
Abril 23, 2004: Voando sobre a exuberante paisagem montanhosa da América Central, um funcionário local dedicado ao meio ambiente detecta nuvens de fumaça nos lugares onde a agricultura de “derrubada e queimada” está destruindo centenas de hectares de florestas. À distância, desde esta altura se divisam claramente as águas tingidas de escuro de uma maré vermelha que se aproxima das aldeias de pescadores da costa. O funcionário vê também um rio cheio de sedimentos que serpenteia através do bosque que sobrevoamos – um sintoma da erosão do terreno causada por práticas de agricultura não sustentável rio acima, explica. A vista evoca uma compreensão intuitiva destes problemas ambientais, que por si sós, as palavras não podem proporcionar.
Juan Mario Dary, ministro de Meio Ambiente e Recursos Naturais da Guatemala, planejava oferecer uma visita aérea, guiada como esta, no último fim de semana de abril. A única diferença é que ele não estaria em um avião. De fato naquela data ele não se encontrava nem perto da América Central, mas em Tóquio (Japão) no II Congresso de Observação da Terra, que se celebra anualmente.
A visita guiada que Dary pretendia oferecer era um vôo virtual sobre uma paisagem tridimensional gerado por computador – similar a um videogame de “simulador de vôo”. Entretanto, a vista que se observa desde a janela do avião é a realidade. Tem origem em dados reais geográficos tomados por satélites, o que proporciona uma “ampla” imagem de como os humanos estão depredando a rica diversidade de vida selvagem na região.
“Em certos aspectos, é inclusive melhor do que a experiência real”, disse Daniel Irwin, um cientista do Centro Marshall para Vôos Espaciais (Marshall Space Flight Center) da NASA. “O usuário pode escolher que tipo de dados quer ver, alguns dos quais não são óbvias ou visíveis no plano real: limites de parques naturais, localização de pequenas aldeias, tipos de ecossistemas e hábitat de espécies em perigo de extinção, para citar umas poucas”.
Este software de paisagem virtual é uma das muitas ferramentas que Irwin e outros pesquisadores estão desenvolvendo como parte de um projeto internacional chamado SIAM-SERVIR, (Sistema de Informação Ambiental Meso-americano – Sistema de Monitoramento e Visualização Regional).
Através do esforço coordenado de sete nações da América Central, a NASA, o Banco Mundial, a Agência Estado-unidense para o Desenvolvimento Internacional (USAID), entre outros, SIAM-SERVIR está criando um portal fácil de usar para acessar os dados ambientais de toda a região.
O portal servir.nsstc.gov já se encontra na web, embora incompleto. A importância de ter dados diários de focos sem controle durante a estação de incêndios de primavera os convenceu para publicar uma primeira versão antes do previsto, disse Irwin. A versão final se completará mais adiante durante este ano.
As cores simuladas desta imagem por satélite do lago Nicarágua representam distintos tipos de coberta terrestre: verde para os bosques, vermelho e rosa representam combinações de agricultura específicas, terrenos baldios e áreas urbanas. Esta vista em perspectiva foi gerada usando software da Skyline Software Systems.
As atualizações são diárias em tempo quase real com base em dados de satélites da NASA, adquiridos e processados automaticamente. Os usuários da rede – sejam estudantes, cientistas ou políticos centro-americanos – podem acessar a informação de diversas maneiras: através de mapas bidimensionais interativos, mediante “sobrevôos” em uma paisagem virtual em 3D, ou podem descarregar uma parte dos dados sem processar para fazer suas próprias análises.
“Este projeto acabará com uma característica peculiar da América Central, onde a informação ambiental tem sido sempre zelosamente guardada por pessoas ou instituições. Esperemos que agora ao contrário, a informação flua livremente”, disse Rafael Guillén, o principal colaborador técnico de Irwin na América Central e um especialista em software GIS (Sistema de Informação Geográfica).
A América Central é uma região com uma grande riqueza e diversidade de fauna tropical: apesar de que só constitui 1% aproximadamente da superfície do planeta, esta região serve de refúgio a aproximadamente 7% das espécies terrestres, assim como a uma crescente população humana muito empobrecida. Cobrir as necessidades de toda esta gente sem levar à bancarrota os recursos naturais dos quais depende é um enorme desafio para os representantes políticos que têm que tomar as decisões.
Tomando melhores decisões
Qualquer informação que possa ser desenhada em um mapa pode-se integrar à base de dados mestre: registros geográficos históricos, dados espectrais de satélite de Landsat e MODIS (MODerate-resolution Imaging Spectroradiometer, o Espectro-radiômetro de Imagens de resolução Moderada), ou também dados do habitat de animais e plantas obtidos de forma tradicional mediante trabalho de campo. Irwin, Guillén e outros especialistas esperam que toda esta informação, acessível de forma gratuita e fácil de entender, ajude aos centro-americanos a tomar melhores decisões sobre os recursos naturais, continuamente em perigo.
Em julho começará a construção de um complexo de armazenamento de dados central no Panamá. Além de ser o armazém de informação do projeto, o complexo no Panamá servirá de “sala de situação” — uma “sala de controle da missão” para monitorar a saúde e as condições da selva, as terras de cultivo, os rios, e as águas costeiras de toda a Centroamérica. A USAID financia e desenvolvimento deste complexo, assim como outros seis menores em cada um dos restantes países centro-americanos: Belize, Guatemala, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, e El Salvador. Estes centros nacionais de menor tamanho terão especialistas com acesso direto à base de dados central para ajudar a abordar os assuntos ambientais em seus próprios países.

Créditos e Contatos
Autor: Patrick L. Barry
Funcionário Responsável da NASA: Ron Koczor
Editor de Produção: Dr. Tony Phillips
Curador: Bryan Walls
Relações com os meios: Steve Roy Tradução para espanhol: Daniel García/Carlos Román
Editor em espanhol: Héctor Medina
Autogestão
“Não dissemos aos centro-americanos o que é preciso fazer”, disse Irwin. “Ao contrário, tentamos escutar e desenvolver produtos e ferramentas baseados em suas necessidades. É um processo promovido pela demanda”.
Uma vez que o sistema esteja implantado e o especialistas locais tenham recebido o treinamento necessário, o controle e a operação do sistema serão entregues às autoridades ambientais locais, embora a NASA continue disponível para dar suporte técnico.
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