry Commission e Lake District National Park Authority construíram na floresta uma plataforma para os ninhos. Mais ao sul, as águias pescadoras estão sendo reintroduzidas na reserva natural de Rutland Water em um programa conjunto com o Anglian Water and Leicestershire & Rutland Wildlife Trustin e cinco filhotes atingiram com sucesso a idade de voar em 2003.
As equipes da RSPB Scotland e Forestry Commission e voluntários do Raptor Study Group construíram diversos ninhos artificiais para as águias que chegaram a eles com rapidez. Acredita-se que tal fato tenha proporcionado mais segurança para as aves e ajudado em sua reprodução.
As águias pescadoras são animais singulares entre as aves de rapina em virtude da forma como se adaptaram para se alimentarem de peixes, observando-os com sua visão precisa e binocular enquanto sobrevoam os lagos. As aves então investem com suas asas de envergadura de 1,7 metro e agarram os peixes nadando próximos à superfície com garras longas e curvas.
A vigilância em busca dos ladrões de ovos começou logo após o retorno das águias. Em 1958, a RSPB lançou a Operação Águia Pescadora para proteger um único ninho em Loch Garten. Voluntários mantinham postos de observação durante toda a noite próximos ao ninho e puxavam as cordas amarradas no punho daqueles que caíam no sono para mantê-los alertas contra intrusos. Apesar da segurança, os ovos foram roubados naquele ano e os ladrões não pararam, no auge entre 1982 e 1984, chegaram a saquear mais de uma dúzia de ninhos.
A localização de todos os ninhos, com exceção de alguns locais abertos ao público, é mantida em segredo e equipes de voluntários continuam a observar diversos locais à procura de possíveis ladrões. Sensores de movimento foram colocados nas árvores onde as águias fazem seus ninhos e lanças foram colocadas nos troncos das árvores que também estão envoltos com arame farpado. “A RSPB e outras organizações de vida selvagem farão uso de todas as medidas necessárias para garantir a proteção permanente das águias pescadoras”, afirma Andrew Myles do RSPB Scotland.
Após mudanças na legislação, há agora sentença de prisão para os ladrões de ovos e ovos de águia pescadora foram encontrados entre as coleções de ovos dos transgressores que foram presos. “Sabíamos da existência de 150 colecionadores de ovos antes da implantação das sentenças de prisão na Inglaterra há três anos e na Escócia há um ano e parece que esse número reduziu drasticamente com a ameaça das sentenças de prisão”, disse Andrew Myles.
Festa marca o retorno
Ao norte da fronteira, um grande programa de comemorações está sendo planejado para marcar o jubileu de ouro do retorno da águia pescadora à Escócia. A Royal Society for the Protection of Birds (RSPB), o Scottish Wildlife Trust, Scottish Raptor Study Groups e a Forestry Commission estão planejando um programa de eventos e projetos chamado “Águia Pescadora 50”.
As comemorações incluem oportunidades para a população observar as águias pescadoras com telescópios ou através de circuitos fechados de TV. Os locais e centros de visitantes estarão abertos até o fim do mês de agosto em Loch Garten, Aberfoyle, Glentress e Loch of the Lowes.
O retorno das aves todos os meses de março de suas moradas de inverno na África Ocidental é sempre notícia nos meios de comunicação escoceses e o famoso local de observação em Loch Garten atraiu dois milhões de visitantes só no ano passado.
Mas RSPB avisa que as águias ainda não estão salvas e precisam ser protegidas contra os colecionadores de ovos. Outras ameaças incluem colisões com as linhas de eletricidade, os animais podem ficar presos em linhas de pesca, engolir anzóis e perder seu habitat na morada de inverno na África Ocidental.
“As águias pescadoras tornaram-se um símbolo da Escócia porque são animais extraordinários. Elas mergulham nos lagos a partir de grandes alturas, agarram grandes peixes e os levam até o ninho mais próximo”, completa. “Elas representam também uma história de sucesso porque recolonizaram a Escócia de bom grado. “Mas elas ainda estão sendo ameaçadas por colecionadores de ovos e ocasionalmente perseguidas por caçadores que vêem a ave como um divertimento para o jogo”, afirma Myles. Há dois anos, uma água pescadora em Perthshire foi morta em uma armadilha ilegal – armada em um poste alto e projetada para aprisionar aves de rapina.
Contato
Andrew Myles, Head of Media – Royal Society for the Protection of Birds (RSPB) Scotland: E-mail: rspb.scotland@rspb.org.uk
Web: www.rspb.org.uk
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