Energia nuclear para que?

O Brasil anunciou um acordo de cooperação para fomentar a indústria nuclear nacional às vésperas da participação da Ministra Dilma Roussef no encontro internacional sobre energias limpas e renováveis – “Renováveis 2004”, que ocorrerá de 1 a 4 de junho na cidade alemã de Bonn.

“Quando o mundo todo está avançando nas discussões sobre formas de implementação das fontes renováveis de energia como eólica, solar, biomassa e pequenas hidroelétricas, o Brasil mostra estar na contramão da tendência global, assinando contrato de financiamento para uma usina a carvão mineral (em Cachoeira do Sul – RS) e acenando com uma discutível parceria para promover a área nuclear”, disse Sérgio Dialetachi, coordenador da Campanha de Energia do Greenpeace Brasil.

“Os anúncios feitos pelo Lula na China nos surpreenderam. A Ministra Dilma Rousseff convocou líderes ambientalistas brasileiros para estarem em seu gabinete no último dia 17 e, taxativamente, afirmou que o governo federal não priorizaria em sua política energética uma atividade “cara e suja como é a do carvão”. O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Maurício Tolmasquin, em um seminário público sobre energias renováveis ocorrido em São Paulo, na última segunda-feira, disse categoricamente que “nenhuma nova usina a carvão ou nuclear iria ser construída neste governo”. O anúncio feito na China não condiz com a mensagem que recebemos do Ministério de Minas e Energia”, disse Rubens Born, do Vitae Civilis.

Para os ambientalistas este anúncio põe em questionamento o compromisso brasileiro com as energias renováveis. O Brasil abriu mão de continuar na vanguarda das discussões internacionais e apresentar uma proposta arrojada de implementação e financiamento do desenvolvimento das energias renováveis, como fez na Conferência de Johannesburgo, em 2002, propondo uma meta global de 10% da matriz de energia renovável na matriz energética mundial até 2010.

“O Greenpeace e o Vitae Civilis esperam que o Brasil reveja esta iniciativa e proponha à China um acordo de cooperação em áreas de interesse comum, como a da energia renovável por biomassa, eólica e outras fontes sustentáveis que possam, a curto e médio prazos, suprir as necessidades das populações isoladas e do desenvolvimento sustentável de ambos países”.

Signatários do posicionamento

Sérgio Dialetachi – Greenpeace Rubens Born, Vitae Civilis

Social e ambientalmente desastrosos

Os ambientalistas argumentam que o planeta vive um momento único. A preocupação com a mudança climática e a desigualdade econômica está levando países tradicionalmente envolvidos com os negócios do carvão e nuclear a deixar esse tipo de atividade e optar pela geração da energia que precisam de maneira sustentável, limpa e segura.

Os mais diferentes fóruns econômicos mundiais discutem maneiras de fazer comércio de maneira mais justa e menos predatória, promovendo o desenvolvimento de todos os parceiros envolvidos, transferindo tecnologia para os mais necessitados, garantindo a produção descentralizada e sustentável.

”Sem consulta à sociedade, ao Congresso Nacional ou a ninguém mais, o governo brasileiro tem contribuído para projetos ambiental e socialmente desastrosos em outros países, quando deveria estar financiando bons projetos de infra-estrutura dentro do nosso próprio país”.

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