Especialistas alertam para as doenças do desenvolvimento

Ter acesso à moderna tecnologia como celulares, ar condicionado, forno de microondas e toda a parafernália disponível traz também um risco à saúde e qualidade de vida que ainda precisa ser melhor avaliado segundo os especialistas que durante dois debateram, em Porto Alegre (RS), a saúde ambiental e o desenvolvimento sustentável, no I Congresso Interamericano de Saúde Ambiental promovido pela Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental (Aidis).

Uma destas tecnologias, segundo o especialista cubano Carlos Barceló, é o telefone celular cuja radiação tem sido associada a tumores cerebrais. Mas embora não existam comprovações sem contestação ele avalia que como nos últimos 50 anos a humanidade vem sendo submetida a uma quantidade 50 vezes maior de radiações de todo o tipo todos concordam que as conseqüências desse “bombardeio diário” não demorarão a ser completamente evidenciadas.

Barceló desenvolveu uma pesquisa em Cuba que visa antecipar e evitar

possíveis fatores de risco. De acordo com ele, a exposição ostensiva ao

campo magnético das redes de energia pode aumentar em até oito vezes os

riscos de leucemia nas crianças. Barceló ressalta, no entanto, que há muitas

pesquisas sobre o tema, que apresentam resultados controversos. “Como o tema é muito recente, ainda existem muitas pesquisas que apresentam resultados diferentes”, diz.

Para Barceló, o Governo deveria evitar a construção de casas perto de redes

de alta tensão e fiscalizar as empresas que não respeitam os limites

técnicos de emissão de raios microondas e de campos magnéticos. “Os

organismos de vigilância sanitária devem fiscalizar e evitar as construções

de casas próximas a locais que ultrapassem os limites aceitos pelo ser

humano ao campo magnético”, revela. Também participaram da pesquisa Raisa

Guzmán, Gabriel Reyes e Isabel Moncada.

Saneamento e habitação – as carências

O presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Paulo Buss, na conferência magistral, destacou as complexas relações entre o desenvolvimento, meio ambiente e saúde. Segundo Buss, o processo de industrialização provocou ao longo dos anos impactos no ecossistema e na população. “O desenvolvimento produziu efeitos negativos na saúde das pessoas”.

Ele acredita que a globalização, que prometeu crescimento rápido aos países em desenvolvimento, não contemplou os programas de combate à pobreza, que se mostraram ineficazes. “A falta de investimento em habitação e saneamento básico acarretam sérios riscos à saúde”, explica.

Para o presidente da Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais (AESBE), Vitor Bertini, é preciso estabelecer condições básicas para a mudança da agenda de investimentos, para melhorar as condições de vida da população. “O saneamento para o maior número de pessoas é um grande desafio para os governantes”, completa.

Riscos no trabalho em casa

A especialista Berenice Goelzer, que abordou o tema A residência como local de trabalho disse que “mais de 100.000 substâncias são utilizadas ou produzidas por um grande número de atividades. Estima-se que mais de 200 agentes biológicos e vegetais – como vírus, bactérias, parasitas, fungos e poeiras orgânicas, podem se encontrar em locais de trabalho (OMS, 1995).

A OMS, em sua publicação “Saúde e Ambiente no Desenvolvimento Sustentável – Cinco anos depois da Reunião de Cúpula da Terra” (OMS, 1997) destaca a importância dos riscos químicos, que continuam aumentando, sem que haja um desenvolvimento paralelo quanto à prevenção da exposição aos mesmos. Ao mesmo tempo continua a exposição a riscos de natureza física, como o ruído e as radiações.

Fatores de risco ergonômicos e psicossociais, até há pouco tempo ignorados, estão tomando importância crescente sendo que doenças como LER e sintomas ligados ao estresse no trabalho figuram como os principais problemas ocupacionais em certos países (onde os riscos mais evidentes, como os químicos e biológicos) já são bastante evitados/controlados.

Os Riscos da Poluição à Saúde

David Welsh, London Press Service

Especialistas da Universidade de Edinburgh deram início a um estudo de três meses no Edinburgh Royal Infirmary para descobrir porque a poluição do ar está ligada às internações em hospitais e mortes decorrentes de ataques cardíacos. Os pesquisadores irão examinar pequenas partículas encontradas no ar poluído e avaliar suas ações nos vasos sangüíneos.

Esse estudo teve início a partir de um trabalho anterior realizado na universidade que demonstrou um elo de ligação entre o tabagismo e danos causados à delgada camada de células que reveste os vasos sangüíneos. Essas células ajudam a impedir a formação de coágulos sangüíneos, responsáveis pelos ataques cardíacos.

Voluntários saudáveis e pacientes com doenças cardíacas estão sendo expostos ao ar com partículas poluentes concentradas por meio de equipamentos especializados oriundos da Holanda. Os exames de sangue avaliam se existe queda no nível de proteínas dissolventes de coágulos após a exposição a altos níveis de poluição aérea. Ao comparar os pacientes com indivíduos saudáveis, os pesquisadores pretendem determinar se os pacientes com problemas cardíacos são mais sensíveis à poluição do que os indivíduos saudáveis.

Ao anunciar o estudo, o professor Ken Donaldson do Medical Research Council Centre for Inflammation Research da universidade afirmou que: “o cigarro e a poluição do ar têm em comum alguns agentes contaminantes e que ele iria estudar se as pequenas partículas presentes no ar poluído podem causar os mesmos efeitos do cigarro sobre o sistema de coagulação. O tabagismo está fortemente associado a ataques do coração e, de fato, a maior parte das mortes súbitas por ataques cardíacos decorrentes de coágulos ocorre em fumantes”.

Contato:

communications.office@ed.ac.uk

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