
Um alerta divulgado pela organização ambientalista Instituto WorldWatch, com sede em Washington, durante as atividades comemorativas ao Dia Mundial da Água destaca que existe disparidade entre o acesso à água para nações e população rica e pobre por falta de interesse e prioridade dos governos e da sociedade para este tema. A entidade compara o gasto perdulário de um habitante da Flórida, por exemplo, que chega a consumir o mesmo que perto de 1.000 pessoas em muitos países africanos.
Segundo o Instituto WorldWatch apesar do aumento do consumo mundial e da distribuição desigual dos mananciais – Brasil, Rússia, Canadá, Indonésia, China e Colômbia detêm metade da água doce do planeta – as quantidades disponíveis seria suficientes se houvesse menos desperdício e mais preservação.
Um exemplo que ajuda a desequilibrar ainda mais a distância de acesso é o consumo da indústria que representa em torno de 22% do gasto mundial. Mas quase 60% desse consumo se situa no Hemisfério Norte. Só para exemplificar, enquanto o cultivo e as demais etapas de produção de alimentos para uma dieta vegetariana necessitam de 2 metros cúbicos/dia de água, outra, baseada em carne, utiliza mais 5 metros cúbicos/dia.
Os especialistas advertem também que a maioria das principais cidades do mundo já enfrenta e terá agravados seus problemas de abastecimento de água nos próximos anos se não frear o consumo e corrigir as perdas em seus sistemas. Entre elas estão: Cairo, Karachi, Lagos, Londres, Los Angeles, Manila, México, Nova York, Jakarta e São Paulo.
Fonte: Instituto Worldwatch
A riqueza do Brasil I
“O Brasil é considerado um país riquíssimo em termos hidrológicos, pois
detém cerca de 12% da água doce que escorre superficialmente no mundo. O
problema é que esse volume é desigualmente distribuído: 70% estão na
Amazônia, região com menos de 7% da população nacional (existe muita água em local com poucos habitantes), 15% no Centro-Oeste, 6% no Sul e no Sudeste e apenas 3% no Nordeste, sendo 2/3 destes localizados na bacia do rio São Francisco.
Em termos de disponibilidade hídrica per capita, existem modalidades
de distribuição classificadas pela OMS, em diversos locais do planeta,
inclusive no território nacional, que consideram regiões abundantes em água
aquelas que disponibilizam volumes superiores a 20 mil m³/pessoa/ano,
passando pelas classes intermediárias, que disponibilizam cerca de 5 mil
m³/pessoa/ano, até as portadoras de situações críticas, que disponibilizam
volumes inferiores a 1.500 m³/pessoa/ano.
Na classe abundante, estão considerados todos os Estados da região Norte do país, sendo Roraima o campeão em oferta de água, com a incrível marca de 1,7 bilhão m³/pessoa/ano. Dos estados nordestinos pertencentes ao Semi-Árido, apenas o Piauí – em posição intermediária – está em situação confortável, fato este advindo da riqueza hídrica em seu subsolo sedimentário e da existência de um grande rio perene, o Parnaíba, que faz fronteira com o Maranhão.
A riqueza do Brasil II
A Bahia – em situação próxima à crítica, com fornecimentos
volumétricos superiores a 2.500 m³/pessoa/ano – chega a ter mais água do que
o Estado de São Paulo, por ser beneficiado pelo rio São Francisco, que corta
o estado de sul a norte, e por possuir áreas sedimentares esparsas, mas
significativas, em seu território.
A situação dos demais estados nordestinos (Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe) é preocupante, pois estão numa posição crítica pelo fato de oferecerem volumes inferiores a 2.500 m³/pessoa/ano, destacando-se, entre eles, a Paraíba, com fornecimento de cerca de 1.437 m³/pessoa/ano, e Pernambuco, estado campeoníssimo em baixa oferta hídrica para os seus habitantes, com o fornecimento de apenas 1.320 m³/pessoa/ano.
Além dessas desigualdades, não sabemos usar a água, pois 46% dela
é desperdiçada nos vazamentos das tubulações ao longo das redes de
distribuição, o que daria para abastecer toda a França, a Bélgica, a Suíça e
o Norte da Itália. É urgente, portanto, um novo padrão cultural para
utilização dos nossos recursos hídricos”.
Fonte: A má distribuição da água no Brasil – João Suassuna

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